Nos Estados Unidos, os principais índices futuros operam sem direção única na manhã desta sexta-feira, 22 de novembro, com os investidores atentos aos novos dados econômicos do país, especialmente o índice de gerente de compras (PMI, para a sigla em inglês). No cenário externo, o dólar mantém sua trajetória de valorização frente às principais moedas globais, com o índice Dollar Index (DXY), que mede a força relativa do dólar frente a seus principais pares, atingindo na manhã de hoje o maior valor registrado desde novembro de 2022. Mais cedo, o movimento de alta no índice foi impulsionado pela divulgação de resultados abaixo do esperado para as prévias dos Índices Gerentes de Compras (PMI) da zona do euro, que reforçaram a percepção de que o Banco Central Europeu (BCE) deverá acelerar seu ciclo de cortes nas taxas de juros. Essa perspectiva, ao enfraquecer o euro globalmente, contribui para a valorização do dólar. Adicionalmente, investidores seguem em sentimento de maior aversão ao risco como reflexo da escalada no conflito geopolítico na Ucrânia. Os desenvolvimentos recentes na região têm intensificado as preocupações com a segurança global, o que também contribui para a busca de ativos considerados mais seguros, como o dólar. Ao longo do dia, por fim, as prévias dos PMIs dos Estados Unidos serão observadas pelos agentes de mercado, buscando calibrar expectativas em relação à trajetória futura dos juros no país.
Entre os mercados asiáticos, a tendência é majoritariamente altista, apesar das preocupações com a perspectiva econômica da região. Na Europa, as bolsas operam com altas generalizadas, mas atentos às novas atualizações no conflito entre Rússia e Ucrânia.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa inicia as operações em alta na manhã desta sexta-feira, 22 de novembro. A questão fiscal deve continuar sendo o principal fator de influência para o movimento do câmbio, com destaque para a divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias referente ao quinto bimestre, que deverá complementar as declarações feitas na véspera pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que se antecipou à publicação oficial do relatório ao anunciar que a equipe econômica aumentará o bloqueio no Orçamento em cerca de R$ 5 bilhões. A medida é necessária para assegurar o cumprimento do limite de despesas definido pelo arcabouço fiscal, sendo usualmente direcionada a despesas não obrigatórias, quando os gastos obrigatórios ultrapassam o teto estipulado – correspondente a 70% do crescimento da receita acima da inflação. Até agora, já foram bloqueados R$ 13 bilhões do orçamento, e com o novo ajuste, esse montante alcançará cerca R$ 18 bilhões. Embora o anúncio indique a necessidade de ajustes por parte do governo federal em resposta a um cenário de maior rigidez fiscal, o tamanho do bloqueio deve ser percebido pelos investidores como menos severo do que o esperado. De um lado, isso pode ser interpretado de forma positiva, uma vez que demonstra a confiança do governo com o cumprimento da meta fiscal, conforme enfatizado pelo ministro Haddad em sua declaração recente, na qual afirmou estar "praticamente convencido de que temos condições de cumprir a meta estabelecida na LDO do ano passado". Por outro lado, o caráter moderado do bloqueio pode sugerir uma menor urgência em implementar cortes mais expressivos nas despesas, indicando que o governo tem priorizado ajustes pelo lado das receitas. Tal postura pode gerar apreensão entre os investidores, que veem as despesas como instrumentos mais diretamente controláveis pelo governo em comparação às receitas. Ainda em sua declaração de ontem, ao comentar o aguardado pacote de cortes de gastos do governo federal, esperado há mais de quatro semanas, Haddad informou que o anúncio oficial deverá ocorrer na próxima segunda ou terça-feira, após reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Para acompanhar o tema com mais detalhes, acesse a Abertura de Câmbio.
Apesar do momento de alta nos futuros da soja negociados na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT, para a sigla em inglês), a semana deve ser de queda para o grão, sob influência das perspectivas de aumento na oferta global. O clima no Brasil tem sido favorável ao desenvolvimento das plantas, com chuvas sendo previstas para algumas regiões do país nos próximos dias.
O plantio da soja na Argentina avança um pouco mais nessa semana, segundo dados da Bolsa de Cereales de Buenos Aires, atingindo 18,6 milhões de hectares plantadas, cerca de 35,8% do que se espera no total.
Os futuros do milho também obtêm alguns ganhos na manhã desta sexta-feira, 22 de novembro. Os dados de exportações semanais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, para a sigla em inglês) informaram um crescimento de 14% em relação à semana anterior, com México, Japão e Colômbia se destacando entre os maiores compradores.
Verifica-se, em geral, uma alta demanda por grãos dos Estados Unidos, mesmo diante de um dólar fortalecido, o que vem sustentando os preços desses produtos no mercado futuro.
Até o momento, os futuros do trigo já se valorizaram mais de 6% nessa semana, em decorrência da escalada nos conflitos entre Rússia e Ucrânia. O ritmo de alta semanal deve se estender pela sexta-feira, 22 de novembro, depois que a Rússia fez o uso de um míssil supersônico contra uma cidade ucraniana.
Os ataques recentes levantam preocupações de que possa haver interrupções na exportação de grãos na região. Os temores vêm, principalmente, do mercado trigueiro, devido ao papel que a região desempenha no abastecimento da demanda mundial por trigo.






