Os mercados perdem fôlego no começo desta terça-feira (dia 04) nos EUA, onde os índices futuros das ações apresentam perdas. Se bem nos últimos meses a inflação esteve no foco das atenções, agora a preocupação se encontra na capacidade de recuperação econômica impulsada pelo setor tecnológico, uma vez que a indústria estadunidense vem desacelerando. Outro fator que aumentou o nervosismo entre os investidores, foi que os rendimentos dos Títulos de Tesouro americano de dez anos caíram para seu nível mais baixo nas últimas três semanas. De qualquer forma, essa ansiedade de signos mistos deverá permanecer até sexta-feira (dia 07), para analisar como o mercado de trabalho vem respondendo à conjuntura atual.
Seguindo a tendência pessimista dos EUA, os mercados europeus começaram o dia também com baixas. No entanto, por lá, o ânimo é ligeiramente mais otimista para a semana, pois há grandes expectativas de que o Banco Central Europeu (BCE) realize um corte na taxa de juros na sua reunião desta semana. Pelos resultados de recessão, recessão técnica ou menor crescimento em algumas economias da Zona do Euro, a interpretação que várias autoridades do BCE foram indicando na imprensa, foi de que um estímulo deveria ser dado desde a política monetária. Para hoje, são aguardados dados de inflação na Suíça e de desemprego na Alemanha.
Por sua vez, os mercados na região da Ásia-Pacífico reagem igualmente aos resultados de Wall Street. Dada a alta integração entre as cadeias de valor tecnológicas estadunidenses com as asiáticas, qualquer preocupação com a maior economia do mundo acaba impactando esses setores mais sensíveis nas economias emergentes da região mencionada. O destaque do dia foi para a Índia, onde uma forte queda no índice Nifty 50 mostrou o impacto do andamento das eleições no país. Inicialmente, o partido do atual Primeiro Ministro era indicado como favorito pelos mercados financeiros, e segundo pesquisas prévias estaria liderando nas intenções de voto. Porém, na primeira contagem rápida foi indicado que o resultado não se encaminhava para uma vitória, o que acendeu o alerta. Desta forma, nos próximos dias o mercado continuará seguindo de perto os resultados de uma das economias mais promissoras do mundo.
Finalmente, no Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) também se encontra operando em baixa, repercutindo igualmente as apostas baixistas dos mercados estadunidenses. Em matéria econômica, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o primeiro trimestre de 2024, indicando um crescimento de 0,8%. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2023, o PIB cresceu 2,5%, indicando uma recuperação da economia brasileira.
Resultados diversos para o complexo da soja em Chicago no último pregão noturno (dia 04), com os grãos e o farelo operando sem direção definida, enquanto o óleo apresentou baixa.
Ontem, a StoneX reduziu a produção brasileira de soja 2023/24 para 149 milhões de toneladas. Desta forma, o valor divulgado em junho apresenta uma queda de 1,2%, frente ao número anterior. Essa diminuição foi motivada pelo corte de três milhões de toneladas na safra do Rio Grande do Sul, devido às enchentes que afetaram o estado entre o final de abril e início de maio. Ao mesmo tempo, uma revisão positiva nos estados de Mato Grosso e Goiás, compensou parcialmente as perdas gaúchas. Acesse a Estimativa de Safra de Grãos no Brasil aqui.
Baixas no milho, após fatores baixistas se estenderem.
Chegando perto da mínima das seis últimas semanas, os valores do milho refletem um bom começo da safra nos EUA. Ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), indicou, na sua primeira avaliação para a safra 2024/25, que 75% da safra de milho estava em condições boas ou excelentes, acima dos 70% esperados pelo mercado. Assim, como já tinha sido anunciado ontem, a realização de uma extensão na área plantada continua sendo um dos principais fatores de baixa nos preços do cereal. O acompanhamento da Safra nos EUA pode ser acompanhado aqui.
Quedas no trigo, em movimento considerado como de estabilização.
No seu relatório Semanal de Trigo, a StoneX indicou como as preocupações com a oferta russa continuam liderando as variações nos preços do mercado. Porém, ao mesmo tempo, esse movimento está permitindo uma maior competição entre os outros produtores mundiais da commodity. Desta forma, para os próximos dias, além de seguir as atualizações desde o Mar Negro, a demanda desde outras origens será seguida de perto.






