Em dia seguinte ao feriado, os mercados americanos seguem tendência de valorização. A terça-feira (dia 18) foi marcante pelos novos picos recordes atingidos pelos índices S&P 500 e Nasdaq, em decorrência do avanço da Nvidia, que se tornou a empresa com maior valor de mercado no mundo, acumulando crescimento de 174% desde o início do ano. Por outro lado, os investidores acompanharam a contração das vendas do varejo de maio com certa apreensão, enquanto a produção industrial apresenta leve recuperação. Para hoje, as atenções se voltam aos dados de seguro-desemprego e transações correntes nos EUA.
Os mercados asiáticos operam com os principais índices seguindo em direções mistas na quinta-feira (dia 20). Na China, o Banco Central optou por manter estável a taxa de juros locais, mas sinalizou que podem adotar uma taxa de curto prazo como principal referência de política monetária no país. Na Europa, os índices futuros operam em alta. O dia anterior foi marcado pelas repercussões negativas aos dados de inflação do Reino Unido. A inflação foi calculada em 2,0%, em linha com as expectativas e atingindo a meta do Banco da Inglaterra (BoE). Hoje os mercados repercutem as decisões sobre a política monetária do Reino Unido, Noruega e Suíça. Na Inglaterra, a taxa se manteve no patamar, em 5,5%.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia as atividades da quarta-feira (dia 19) em alta, após reunião do COPOM aprovar, por unanimidade, a manutenção da taxa Selic em 10,50%. Havia uma grande expectativa em torno do placar da votação, com atenção especial para o posicionamento do diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, o mais cotado para assumir o posto de presidente da autarquia quando se encerrar o mandato de Roberto Campos Neto. Um voto mais conservador poderia agradar o mercado, ao mesmo tempo que não deve ser bem recebido pelo presidente Lula, podendo interferir na sua possível indicação.
Após o feriado, grãos e farelo operaram em terreno negativo no último pregão noturno (dia 20), enquanto o óleo se manteve estável, com mínimas altas positivas.
A notícia faz relação à divulgação dos dados alfandegários da China, onde foi visto que, em maio deste ano, o país aumentou as compras da oleaginosa desde os EUA, e diminuiu as importações desde o Brasil. No entanto, apesar desta inversão no quinto mês do ano, as exportações brasileiras com destino chinês mais que duplicaram as estadunidenses no consolidado anual. Entre janeiro e maio de 2024, os embarques do Brasil totalizaram 24,71 milhões de toneladas, enquanto os envios dos EUA foram de 10,85 milhões de toneladas. No caso de Argentina, a China importou até o momento 212 mil toneladas de soja.
Boas perspectivas para a produção de milho pressionam baixa nos preços.
Apesar de uma onda de calor ter sido estendido no Cinturão de Milho, no Meio Oeste, chuvas anunciadas para os próximos dias equilibrariam a umidade do solo. Especialistas agrônomos indicaram que o desenvolvimento das plantas não seria afetado pelo aumento das temperaturas, o que reforçou os fundamentos baixistas de hoje.
Sobre as exportações estadunidenses, foi anunciado que se espera um aumento da demanda desde o México, principal comprador do milho. Com uma produção doméstica abaixo da média, e um aumento na demanda local por ração animal, as importações mexicanas passariam de 21,1 milhões de toneladas no ano comercial anterior, para atingir as 22 milhões de toneladas no ciclo de 2023/24.
Abundância nos EUA e estabilidade na Rússia pressionaram preços para baixo nos mercados do trigo.
Como já tinha sido anunciado pela Secretaria de Agricultura dos EUA (USDA), a safra nos EUA está permitindo uma oferta folgada localmente, que, somado a ajustes que consultoras russas fizeram nos últimos dias, estão gerando uma queda consistente nos preços. Após os cortes realizados para o principal exportador do mundo, agora especialistas locais voltaram a ajustar para cima a expectativa de safra, elevando de 81,5 para 82 milhões de toneladas a produção esperada. Na América do Sul, a Bolsa de Grãos de Buenos Aires também aumentou a sua previsão para o trigo plantado, o que contribuiu igualmente para a baixa nos preços.






