Nos Estados Unidos, os principais índices com atividades em Wall Street operam com algumas perdas na manhã desta quinta-feira, 06 de março. Os investidores permanecem atentos à política comercial dos Estados Unidos, acompanhando eventuais desdobramentos do conflito tarifário global que se intensificou nos últimos dias. Na última terça-feira (04), a equipe econômica do presidente Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre importações do Canadá e do México, além de uma taxa adicional de 10% sobre produtos chineses, que agora totalizam 20%. Em reação, os países afetados anunciaram medidas retaliatórias (detalhadas em reportagem especial da StoneX). Contudo, as apreensões de uma escalada nesse conflito foram atenuadas ontem, após declarações do Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, que mencionou contatos contínuos com Canadá e México “durante todo o dia” e a possibilidade de se chegar a uma solução parcial com esses parceiros. Nesse contexto, Trump anunciou ao final do dia uma isenção de um mês para as tarifas punitivas aplicáveis às montadoras de veículos do Canadá e do México, desde que elas cumpram os termos de um acordo de livre comércio vigente.
Entre os mercados asiáticos, a tendência predominante é de alta entre as bolsas, impulsionadas por um atraso nas tarifas dos EUA aplicadas sobre os seus vizinhos. Na Europa, os índices recuam em dia de decisão do Banco Central Europeu sobre as taxas de juros do bloco econômico. Nesta manhã, o Banco Central Europeu (BCE) optou por reduzir sua taxa básica de juros de 2,75% ao ano para 2,50% ao ano, influenciado por projeções de inflação mais favoráveis, mas principalmente pela estagnação da atividade econômica no bloco de 20 países. Após essa decisão, contudo, a autoridade monetária tende a adotar uma postura cautelosa, aguardando novos dados sobre as condições econômicas e eventuais impactos do conflito comercial com os Estados Unidos antes de promover cortes adicionais na taxa. No momento, o consenso de mercado sugere a possibilidade de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2025, como parte dos esforços para estimular o crescimento na região. Em geral, cortes de juros no bloco europeu enfraquecem o euro, o que, indiretamente, favorece a valorização do dólar em âmbito global.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com algumas baixas. Nesta quinta-feira, o Secretário de Comércio dos EUA, Lutnick deve prosseguir com as negociações junto a parceiros comerciais, incluindo uma reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na qual devem ser discutidos os possíveis impactos das tarifas sobre produtos brasileiros, sobretudo o aço, cuja elevação tarifária está prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira (12). A percepção de que os Estados Unidos possam estar adotando uma postura menos agressiva na condução de sua política comercial do que se temia contribui para reduzir a aversão global ao risco e, consequentemente, enfraquecer o dólar. Para acompanhar os temas que devem movimentar os mercados no dia de hoje, acesse a Abertura de Câmbio.
Os contratos futuros da soja operam com novos ganhos na manhã desta quinta-feira, 06 de março, enquanto os investidores alimentam esperanças de que haja um alívio tarifário em breve. Os grãos ganharam um pouco mais de terreno nesta sessão, sendo apoiados por indícios de que as tarifas dos Estados Unidos contra as importações dos vizinhos, México e Canadá, poderiam sofrer algum tipo de alívio.
O movimento observado para o mercado do milho é semelhante ao que é visto para a soja. A commodity avançava em meio às incertezas de uma nova guerra comercial, estimulada pelas tarifas impostas pelo governo estadunidense, mas na sequência passou a obter algumas perdas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na quarta-feira, 05 de março, que isentará algumas linhas de produtos, como montadoras, desde que atendam a algumas exigências, e se mostrou disposto a ouvir a respeito de outros produtos que deveriam ser isentos.
O trigo, por sua vez, não sofre com os mesmos impactos que os demais grãos, afinal, os Estados Unidos não importam uma quantidade suficientemente relevante de trigo de países como México e Canadá. O receio está mais ligado com os temores de medidas retaliatórias que possam ser anunciadas pelos países afetados.
Ainda assim, o mercado de trigo não parece ser o mais afetado pelas políticas comerciais estadunidenses. Nesse cenário, o cereal opera com alguns ganhos nessa manhã, recuperando-se de perdas obtidas nas seções anteriores.





