Nos Estados Unidos, os índices futuros operam em direções distintas, mas próximos da estabilidade, na manhã desta sexta-feira, 06 de dezembro. O principal indicador da sessão deve ser o relatório de emprego ("payroll") nos EUA, primeiro indicador econômico importante relativo a novembro. A expectativa é de um resultado mais robusto em relação ao mês anterior, com aceleração significativa na criação de novas vagas. Em outubro, os números foram impactados negativamente pelos furacões Milton e Helene, além das licenças coletivas não remuneradas ("furlough") de funcionários da Boeing, decorrentes de negociações sindicais. Para novembro, as principais estimativas do mercado apontam para a criação líquida de aproximadamente 200 mil novas vagas, um avanço expressivo frente às apenas 12 mil registradas em outubro. É importante destacar, entretanto, que a taxa de resposta das empresas à pesquisa de outubro foi excepcionalmente baixa (47,4%), atingindo o menor patamar desde janeiro de 1991 (42,6%). Esse fator deve resultar em revisões nos números para esse mês. Apesar da expectativa de melhora na geração de empregos e do desempenho mais forte em relação ao mês passado, projeta-se também um leve aumento na taxa de desemprego, que deve passar de 4,1% para 4,2%. Se confirmadas, essas leituras devem reforçar a ideia de que o mercado de trabalho no país segue um processo gradual de desaceleração, mas que deve seguir sendo monitorado pelo Federal Reserve em seu esforço de atingir um patamar de neutralidade inflacionária. Os números de novembro devem ser especialmente observados pelo órgão tendo em vista o recente ruído com relação aos indicadores de emprego, podendo assumir relevância destacada na próxima decisão de juros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) no dia 18/12.
Entre os mercados asiáticos, as bolsas também operam de forma mista, ainda com a instabilidade política na Coreia do Sul recebendo grandes atenções por parte dos investidores. Na Europa, os mercados também operam em diferentes direções, neste caso com os acontecimentos políticos na França em foco.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) opera com perdas nessa manhã. Internamente, os investidores devem continuar atentos às movimentações relacionadas ao pacote fiscal anunciado pela equipe econômica do governo federal no final do mês passado. Após a aprovação do regime de urgência para duas propostas do pacote ontem, a Câmara dos Deputados deve agora definir os responsáveis pela relatoria dos textos. Embora ainda não haja uma decisão oficial, espera-se que essa definição ocorra ao longo da próxima semana, em meio a esforços para que as propostas sejam votadas o mais rápido possível. Apesar dos avanços no Congresso visando acelerar o processo, persiste uma percepção de risco quanto à aceitação mais ampla das medidas entre os parlamentares. Para a aprovação do regime de urgência, eram necessários ao menos 257 votos, e o requerimento foi aprovado por uma margem apertada de 260 votos a favor e 98 contrários. Além disso, o calendário apertado limita o tempo hábil para que as medidas avancem significativamente ainda este ano, considerando o início do recesso parlamentar em 23 de dezembro e seu término apenas em fevereiro do próximo ano. Para acompanhar mais detalhes sobre o tema, acompanhe a Abertura de Câmbio.
Novos dados indicam uma redução nas exportações brasileiras de soja no mês de novembro, com isso a soja recua em certa parte nos ganhos que vinha acumulando semanalmente. No acumulado, o recuo das exportações em novembro de 2024 foi de 50% em relação aos números registrados no mesmo mês do ano anterior.
O milho, por sua vez, apresenta ganhos pela segunda sessão e deve registrar valorização nos preços pela terceira semana consecutiva.
Assim como a soja, as exportações de milho também recuaram no mês de novembro. O número divulgado na última quinta-feira, 05 de novembro, é 36% menor em relação ao registrado no ano anterior.
No mercado do trigo, os preços futuros são apoiados pelas perspectivas de uma safra de trigo de inverno mais fraca na Rússia neste ciclo, o que deve reduzir a oferta mundial de trigo, tendo em vista a participação da Rússia nas exportações globais do cereal.
Nesse cenário, o trigo já acumula seis semanas consecutivas em alta, na manhã desta sexta-feira, 06 de dezembro, com tudo se encaminhando para que o cereal registre ganhos semanais nas cotações em Chicago.






