A quinta-feira (dia 19) deve ser marcada pela repercussão das decisões de importantes Bancos Centrais pelo globo, a respeito da condução das suas respectivas taxas de juros. Em Nova York, os principais índices futuros operam em alta na manhã de hoje, recuperando as perdas do fechamento anterior. O mercado de divisas repercute as decisões de juros do banco central dos Estados Unidos, após o Federal Reserve iniciar seu ciclo de cortes de juros com uma redução de 0,50 p.p. Embora houvesse consenso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) diminuiria sua taxa de juros na decisão de hoje, havia dúvida sobre sua a magnitude, com aproximadamente 60% das apostas antecipando um corte de 50 pontos-base contra aproximadamente 40% prevendo um corte de 25 pontos-base. Como esse corte não estava totalmente precificado, a opção de um início mais contundente surpreendeu em parte e provocou imediatamente um expressivo enfraquecimento da moeda americana. Esse movimento inicial foi suavizado após o presidente do Fed, Jerome Powell, adotar um discurso mais cauteloso, afirmando que o banco central estadunidense não está atrasado na condução de sua política monetária nem possui pressa em realizar novos cortes, bem como pela divulgação das projeções econômicas sumarizadas do FOMC, que apontam, em sua mediana, para uma redução de apenas mais 0,50 p.p. nos juros este ano e de mais 1,00 p.p. no ano de 2025, ou seja, 50 pontos-base a menos que o antecipado pelos investidores na véspera da decisão.
No exterior, o ambiente de negócios é de apetite global por riscos após o Federal Reserve (Fed) iniciar seu ciclo de afrouxamento monetário com uma redução de 0,50 p.p. à sua taxa básica de juros. Na região da Ásia e Pacífico, os mercados operam em alta generalizada influenciado por esta decisão. No Japão, o Banco Central deve tomar decisões sobre as taxas de juros do país ainda esta semana. Na Europa, os mercados de divisas também seguem as tendências internacionais e operam com ganhos superiores a 1%. O Banco da Inglaterra optou por manter estável a taxa de juros do país na manhã desta quinta-feira (dia 19).
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abre também em alta. O dólar negociado no mercado interbancário apresentava tendência de queda nas primeiras operações desta quinta-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,42 (10h30min), refletindo a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que, ontem, de forma unânime, optou por iniciar um novo ciclo de aperto monetário no país. O aumento de 0,25 p.p. para a taxa básica de juros (Selic) já era amplamente previsto pelos agentes do mercado financeiro, que aguardavam uma postura mais firme dos dirigentes do órgão no comunicado da decisão. No comunicado, o Copom reiterou seu "firme compromisso com a convergência da inflação à meta", adotando um tom mais forte quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva para lidar com o balanço de riscos assimétrico e com viés de alta. Para uma análise mais detalhada das repercussões sobre as políticas monetárias pelo globo, acesse os nossos relatórios de Fechamento de Câmbio de ontem (dia 18) e Abertura de Câmbio de hoje (dia 19).
Pressionados pela colheita que avança nos Estados Unidos, os futuros da soja começaram caindo no pregão noturno, mas se recuperou nesta quinta-feira (dia 19). No país norte-americano, a seca no estado de Ohio é monitorada pelos investidores. O estado enfrenta níveis de umidade de um dígito, agravados por incêndios nos campos.
No Brasil, o clima segue sendo monitorado de perto, sob a ameaça de atrasar o plantio da soja devido à ausência de chuvas nas principais regiões produtoras do país. O plantio se encontra levemente atrasado em relação ao mesmo período do último ano e a situação pode ser agravada, caso as chuvas demorem ainda mais para cair.
Assim como no mercado da soja, o milho também enfrenta momento de baixa, devido à ampla oferta do grão no mercado internacional por influências da colheita nos Estados Unidos.
Do lado da demanda, as importações de milho pela China ficaram em 16,9 milhões de toneladas no mês de agosto. O patamar representa uma queda próxima de 64%, no comparativo anual.
A quarta-feira (dia 18) foi marcada por uma reavaliação das perspectivas para a safra de trigo russa. As novas atualizações indicaram uma melhora no cenário produtivo do país, o que levou os futuros do trigo a uma queda momentânea no pregão noturno de hoje. A safra do país está calculada agora em 82,9 milhões de toneladas, segundo consultorias locais.
Diante destas perspectivas, a produção global está estimada em 796,9 milhões de toneladas, pelo USDA, superando o recorde produtivo do ano anterior. No entanto, as estimativas apontam para uma queda nos estoques finais mundiais.






