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Abertura de Câmbio

By: Leonel Mattos, Market Intelligence Analyst • BRAZIL PRS

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Câmbio deve refletir corrida eleitoral e IPCA

Cotações (09h05min):
▼ Taxa de câmbio (USDBRL): ~R$ 4,99 (-0,6%)
▲ Dollar Index (DXY): ~102,2 pontos (+0,1%)

Nesta sexta-feira, o mercado de divisas deve refletir a primeira pesquisa de intenção de voto do Datafolha após o primeiro turno das eleições, que indicou vantagem numérica para Flávio Bolsonaro. Além disso, a leitura de setembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve contribuir para os investidores calibrarem suas expectativas para a condução da política monetária doméstica.

Agenda do dia (horário de Brasília):

  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro (IBGE) – 09h00min.
  • Prévia do Índice de Confiança do Consumidor americano de outubro (UMich) – 11h00min.
  • Posição semanal dos agentes de mercado (CFTC) – 16h30min.
  • Palestra da presidente do Federal Reserve de Boston, Susan Collins – 17h00min.

Corrida eleitoral no segundo turno

Na quinta-feira (08), o Datafolha publicou sua primeira pesquisa de intenção de voto para o segundo turno entre Flavio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva após o primeiro turno das eleições.

  • No levantamento, Flavio registrou 49% das intenções de voto, ante 45% de Lula, configurando empate técnico no limite das margens de erro.
  • Indecisos e brancos são 1% e 5%, respectivamente.
  • Em termos de votos válidos, Flavio registra 52% e Lula 48%.

 

Por que isso é importante: Uma disputa eleitoral acirrada pode diminuir a previsibilidade sobre as políticas econômicas brasileiras para os próximos quatro anos, aumentando a percepção de riscos de ativos nacionais, amplificando a volatilidade e prejudicando o desempenho do real.

  • Em particular, as reações recentes dos agentes do mercado financeiro revelam uma preferência pela eleição de um novo presidente, que poderia ser mais conservador em sua política fiscal.
  • Por isso, um resultado que fortaleça a perspectiva de mudança de governo tende a reduzir a percepção de risco de ativos nacionais e favorecer o desempenho do real.

 

Otimismo para eleição de Flavio: Embora a pesquisa aponte empate técnico e margens apertadas entre os candidatos, a liderança numérica de Fávio tende a reforçar o otimismo dos investidores por uma mudança de governo e de condução da política econômica.

  • Além disso, as pesquisas eleitorais subestimaram o desempenho de Flávio no primeiro turno.
  • Por isso, é possível que investidores enxerguem que o potencial de vitória de Flávio é maior do que o apontado pelas pesquisas.

 

Política fiscal de Flavio: Em declarações recentes, Flávio tem defendido uma série de medidas para conter o avanço da dívida pública através de redução de gastos públicos e tributos, o que tem sido chamado de “tesouraço”.

  • Embora o senador não tenha dado detalhes sobre quais medidas seriam adotadas, investidores parecer estar dando “o benefício da dúvida” e antecipando uma condução mais conservadora da política fiscal em seu eventual governo.

 

Inflação no Brasil

A leitura de setembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicou uma inflação de 0,82% no período, acima das expectativas de 0,73% dos investidores.

  • Com a leitura, a alta acumulada em 12 meses avançou de 4,22% para 4,58%, acima das margens de tolerância da meta.
  • O núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis de alimentação e energia, registrou alta de 0,20% para 0,33%.
  • A inflação no mês foi puxada principalmente pela alta de 7,98% de energia elétrica após o fim do bônus de Itaipu, seguido pela alta de 0,96% de alimentação no domicílio.

 

Por que isso é importante: A leitura mais forte do IPCA deve aumentar as preocupações com o quadro inflacionário doméstico, diminuindo as apostas de novos cortes para a taxa Selic.

  • Isso, por sua vez, tende a aumentar os rendimentos dos títulos públicos nacionais e o diferencial de juros em relação ao exterior, fortalecendo o real.

 

Próximos passos em aberto: Em sua última decisão de juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) reconheceu um cenário de incertezas elevadas, reforçando o tom de cautela para os próximos passos e sem se comprometer com nenhuma medida específica no futuro.

  • O Copom manteve sua avaliação de assimetria altista para riscos inflacionários (isto é, maior risco de uma inflação mais acelerada do que mais moderada) e alertou para o descolamento das expectativas inflacionárias de investidores em relação à meta para 2027 e 2028.
  • O Comitê também elevou suas próprias projeções para a inflação em 2026 e 2027, sinalizando que o quadro inflacionário permanece desafiador, embora tenha mantido a estimativa de inflação para o primeiro trimestre de 2028.
  • Por outro lado, o Copom reforçou o cenário de moderação da economia brasileira e incluiu um parágrafo de análise sobre a desaceleração do crédito bancário, indicando que o atual patamar de juros está restringindo a atividade econômica e a demanda.
  • Isto reforça o tom neutro do Comitê – se, por um lado, um quadro inflacionário desafiador exigiria juros mais elevados para recuperar a estabilidade de preços, por outro a desaceleração do crescimento exigiria juros mais baixos para estimular a atividade econômica.

 

TABELA DE INDICADORES ECONÔMICOS
image 138762Fontes: Banco Central do Brasil; B3; IBGE; Fipe; FGV; MDIC; IPEA e Refinitiv.
  • Moedas

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