Os principais índices futuros de Wall Street iniciam negativos a quarta-feira (dia 29). O recuo se deve à apreensão dos investidores na prévia de importantes dados que avaliam o desempenho econômico dos Estados Unidos, que devem ser divulgados nos próximos dias. Na agenda de hoje está prevista a publicação do Livro Bege, que apresenta a conjuntura macroeconômica do país, acompanhado de comentários de integrantes do Federal Reserve (FED), que podem indicar os rumos para a condução da política monetária nos próximos meses. Para a semana, ainda se espera os dados do PIB na quinta (dia 30) e o Índice de Preço de Consumo Pessoal (PCE, para a sigla em inglês), na sexta (dia 31).
Na região da Ásia-Pacífico, os índices futuros dos mercados acompanham as tendências de queda em Wall Street, com a atenção dos investidores voltada para os dados estadunidenses. Na Europa, os índices futuros também recuam pelos mesmos motivos.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) também abriu as operações da quarta-feira em queda. No cenário nacional, destaca-se a aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de taxação de 20% para importações de até US$ 50, o projeto tramitava há mais de um ano e agora segue para apuração do Senado. A medida tem intuito de incentivar e aquecer as atividades no mercado interno. Além disso, os agentes do mercado acompanham a divulgação dos dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) no dia de hoje, que deve trazer dados à respeito do mercado de trabalho brasileiro.
Resultados baixistas para o complexo de soja no último pregão noturno (dia 29).
A queda, principalmente para os grãos, se viu influenciada por notícias otimistas com a demanda nos EUA, além uma maior movimentação nas vendas de posições líquidas em fundos desde ontem. As inspeções na exportações aumentaram, na semana que foi até o 23 de maio, para 212 mil toneladas, acima das 192 mil toneladas na semana retrasada.
Sobre os avanços do plantio da soja nos EUA, o Departamento de Agricultura (USDA), informou que 68% da área esperada no país já foi plantada, acima da média dos cinco últimos anos que foi de 63%, gerando uma expectativa positiva para a safra 2024/25 e pressionando também os preços. Acompanhe a Safra nos EUA aqui.
Os resultados negativos para o milho repetem os fundamentos baixistas da soja.
Como se espera uma possível maior área plantada de milho para a safra 24/25, e o USDA indicou que 83% já foram plantados, também acima da média dos cinco últimos anos de 82%, isso acabou puxando os preços para baixo. Além disso, a abundante produção esperada desde a América do Sul também sustenta as perspectivas para uma oferta folgada, apesar das perdas estimadas na Argentina e da seca registada no Brasil.
Baixas registradas no trigo após várias sessões de alta são consideradas um ajuste, mas os preços se mantêm perto do máximo dos dez últimos meses.
Enquanto o mercado ajusta valores nos EUA, na Rússia vão se consolidando as estimativas para a próxima safra. A União Russa de Cereais indicou que 1,5 milhão de hectares foram danificados pelas geadas, mas que esse valor poderá sofrer ajustes e poderia ir até 2 milhões de hectares. Assim, alguns agentes do mercado estão diminuindo para perto das 82 milhões de toneladas a produção da próxima safra, lembrando que, no último relatório de oferta e demanda, o USDA indicou uma produção de 91,50 milhões de toneladas. As últimas estimativas do WASDE-USDA podem ser encontradas aqui.






