Nos Estados Unidos, os principais índices futuros recuam, enquanto os investidores aguardam a divulgação da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, para a sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed), referente à reunião do dia 18 de setembro. Nas últimas semanas, as apostas de investidores para a trajetória dos juros americanos flutuaram consideravelmente, em particular após a sequência de dados mais aquecidos para a economia do país, na semana passada. Esta volatidade das expectativas é, em grande medida, resultado da atuação do Federal Reserve, que surpreendeu ao realizar um corte de juros de 50 pontos-base na sua decisão de 18 de setembro e transpareceu, em diversas comunicações, uma preocupação significativamente mais elevada com o enfraquecimento do mercado de trabalho do que com a resiliência inflacionária. Nesse sentido, a ata dessa decisão deve ajudar a esclarecer como foi o debate dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), qual foi o grau de consenso para a redução de 0,50 p.p. e quais foram os argumentos favoráveis e contrários a ela, bem como fornecer pistas sobre quais serão os critérios que podem levar o Comitê a repetir um novo corte mais agressivo. Contudo, seus efeitos podem ser limitados por conta do tempo transcorrido entre a decisão e a publicação do documento, sempre de 21 dias, o que a torna um pouco desatualizada.
Na região da Ásia e Pacífico, as bolsas operam sem direção única. As bolsas chinesas lideram as perdas, com uma frustração das expectativas dos investidores sobre o pacote de políticas fiscais anunciados pelo país na última semana. Os mercados europeus também apresentam uma volatilidade, em resposta ao sentimento de decepção com origem da China.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abriu as atividades da quarta-feira (dia 09) em queda. O principal guia para a sessão de hoje deve ser a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro. Apesar do aumento ligeiramente abaixo da mediana das estimativas, o índice cheio acelerou significativamente com relação ao mês de agosto, indicando alta de 0,44%, frente desaceleração de 0,02% no mês anterior. A maior inflação em setembro foi impulsionada, principalmente, pelo aumento nos custos de energia elétrica, como resultado da adoção da bandeira tarifária vermelha patamar 1 em função da severa seca no país. Com a divulgação de hoje, o índice acumula alta de 3,31% no ano e 4,42% nos últimos 12 meses. Dessa forma, os preços administrados, composto por itens de maior sensibilidade a fatores de oferta e que incluem os custos de energia elétrica, avançaram 1,01% no mês. Em contraposição, o núcleo do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, apresentou desempenho compatível com uma leitura benigna, avançando 0,16% no período, em contraste com 0,21% no mês anterior, ao passo que os itens de serviços avançaram moderadamente em 0,13%. Nesse sentido, entende-se que o avanço do indicador este mês mostrou-se controlado, com componentes de custo avançando e de serviços mantendo-se relativamente estáveis. Apesar dessa interpretação, a reaceleração do indicador acende um alerta para o Banco Central e, portanto, eleva tanto as expectativas inflacionárias como as apostas para um ritmo rápido de aperto monetário pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A perspectiva de juros mais elevados no Brasil torna os títulos domésticos mais rentáveis e contribuem na atração de investimentos estrangeiros, fortalecendo o real. Para saber mais sobre os assuntos que movimentam os mercados financeiros nesta quarta-feira (dia 09), acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os futuros também sobem, com os traders mantêm sua atenção na situação brasileira. O país enfrenta uma seca severa, que tem atrasado o plantio da soja, especialmente na região central. No mesmo período do ano passado o plantio já se encontrava 10% concluído, enquanto neste ano, apenas 5% estão completos. As temperaturas elevadas e chuvas escassas são as responsáveis pelo ritmo mais lento de plantio desse a safra 2015/16.
As cotações do Milho em Chicago apresentam altas nesta manhã. No dia 6 de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento do Brasil(CONAB), informou que o primeiro plantio de milho, para a temporada completa, encontrava-se 26% concluída, pouco atrasada em relação ao mesmo período do ano passado, contabilizado em 27%.
As chuvas que atingiram o estado do Rio Grande do Sul foram benéficas para o desenvolvimento dos cultivos, ao contrário de Minas Gerais, onde os produtores continuam aguardando as chuvas para começar a plantar.
Os preços futuros do trigo obtêm ganhos no pregão noturno desta quarta-feira (dia 09), enquanto agentes que negociam o cereal observam o clima nas planícies do sul dos Estados Unidos e em algumas regiões do Brasil.
Os estados do Kansas, Oklahoma e Texas registraram pouca ou nenhuma chuva na semana passada, o que pode atrasar o plantio da safra de inverno, sob o risco de prejudicar a germinação.






