Nos Estados Unidos, os índices futuros operam sem direção única na manhã desta quinta-feira, 24 de outubro. Os investidores aguardam novos dados para avaliarem sua aptidão ao risco. A semana foi leve em indicadores econômicos tanto para os EUA como para o Brasil, porém estendeu sua tendência de fortalecimento global da moeda americana por conta do avanço consistente dos rendimentos dos títulos do tesouro americano (Treasuries), impulsionado, por sua vez, pela diminuição das apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). Dados econômicos mais aquecidos que o antecipado para a economia estadunidense e uma antecipação de possíveis efeitos de uma vitória de Donald Trump na eleição presidencial de 05 de novembro, cujas propostas de elevação das taxas de importação provavelmente teria repercussão inflacionária, levam investidores a apostar que o Fed terá menos espaço para realizar cortes de juros, resultando em uma desaceleração menor na rentabilidade dos títulos denominados em dólar do que o antecipado, favorecendo assim o fortalecimento da moeda americana. Nesse sentido, a divulgação das prévias dos Índices Gerentes de Compra (PMIs) de outubro para os EUA e dos pedidos semanais de auxílio-desemprego no país podem ajudar os agentes do mercado financeiro a calibrarem suas expectativas para os juros americanos e influenciar no valor da divisa globalmente.
Na região da Ásia e Pacífico as bolsas operam em baixa, influenciadas pelo alto rendimento dos títulos nos Estados Unidos. Na Europa, os índices futuros avançam, em meio a resultados corporativos trimestrais positivos.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia a quinta-feira em alta. O principal guia para a sessão de hoje deve ser a divulgação do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, que se acelerou de 0,13% em setembro para 0,54% em outubro, pouco acima da mediana das projeções de 0,50%. No acumulado em 12 meses, o índice passou de alta de 4,12% em setembro para 4,47% em outubro, encostando no limite de tolerância da meta de inflação do Banco Central, de 4,50%. O aumento de outubro foi resultado da aceleração dos preços de Alimentação e Bebidas (0,87%) e dos custos de energia elétrica (5,29%), por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 1 na segunda metade de setembro e vermelha patamar 2 na primeira metade de outubro. Por outro lado, o núcleo de preços do indicador, que exclui os voláteis componentes de alimentação e energia, e os preços de serviços cresceram a um ritmo bem mais moderado no mês , em 0,22% e 0,24%, respectivamente. Embora o dado aumente os receios de que a estabilização de preços no país esteja se enfraquecendo (o Banco Central projetou em setembro um risco de 36% do IPCA ultrapassar o limite máximo este ano) e reforce a interpretação de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deva endurecer seu ritmo de altas para a taxa básica de juros (Selic), o que poderia atrair mais capitais externos e beneficiar o real, é provável que essa tendência seja anulada pela piora das expectativas inflacionárias e da percepção de riscos para ativos brasileiros. Ontem, por exemplo, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a demonstrar preocupação pela desancoragem das expectativas de inflação e pelo aumento do prêmio de risco no país. Segundo Campos Neto, o desempenho dos últimos indicadores de inflação tem sido relativamente melhor que o esperado, contudo, observa-se uma piora no “resto das variáveis que apontam para o futuro”, ao citar leituras de inflação implícita, curva longa de juros, projeção de inflação e balanço de riscos para a evolução dos preços. Diante do cenário mais desafiador, particularmente para a taxa de câmbio e para os contratos de juros futuros, investidores devem adotar uma postura mais cautelosa frente a ativos brasileiros, o que pode prejudicar a atração de divisas estrangeiras e enfraquecer o real. Para acompanhar mais de perto sobre o tema, acesse a Abertura de Câmbio.
O mercado da soja amplia os seus ganhos na manhã desta quinta-feira, 24 de outubro, em meio a uma onda de exportações nos Estados Unidos, reaquecendo os ânimos dos traders da soja.
A retomada na demanda por exportações estadunidenses alivia as pressões causadas pela oferta, com altos estoques que vêm se formando devido ao avanço rápido da colheita, que deve se consolidar como uma das maiores do país na série histórica.
Da mesma forma que no mercado da soja, o milho vem sendo impulsionado pela elevada demanda por exportações estadunidenses. A demanda surge principalmente da China, que havia reduzido suas importações nos últimos meses, mas que vem demonstrando um movimento contrário nesta semana.
Outro fator que contribuiu para os ganhos da soja foram algumas pesquisas eleitorais recentes, que indicaram uma vantagem da candidata democrata Kamala Harris sobre o seu oponente republicano, Donald Trump. Um resultado das eleições presenciais estadunidenses que mantenha o partido democrata no poder tende a favorecer as exportações de grãos, por distanciar o país de possíveis conflitos com a China, o principal demandante das produções agrícolas estadunidenses.
No mercado do trigo, ao contrário dos demais citados anteriormente, opera com perdas no pregão noturno desta quinta-feira, 24 de outubro. O cereal chegou a receber algum suporte dos outros grãos, no entanto as previsões de chuvas para as Grandes Planícies produtoras dos Estados Unidos e os cinturões do trigo na Rússia reduziram os temores de que uma seca pudesse prejudicar os rendimentos dos plantios nesse ciclo.






