A abertura dos mercados na manhã desta terça-feira, 12 de novembro, é marcada por quedas generalizadas nos índices futuros que operam nos principais centros financeiros globais. Após fechamento com altas na segunda-feira, 11 de novembro, os principais índices com atividade em Wall Street recuam nesta manhã. O dólar negociado no mercado interbancário alternava entre perdas e ganhos nas primeiras operações desta terça-feira, quando era cotado ao redor de R$ 5,76 (10h00min), em oposição ao movimento externo de fortalecimento amplo da moeda americana. Investidores estendem a tendência de ajuste de posições de suas carteiras buscando se antecipar a possíveis efeitos de medidas do novo governo Trump. Por exemplo, a elevação de tarifas de importação e a restrição à entrada de imigrantes podem apresentar impactos inflacionários ao elevar os custos de produtos importados e ao restringir a oferta de mão de obra em um mercado de trabalho aquecido e com baixo desemprego. Adicionalmente, a redução de impostos corporativos pode melhorar a lucratividade de empresas americanas e estimular o investimento e o crescimento do país, ao mesmo tempo em que deve ampliar o já elevado déficit fiscal do país. A possibilidade de pressões inflacionárias e a aceleração do endividamento público reduzem as apostas de investidores para cortes de juros pelo Federal Reserve, o que impulsiona os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e beneficia o desempenho do dólar. Da mesma maneira, a perspectiva de maior rentabilidade para as empresas do país favorece a atração de capitais externos para as bolsas de valores do país, também contribuindo para o fortalecimento global do dólar.
Nos mercados asiáticos, os principais índices futuros operam todos no campo negativo. O dia é marcado por uma postura cautelosa dos investidores, atentos às atualizações do mercado diante da eleição presidencial nos EUA. Na Europa, as bolsas também recuam, observando as tendências para o novo governo estadunidense.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) também inicia o dia em queda, com o debate em torno do ajuste ficar e a variação cambial em foco. Por fim, vale ressaltar que o Comitê de Política Monetária alertou na ata da sua decisão de quarta-feira passada (06) que uma piora adicional das expectativas inflacionárias “pode levar a um prolongamento do ciclo de aperto de política monetária”. O Copom também destaca que o cenário de curto prazo para a inflação se mostra mais desafiador e que “tem se observado uma interrupção no processo desinflacionário”. Por fim, o Comitê enfatizou que uma política fiscal “crível”, com regras “previsíveis e transparências em seus resultados” e que estabilize a dívida pública “são importantes elementos para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de riscos dos ativos financeiros”. A perspectiva de um ciclo de altas mais firmes para a taxa básica de juros (Selic), em tese, favorece a rentabilidade de títulos denominados em real e favorece o fortalecimento do real. Contudo, essa pressão de baixa pode ser anulada pelo fortalecimento externo da moeda americana e pela indefinição quanto ao ajuste fiscal do governo. Para acompanhar mais detalhes sobre o debate, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja tiveram algumas quedas após uma desaceleração na performance do óleo de soja. Em sessões anteriores, os preços da soja foram beneficiados por uma redução nas previsões de produção dos EUA, indicada na última edição do relatório WASDE, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), publicada na última sexta-feira, 08 de novembro.
Em partes, o mercado ainda repercute a atualização dos dados do relatório de oferta e demanda, tendo em vista que a safra 2024/25 de soja, que seria a maior já registrada na série histórica, agora, deve ser a segunda maior.
O milho, assim como a soja, ainda ressoa os efeitos da indicação de uma redução nas estimativas para a colheita do grão na safra 2024/25 nos Estados Unidos. Nesse sentido, são observados ganhos para o mercado na manhã desta terça-feira, 12 de novembro.
Apesar da redução nas previsões, a colheita de milho ainda deve ser uma das maiores já registradas no país, conforme vem sendo confirmado pela colheita do grão no país. Até o momento, 91% da safra de milho já se encontra colhida, um avanço de 10% em relação à semana passada e acima também da média para os anos anteriores, calculada em 75%.
Os preços futuros do trigo recuam na manhã desta terça-feira, 12 de novembro, na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). A causa por trás dessa movimentação está relacionada ao desempenho do dólar frente às outras principais moedas pelo mundo, tornando o produto estadunidense menos competitivo no mercado internacional.
Além do fator cambial, novas previsões de chuva para as planícies secas dos Estados Unidos melhoram as perspectivas de produção do cereal para o país.






