Nos Estados Unidos, os principais índices com operação em Wall Street iniciaram o dia sem direção única. O foco da sessão, mais uma vez, recai sobre novas divulgações de dados econômicos dos Estados Unidos, após dois dias de desvalorização global da moeda americana, influenciada por dados mais brandos dos índices de inflação ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI) em dezembro. Hoje, os investidores direcionarão maior atenção aos dados de vendas no varejo desse mês, que devem fornecer indícios sobre a atividade econômica e a demanda doméstica. A mediana das expectativas aponta para um avanço de 0,6%, após um crescimento de 0,7% em novembro. Outro dado relevante será a divulgação dos pedidos semanais de auxílio-desemprego, que podem influenciar a percepção do mercado em relação à situação do mercado de trabalho no país. Na semana passada, os pedidos iniciais surpreenderam positivamente, totalizando 201 mil, abaixo da estimativa mediana de 211 mil. Para esta semana, projeta-se um leve aumento, com expectativa mediana de 210 mil novos pedidos. Especialmente caso os indicadores de hoje sinalizem desaceleração branda, é possível que seja reforçada a leitura de que a economia dos Estados Unidos caminha para um "pouso suave", caracterizado por uma redução gradual da atividade, preservação de níveis saudáveis de emprego e potencial alívio nas pressões inflacionárias. Nesse cenário, esses dados, aliados aos índices de inflação já divulgados nesta semana, podem fortalecer a expectativa de que o Federal Reserve terá maior flexibilidade para implementar cortes nas taxas de juros. Tal perspectiva tende a reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a enfraquecer o dólar globalmente.
Entre os mercados asiáticos, a tendência é majoritariamente altista, após dados sobre a inflação dos Estados Unidos terem vindo abaixo do que era esperado pelos analistas. Na Europa, as bolsas também obtêm ganhos à medida que os investidores também repercutem os dados econômicos sobre os EUA.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com baixas, investidores reagindo ao IBC-Br, considerado uma “prévia do PIB”, que cresceu 0,10% em novembro, ligeiramente acima da estimativa mediana de 0% (estabilidade). Embora o índice acumule alta de 3,6% em 12 meses, há indícios de desaceleração do ritmo de atividade econômica no último trimestre do ano, com números piores que o antecipado para serviços, varejo e indústria. Caso essa tendência se confirme, ela pode ajudar a reduzir preocupações de que uma demanda excessivamente aquecida pressionará os índices de inflação em 2025, melhorando a percepção de riscos de ativos brasileiros e, por sua vez, contribuindo na atração de investimentos estrangeiros. Você pode acompanhar mais detalhes sobre os assuntos que movimentam os mercados acessando a Abertura de Câmbio.
Os futuros da soja declinaram fortemente nesta sessão, com o mercado se adaptando às expectativas de uma safra recorde para o Brasil. O Brasil é o maior produtor e deve se firmar também como o maior exportador mundial de soja para este ciclo produtivo.
O óleo de soja cessou sua sequência de ganhos, conforme aborda o Boletim Diário de Óleos Vegetais na edição de hoje, deixando de ser um fator de sustentação aos preços da soja, contribuído para as perdas observadas em parte desta manhã.
O milho acumulou alguns ganhos na manhã desta quinta-feira, 16 de janeiro, mas em seguida passou a operar no vermelho. Ainda assim, o grão já atinge os maiores preços dos últimos 13 meses, por influência do clima seco que atinge a Argentina nas últimas semanas, prejudicando a produtividade dos cultivos no país.
As condições climáticas na Argentina foram a principal motivação para o ajuste nas expectativas feito pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na última sexta-feira, 10 de janeiro. O mercado tem reagido desta maneira por se tratar do terceiro maior exportador de milho do mundo, ameaçando, portanto, a disponibilidade do grão internacionalmente.
O trigo acumula mais perdas nesta manhã, a medida que o mercado se mantém enfraquecido, sem notícias de novas compras do cereal no mercado internacional.






