A terça-feira (dia 24), inicia-se com um certo otimismo por parte dos mercados, com os principais índices futuros em Nova York operando todos no campo positivo. A agenda de hoje guarda a divulgação do Índice de confiança do consumidor americano de setembro (CB), às 11h00min e do Índice de atividade manufatureira do Federal Reserve de Richmond de setembro, no mesmo horário.
Na região da Ásia e Pacífico, os principais índices futuros também apresentam resultados positivos, em meio ao anúncio de um pacote abrangente de estímulos pela China, que deve ser maior explorado em breve. Na noite de ontem, o Banco Central da China (PBoC) anunciou um conjunto de medidas monetárias para revigorar a economia do país, com cortes nas taxas referenciais de juros de um e de cinco anos, na taxa de juros para compromissos de recompra (reverse repo) de sete dias e na taxa de depósitos compulsórios, bem como na taxa de juros média para hipotecas. Embora analistas tenham mencionado a ausência de estímulos fiscais, e sua necessidade para recuperar a demanda interna no país, o pacote foi mais vultoso e abrangente que se antecipava e sinaliza a preocupação do governo chinês em sustentar o nível de crescimento após meses de resultados decepcionantes. Dessa forma, a maior expectativa para a expansão do país favorece o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países exportadores de produtos primários, como o real.Entre os mercados europeus a tendência também é positiva, seguindo o movimento otimista que se observa ao redor do mundo.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia as atividades da terça-feira com amplos ganhos, como repercussão da publicação da ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e fala do atual presidente da autarquia, Roberto Campos Neto. Ata firme do Copom contribui para o fortalecimento do real. O documento, que reflete a decisão do Copom na última quarta-feira (dia 18), optou por não sinalizar sobre os próximos passos do Comitê, mas afirmou que há “uma deterioração [n]a composição da inflação” e que o Copom “julgou que o início do ciclo deveria ser gradual de forma a, por um lado, se beneficiar do acompanhamento diligente dos dados, ainda mais em contexto de incertezas, tanto nos cenários externo como doméstico, mas, por outro lado, permitir que os mecanismos de transmissão da política monetária que possibilitarão a convergência da inflação à meta já comecem a atuar”. O posicionamento firme do Banco Central, tanto no comunicado da semana passada como na ata de hoje, consolidou a expectativa de investidores de uma sequência de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que amplia a perspectiva para o diferencial de juros brasileiro, especialmente por ocorrer junto a um ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que favorece a atração de capitais externos e tende a fortalecer o real. Para conferir com mais detalhes os eventos que movimentam o mercado financeiro pelo mundo, acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio.
Os traders observam com cautela a situação atual da soja. As cotações do grão veem uma ampliação dos ganhos no pregão noturno desta terça-feira (dia 24), fazendo com que os preços atinjam seus maiores valores nos últimos dois meses, à medida que os riscos da safra incentivam uma postura de cobertura de posições vendidas por parte dos investidores. Os principais fatores que sustentam os preços são a seca que atrasa o plantio no Brasil e as dúvidas em relação à safra robusta nos Estados Unidos.
Alguns analistas julgam como prematuras as preocupações relacionadas ao clima no Brasil, considerando que o pico da temporada de plantio no Brasil ainda está por vir. Nos EUA, a safra, que está em andamento, deve ser favorável, apesar da ausência de chuvas no final do verão.
Os preços do milho obtêm ganhos curtos nesta sessão, próximos da estabilidade. O milho foi afetado, em partes, pelas medidas de estímulo anunciadas pelo banco central da China. O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) sobre o progresso e condições de safra no país norte-americano manteve inalterados os números para as safras de soja e milho, em relação à última semana. A atualização vai no sentido contrário às expectativas do mercado, que esperavam uma ligeira queda entre os cultivos classificados como bons a excelentes. A colheita do milho no país está 14% concluída, de acordo com o relatório do USDA.
O mercado trigueiro, de modo semelhante ao do milho, opera próximo da estabilidade, mas neste caso, com perdas curtas. Os preços de exportação altamente competitivos vindos da região do Mar Negro exercem pressão sobre os futuros do cereal em outras importantes praças de negociação pelo mundo.
Nos Estados Unidos, a colheita do Trigo de Primavera encontra-se quase concluída. Os agricultores preparam o terreno para os plantios que virão na sequência.






