Nos mercados estadunidenses, os principais índices futuros operam em baixa na manhã desta sexta-feira (dia 11), com o início da temporada de balanços trimestrais das grandes empresas. Investidores repercutem a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos referente a setembro, que ficou abaixo das expectativas do mercado. O índice geral permaneceu estável, com variação mensal de 0,0%, frente a uma estimativa mediana de aumento de 0,1%. Já o núcleo do índice, que exclui componentes voláteis como energia e alimentos, registrou alta de 0,2%, em linha com as projeções. Esse resultado mais brando do PPI ocorre após a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) na véspera, que surpreendeu ao revelar uma alta maior que o esperado para a inflação em setembro. Na sessão de ontem, o CPI impactou a percepção de risco dos investidores, ao elevar a incerteza sobre a desaceleração inflacionária nos EUA, reduzindo as apostas em um ciclo mais rápido de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). Por sua vez, apesar de o PPI não ter o mesmo peso do CPI nas decisões de política monetária, ele influencia as expectativas de estabilização da inflação de forma indireta. Como mede os preços ao produtor, o PPI é considerado um indicativo relevante da inflação futura, uma vez que os aumentos nos custos de produção podem ser repassados aos consumidores. Além disso, o PPI, embora seja mais representativo para os bens industriais, também contempla alguns setores de serviços, fornecendo uma visão abrangente do cenário inflacionário antes da divulgação do Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE) no final do mês. Nesse contexto, o PPI contraria o movimento do CPI ao reduzir os receios de uma inflação prolongada, o que contribui para a expectativa de que as taxas de juros não se manterão elevadas por um período prolongado, reforçando o cenário de convergência da inflação com a meta do Fed.
Na região da Ásia e Pacífico, os principais índices operam sem direção única, com os investidores operando com um sentimento cauteloso, após a decepção quanto ao pacote de investimentos anunciado pelo governo chinês. Entre os mercados europeus, por sua vez, a tendência é altista. Os investidores acompanham atentos os anúncios referentes ao plano de estímulos anunciado pelo governo chinês. Após as autoridades chinesas frustrarem as expectativas de investidores na terça-feira (08) ao não mencionarem a previsão ou a necessidade de medidas de impulso fiscal no encerramento da conferência da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional, na quarta (09) o ministro das Finanças convocou uma coletiva de imprensa para este sábado (12), elevando as esperanças de que será anunciado um novo pacote de medidas de estímulo econômico. Na ausência de detalhes sobre o que pode ser comunicado amanhã, investidores se mantêm em compasso de espera, e a reação à coletiva de imprensa deve ser observada na próxima segunda-feira (14). Para acompanhar mais detalhes sobre o tema, acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) abre o dia, novamente, em baixa. Os investidores estão atentos às movimentações nos mercados internacionais, repercutindo especialmente os dados sobre a inflação dos Estados Unidos, divulgados nos últimos dias.
Nos Estados Unidos, a safra recorde esperada para a soja pesou sobre os futuros da oleaginosa. O cenário deve ser confirmado ou refeito a depender das perspectivas fornecidas pelo relatório mensal World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês).
Na conjuntura semanal, espera-se um recuo de aproximadamente 2%, com perdas pela segunda semana consecutiva, devido, principalmente, às perspectivas de safra recorde para este ciclo.
No mercado do milho, de modo semelhante ao da soja, as perspectivas de ampla safra para os Estados Unidos têm pesado sobre as cotações na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês).
Apesar dos ganhos na presente sessão, o milho deve encerrar a semana em baixa. Sua primeira queda nas últimas três semanas.
O trigo segue com ganhos firmes por mais uma sessão, seguindo para a terceira semana consecutiva de ganhos. As preocupações com a oferta mundial são a principal causa das altas recentes, considerando que as condições climáticas adversas têm ameaçado os cultivos em algumas importantes regiões exportadoras pelo mundo.
As altas temperaturas e a ausência de chuvas têm reduzido os índices de produtividade em alguns países. A situação deve permanecer sob o radar dos investidores, especialmente na região do Mar Negro.






