Em Nova York, os principais índices futuros saltam mais de 2% na manhã agitada desta quarta-feira, 06 de novembro, com a vitória de Donal Trump para a presidência dos Estados Unidos. A sessão de hoje deve ser de alta volatilidade para ativos globais, refletindo a vitória expressiva de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Além da presidência, o Partido Republicano deve retomar a maioria no Senado e ampliar sua maioria na Câmara dos Representantes. Com o início das apurações na madrugada, o dólar, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) e os futuros das bolsas em Nova Iorque iniciaram uma forte trajetória de alta, reagindo particularmente às promessas feitas pelo presidente durante a campanha de cortes de impostos e imposição de tarifas mais severas sobre importações. O Dollar Index (DXY), indicador que mede a força global do dólar frente a seus principais pares, registrava na manhã de hoje seu maior avanço diário (1,8%) desde junho de 2016. Diante da força global do dólar e do reflexo do chamado “Trump trade”, ativos de países exportadores devem ser mais penalizados ao longo da sessão, o que deve pesar particularmente para moedas de países emergentes, como o real, e as commodities.
Entre os mercados asiáticos, a tendência é mista, refletindo as incertezas em relação ao comércio e a geopolítica global, diante da eleição do republicano Donald Trump para reassumir o cargo de presidente dos Estados Unidos. Na Europa, os índices futuros avançam, acompanhando o movimento otimista observado em Wall Street.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia suas operações da quarta-feira, 06 de novembro, com amplos quedas. No país, investidores devem reagir ao avanço global do dólar enquanto aguardam a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom), após o fechamento do mercado, e a expectativa pelo anúncio de medidas de redução de despesas federais, que podem amenizar o pessimismo sobre o desempenho do real. Diante de uma percepção de riscos fiscais crescentes para ativos brasileiros, o Copom deve elevar a taxa Selic pela segunda vez consecutiva, com expectativa de alta de 0,50 p.p., de 10,75% para 11,25% a.a. Em sua última decisão, o Copom reforçou seu “compromisso com a convergência da inflação à meta,” indicando a necessidade de uma política monetária mais restritiva. Além disso, deve permanecer o otimismo pelo anúncio das medidas de redução de despesas pelo governo federal. Nas últimas duas sessões, o real avançou frente o dólar como reflexo do cancelamento da viagem ao exterior do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a pedido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e duas reuniões entre ambos para discussão dessas medidas. Segundo Haddad, “as coisas estão muito adiantadas,” o que mantém alta a expectativa de anúncio em breve. A postura firme do Banco Central e as novas medidas fiscais contribuem para atrair investimentos estrangeiros e fortalecem o real. Para acompanhar de perto as notícias que afetam o mercado, acesse o nosso relatório de Abertura de Câmbio.
As cotações da soja no mercado estadunidense caem, com a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais do país.
O retorno de Trump à Casa Branca deve ser acompanhado de um dólar fortalecido e perspectivas de novas barreiras comerciais contra a China, fatores que não são vistos com bons olhos pelo setor agroexportador do país, tendo em vista que as exportações podem ser dificultadas com as novas medidas. A China é o principal parceiro comercial dos Estados Unidos no mercado da soja, tornando o país americano particularmente dependente dessas transações.
Neste momento, o recuo nos preços futuros do milho também se deve ao resultado do pleito eleitoral nos Estados Unidos. Antes mesmo dos resultados oficiais, as projeções já indicavam a vitória do republicano, o que levou a uma corrida para a compra de dólares, elevando seu valor frente às outras moedas para uma alta de quatro meses.
Um dólar mais forte eleva o preço dos grãos no mercado global, tornando-os menos competitivos. Este fator pode atrapalhar o comércio internacional agrícola dos EUA. Por outro lado, o México se coloca como o principal comprador do milho estadunidense, e uma estremecida na relação entre os dois países pode surtir efeitos negativos sobre a comercialização do grão.
Os riscos do resultado eleitoral para o trigo são menores do que para a soja, por exemplo, no entanto o cereal ainda deve sentir os efeitos de um dólar mais forte.
Inicialmente, o mercado deve tentar negociar os trâmites para o comércio, mas a alta demanda por trigo e grãos para a produção de ração deve ser o principal fator de sustentação nos preços futuros do cereal.






