Na terça-feira (30 de novembro), as cotações da pluma registraram quedas fortes refletindo os temores com a variante ômicron da Covid-19. Ao final da sessão de ontem no mercado futuro, o contrato de março/22 era precificado a US¢ 106,41/libra-peso, apresentando um recuo de Us¢ 5/lp frente ao fechamento da segunda. O pregão de ontem foi de aversão ao risco geral no mercado de commodities, quando já por volta das 12h30 (horário de Brasília) os contratos com vencimento em março e maio de 2022 já operavam no limite de oscilação diária até fechar a sessão. Em Chicago, o óleo de soja recuou 5,3%, assim como soja e milho tiveram quedas de 2% e 2,4%, respectivamente. As preocupações dos últimos dias continuam se voltando à pandemia do novo coronavírus, que pode voltar a se acentuar com a chegada da nova variante descoberta na África do Sul. Com o pânico geral instalado nos mercados, com a possibilidade de haver novas medidas de restrição às economias, os investidores internacionais estão liquidando posições em ativos mais arriscados, neles incluídos os futuros de commodities. O Dollar Index, ainda, embora tenha aberto em queda, foi amparando esse movimento no setor financeiro com novas declarações do banco central estadunidense, que pode intensificar o aperto monetário. Por isso, esses fatores macroeconômicos e a pandemia começam a tomar as rédeas do mercado de algodão, que deixa de lado, por hora, seus demais fundamentos de oferta e demanda.
Ontem, o pânico entre os agentes se deu principalmente pela declaração do presidente da empresa Moderna (fabricante de vacinas), dizendo que a eficácia das vacinas deve ser menor contra a nova variante da Covid, pela quantidade de mutações que a ômicron apresenta. Por outro lado, outras entidades, como a BioNTech e a Universidade de Oxford (representantes das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca) foram mais otimistas, dizendo que as vacinas devem proteger sim as pessoas da nova cepa, mesmo que em taxas um pouco menores – ressaltando a importância das doses de reforço. Essa assimetria de opiniões entre as fabricantes só evidencia a falta de informações que permeia a ômicron, sendo essa reação dos mercados mais uma forma de proteção contra esses rumores do que algo material. De fato, o acompanhamento das notícias sobre essa nova variante deve ser fundamental, uma vez que uma nova onda da pandemia ou até mesmo a volta de uma espécie de “estaca zero” da Covid afetaria diretamente a renda global e, logo, os preços das commodities – em especial o algodão, que tem uma sensibilidade um pouco maior às oscilações de demanda.
Por fim, o mercado de divisas também amparou o dia de aversão ao risco nos demais ativos. Ontem, o presidente do Federal Reserve fez um pronunciamento mais firme sobre o aperto monetário nos Estados Unidos, declarando que o processo de diminuição da compra de ativos pelo banco central deveria ser mais acelerado, para conter a inflação acelerada em um cenário de recomposição dos níveis de emprego. Com isso, a perspectiva mais hawkish do Fed traz um suporte baixista para as commodities, uma vez que indica não somente menos estímulos monetários como também um ambiente de menor ímpeto ao risco pelos investidores internacionais. Vale ressaltar que uma política monetária “hawkish” significa uma expectativa de que a ação do banco central deve realizar ações que desestimulam a economia, podendo até aumentar a taxa básica de juros nos EUA, algo que fortalece o dólar.
ICE/NY | ESTOQUES CERTIFICADOS DE ALGODÃO (EM MIL TONELADAS)