A semana termina com Wall Street em baixa, onde os principais índices estão operando em terreno negativo nesta sexta-feira (dia 19). Caso a tendência se mantenha, será a terceira semana consecutiva de recuos no mercado acionário estadunidense. Além de menores expectativas para os cortes das taxas de juros, um fator importante que marcou os últimos dias foi a escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nas últimas horas foram informados ataques em solo iraniano, como retaliação israelense após bombardeios recebidos no final de semana passado. Esses acontecimentos geram preocupações sobre o andamento das rotas logísticas que usam o Mar Vermelho como caminho, elevando o alerta no comércio internacional. Esse mesmo acontecimento gerou volatilidade nos preços dos combustíveis, onde os resultados são mistos e estão detalhados no Diário do Petróleo.
Sem grandes variações nos fundamentos, os mercados na Europa e na região da Ásia-Pacífico mostram resultados mistos, com a maioria dos índices em baixa. Enquanto os europeus repercutem com preocupação os eventos no Oriente Médio pela maior proximidade geográfica com as rotas comerciais, os asiáticos observam de maneira pessimista o andamento nas trajetórias de taxas de juros nos EUA.
Na bolsa brasileira, após um começo sem direção definida, o índice futuro do Ibovespa (IBOV) passou a ter alta, buscando uma recuperação no balanço semanal. Em foco, o real abriu novamente em alta frente ao dólar estadunidense, em uma semana de variações relevantes. Os investidores seguirão de perto os discursos do presidente do Banco Central do Brasil, que se encontra no Fundo Monetário Internacional, buscando mais sinais sobre o posicionamento da política monetária brasileira nos próximos meses.
Os grãos e o farelo de soja avançaram no último pregão noturno (dia 19), mas o óleo continua recuando.
Os preços do petróleo operam sem direção definida, mas aumentos em alguns contratos futuros exercem pressão ascendente nos preços do etanol e as suas matérias primas, que incluem a soja como uma delas, o que sustentou uma recuperação dos preços em Chicago.
No entanto, o destaque da semana se deu para a maior valorização do dólar estadunidense desde novembro de 2023, o que abriu o espaço para que produtores brasileiros aproveitassem a menor competitividade no mercado local, e avançassem nas vendas para os EUA.
Semana termina com os preços do milho em alta.
Assim como nos preços da soja, o milho igualmente se vê beneficiado pela pressão de alta nos biocombustíveis. Enquanto isso, o mercado segue de perto as estimativas da China e da Argentina, que, respectivamente, esperam, por um lado, um aumento na sua produção, e, por outro, um corte na sua oferta.
Apesar dos resultados mistos, preços do trigo caminham para uma semana de valorização.
O destaque do dia no mercado acionário europeu, foi que a única bolsa em alta foi a russa. O principal motivo é que, os grãos que saem do Mar Negro tem como principal rota o Mar Vermelho, e existe um temor no mercado de que uma escalada nos conflitos no Oriente Médio possa afetar a logística das exportações russas em geral. Especificamente para o mercado do trigo, a preocupação mencionada se traduz em uma alta nos preços, que esperam ter um avanço no balanço dos últimos dias de negociações.
Por sua vez, na atualização do mercado europeu, a França, principal produtora regional de trigo, indicou que 64% dos grãos estavam em condições boas ou excelentes até o 15 de abril, sendo que na mesma época do ano passado, 93% da produção se encontrava nessas condições. Segundo o Ministério da Agricultura francês, a classificação é a mais baixa desde o ano 2020, onde excessos de chuvas tinham igualmente afetado a oferta do país.






