Nos Estados Unidos, os principais índices futuros se recuperam de algumas perdas acumuladas ao longo da semana. A sessão de hoje deve ser majoritariamente influenciada pela divulgação do relatório de emprego (“payroll”) nos EUA, que apresentou números significativamente acima das expectativas. Segundo o indicador, o mês de setembro registrou a criação líquida de 254 mil novos empregos, superando a estimativa mediana de 140 mil. Além disso, houve uma redução da taxa de desemprego, de 4,2% em agosto para 4,1% em setembro, contrariando as previsões de estabilidade. O indicador era o mais aguardado da semana, sendo o principal termômetro do mercado de trabalho americano. Nos últimos meses, o mercado de trabalho tem sido monitorado de perto, particularmente devido aos temores de uma desaceleração brusca no setor como resultado do prolongado ciclo de aperto monetário dos últimos anos. Esse receio se intensificou em julho, quando o “payroll” veio consideravelmente abaixo das expectativas, alimentando a aversão ao risco e aumentando as especulações sobre uma possível recessão no país. O receio com a situação de emprego contribuiu para acelerar o início do ciclo de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve, que começou em setembro com um corte de 0,50 p.p. Na contramão desses receios, no entanto, o 'payroll' de setembro reforça a visão de uma desaceleração gradual da economia americana, sugerindo um cenário de 'pouso suave'. Isso indica que o risco de recessão no curto prazo é menor, o que sugere que não há urgência em novos cortes de juros pelo Fed, diminui a possibilidade de nova redução mais agressiva, de 0,50 p.p., e, dessa forma, reduz as apostas de investidores para uma queda rápida dos juros americanos. Com isso, a perspectiva de baixa mais lenta para os juros contribui no fortalecimento global do dólar e prejudica a perspectiva de ampliação do diferencial de juros brasileiro, resultando em um enfraquecimento do real. A edição de hoje da Abertura de Mercado se aprofunda ainda mais sobre o assunto.
Entre os mercados asiáticos, a tendência majoritária é altista. Investidores tentam colocar na balança os impactos dos conflitos que seguem aquecidos na região do Oriente Médio e os dados recentes a respeito do mercado de trabalho nos EUA, a fim de calcular os riscos de investimentos neste momento. Na Europa, as bolsas também operam com ganhos, em meio a um rali de ações dos setores de petróleo e gás devido às preocupações com restrições da oferta em consequência das tensões no Oriente Médio.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abre suas cotações futuras em queda, com os mercados repercutindo a divulgação de dados para o mercado de trabalho americano, que deve influenciar as apostas para a trajetória de juros no país.
Os preços futuros da soja têm se recuperado nesta sessão, após recuos nas anteriores. Do lado das exportações, as vendas semanais informadas pelos Estados Unidos superaram as expectativas de alguns agentes do mercado.
Enquanto isso, algumas previsões de chuva para a região central do Brasil têm aliviado parte das preocupações relacionadas ao atraso do plantio da soja no país, o maior produtor mundial do gênero.
O mercado do milho opera em baixa na manhã desta sexta-feira (dia 04). Ao longo da semana, os preços foram sustentados por uma elevação na demanda por etanol, cujo milho é uma das principais matérias-primas utilizadas, em decorrência de um aumento nos preços internacionais do petróleo em meio a uma escalada nos conflitos no Oriente Médio. No entanto, o progresso da colheita de uma ampla safra de milho nos Estados Unidos limitou os ganhos do setor.
Nas sessões anteriores, o trigo foi impactado por altas em decorrência de condições climáticas adversas em algumas regiões produtoras pelo globo, no entanto, as altas não se sustentaram por muito tempo e apresenta perdas no pregão noturno desta sexta-feira (dia 04).
Os cinturões de trigo, que vinham sendo afetados pelo clima seco, têm sido monitorados em meio a algumas previsões de chuva. Além disso, observa-se também o encaminhamento dos conflitos na região do Oriente Médio, que podem afetar o nível de exportações do cereal.






