A quarta-feira (dia 18) promete ser agitada para os mercados de divisas mundo afora. Em Wall Street, os principais índices futuros operam no campo positivo, enquanto os investidores aguardam a decisão do Federal Open Market Committee (FOMC), sobre as taxas de juros estadunidense hoje e suas sinalizações para a trajetória de juros no país nos próximos meses. O dólar negociado no mercado interbancário alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações desta quarta-feira, quando era cotado em torno de R$ 5,47 (10h20min). O foco da sessão de hoje recai sobre a decisão de política monetária do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed), agendada para as 15h00min (horário de Brasília). Esta decisão deverá marcar a primeira redução da taxa de juros dos últimos quatro anos. Embora haja consenso entre os investidores de que o início do ciclo de afrouxamento monetário ocorrerá na reunião de hoje, persistem incertezas quanto à magnitude exata do corte, com as apostas oscilando entre 0,25 p.p. e 0,50 p.p. Apesar de indicadores recentes apontarem para uma desaceleração econômica gradual, o que sugeriria um "pouso suave" e justificaria um corte mais modesto de 0,25 pp, as expectativas majoritárias do mercado permanecem alinhadas com um corte de 0,50 p.p. Contudo, mais relevante do que a magnitude do corte, será a divulgação das estimativas econômicas dos membros do Federal Reserve, publicada trimestralmente em conjunto com a decisão. Este relatório inclui projeções sobre indicadores-chave, como o Produto Interno Bruto (PIB), inflação, desemprego e juros para os próximos três anos, sendo fundamental para o ajuste das expectativas dos investidores.
Na região da Ásia e Pacífico, os mercados apresentam resultados sem tendência única no pregão noturno de hoje, enquanto investidores repercutem dados econômicos do Japão. Na Europa, por sua vez, observa-se um desempenho negativo generalizado, à medida que os dados recentes sobre a inflação do Reino Unido são avaliados, antes da decisão da condução das taxas de juros pelo Banco da Inglaterra, ainda esta semana.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia as operações da quarta-feira (dia 18) também no vermelho. os investidores aguardam pela decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), divulgada após o fechamento do mercado, às 18h30min. Diferentemente do que acontece nos Estados Unidos, a maior parte das estimativas aponta para uma retomada da trajetória de aperto monetário, com um aumento de 0,25 p.p. na taxa básica de juros (Selic). Nas últimas três reuniões, o comitê optou por manter a Selic inalterada em 10,50% a.a., após iniciar um ciclo de redução em agosto de 2023, quando a taxa estava em 13,75% a.a. Contudo, nas últimas semanas, a percepção de risco inflacionário entre os investidores se intensificou, impulsionada por receios quanto à condução das políticas econômicas e por dados mais robustos para a atividade econômica e o mercado de trabalho no país. A expectativa de altas para a Selic ao mesmo tempo em que o Federal Reserve deve iniciar um ciclo de cortes de juros amplia a perspectiva de diferencial de juros brasileiro, o que torna os títulos domésticos mais rentáveis e contribui na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real. Para acompanhar a dinâmica dos mercados neste dia, que promete ser agitado, acesso o nosso relatório de Abertura de Câmbio, para uma análise mais detalhada, e os demais relatórios publicados ao longo do dia pela nossa equipe.
A soja encontra novas motivações para seu momento de alta. O pregão noturno foi marcado por altas generalizadas nos contratos futuros da soja e de outros grãos, devido às preocupações que surgem com relação ao clima em importantes regiões produtoras pelo mundo. No Brasil, a seca prolongada tem atrasado o início do plantio da soja, o que deve acarretar problemas logísticos para o escoamento da soja e causar novos atrasos às culturas que serão plantadas na sequência.
Enquanto para a soja o problema é a ausência de chuvas, para o milho, chuvas prematuras podem atrasar a colheita na região do Cinturão do Milho, nos Estados Unidos. No entanto, até o momento, 9% do milho a ser colhida já se encontra nos silos, acima da média para os últimos anos, que é de 6%. Nesse sentido, um breve atraso não deve ser grande problema para o mercado neste momento, vale avaliar se será mesmo breve.
Como observado nos últimos dias, a oferta de trigo na região do Mar Negro voltou ao radar dos investidores. No fim da última semana, um ataque russo a um navio civil de grãos próximo da Romênia trouxe preocupações à capacidade de escoamento dos países da região, em meio aos conflitos na região. Acalmados os ânimos quanto a isso, a preocupação agora se volta ao clima. As temperaturas mais altas e a ausência de chuvas em algumas regiões produtoras da Rússia têm ameaçado o andamento da safra de primavera no país. No entanto, as exportações continuam em ritmo acelerado, pressionando os futuros do cereal.
Por outro lado, o Ministério da Agricultura da França reduziu, mais uma vez, as estimativas de produção de trigo para o país. Novamente, devido às condições climáticas adversas.






