Os mercados financeiros mundiais operam com perdas de forma generalizada na manhã desta segunda-feira, 03 de fevereiro, inaugurando as operações no mês de fevereiro. Nos Estados Unidos, os mercados recuam, com grandes perdas, em linha com o movimento externo de fortalecimento do dólar e de aversão a riscos após o presidente dos EUA, Donald Trump, decretar no sábado (01) a imposição de sobretaxas de importação sobre China, Canadá e México a partir da meia noite desta terça-feira (02h00min no horário de Brasília). Com isto, uma tarifa adicional de 25% será cobrada de produtos mexicanos e canadenses (com exceção de itens de energia do Canadá, apenas, cuja tarifa será de 10%) e de 10% sobre todos os produtos chineses. Trump declarou “estado de emergência econômica nacional” para dar amparo legal à medida. O presidente americano afirmou que a medida busca forçar seus parceiros comerciais a atuarem de maneira mais firme contra a imigração ilegal e contra o contrabando do opioide fentanil e de suas matérias primas para os EUA. Como resultado, há elevada incerteza entre investidores, que interpretam que as tarifas provavelmente permanecerão em vigor por um tempo prolongado, que esses países devem retaliar aos Estados Unidos e que Trump deve aplicar novas barreiras comerciais sobre outras nações em breve. Adicionalmente, há dúvidas sobre a possibilidade de uma atenuação das tensões entre os países, visto que as medidas americanas não possuem critérios claros para uma saída diplomática e que o tom adotado por Trump tem sido bastante rígido. Como resultado, investidores antecipam que os impostos de importação possam impulsionar a inflação nos EUA no curto prazo e, simultaneamente, restringir o crescimento econômico global, enquanto a incerteza mais elevada incentiva um movimento de aversão ao risco e busca por ativos de segurança, todos fatores que favorecem o desempenho global do dólar frente às outras moedas.
Entre os mercados asiáticos, os futuros também recuam, seguindo o movimento observado em Wall Street, assim como entre as bolsas europeias. No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com perdas, seguindo a tendência dos mercados internacionais. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados nesta segunda-feira, 03 de fevereiro, acessa a Abertura de Câmbio.
O mercado da soja opera em alta na manhã desta segunda-feira, 03 de fevereiro, sendo cotado em US$1000,5 cents/bushel por volta das 10h, enquanto os investidores assimilam os impactos do anúncio das tarifas comerciais sobre as importações com origem do México, Canadá e China, pelos Estados Unidos, preocupados com a demanda por grãos do país. Este assunto ainda repercutirá nas próximas semanas, à medida que os agentes tenham um vislumbre mais claro das transformações na dinâmica do mercado.
Por outro lado, período atual dispõe de maior oferta do produto no mercado, devido à colheita no hemisfério sul. As forças baixistas ainda são intensificadas pelas perspectivas de colheita de uma safra recorde no Brasil.
No mercado do milho também se observa certa instabilidade em decorrência das novas medidas tarifárias adotadas pelo governo de Donald Trump, com os futuros do grão acumulando grandes perdas nesta sessão. A imposição de tarifas às importações com origem de países como o Canadá, México e China, já tiveram uma resposta quase que imediata do governo do Canadá, que revidou com a uma tarifa de 25% sobre as importações com origem dos EUA, mas ainda se espera que haja respostas por parte dos demais afetados, o que deve permanecer sob o radar dos mercados dentro dos próximos dias.
No mercado do trigo, a mesma apreensão observada também para os mercados anteriormente citados. Os traders temem que as novas tarifas impostas aos parceiros comerciais dos EUA possam interferir na demanda pela produção estadunidense, afastando possíveis compradores.






