Nos Estados Unidos, os principais índices futuros operam todos com perdas na manhã desta segunda-feira, 10 de março. Em dia de agenda fraca, a taxa de câmbio do real rondava a estabilidade nas primeiras operações desta segunda-feira, quando era cotada ao redor de R$ 5,79 (09h40min), em linha com um movimento de enfraquecimento global do dólar. No exterior, o cenário é de preocupação com a aparente perda de dinamismo da economia americana, levando em um ambiente de negócios mais avesso ao risco e favorecendo o desempenho de ativos considerados “portos seguros” em momento de estresse e incerteza, como o iene japonês e o franco suíço. Essa preocupação é resultado de alguns dados recentes mais fracos para o país (como vendas do varejo, índices de confiança de consumidores e de empresários e uma leve elevação da taxa de desemprego) e, principalmente, pela inconsistência e imprevisibilidade das políticas econômicas do país neste início de governo de Donald Trump, que já realizou diversas mudanças bruscas em menos de dois meses e que ainda promete realizar cortes em massa do funcionalismo público dos EUA. Nesse sentido, as falas do presidente americano em entrevista ontem, que evitou avaliar sobre as possibilidades de uma recessão econômica e afirmou que poderia aumentar as tarifas planejadas sobre México e Canadá, contribuem para a sensação de insegurança dos investidores. Para acompanhar com mais detalhes as movimentações dos mercados internacionais, acesse a Abertura de Câmbio.
Entre as bolsas da região da Ásia e Pacífico, a tendência que predominava era de baixa, ao longo da sessão na região. Os investidores se mantêm atento aos fabricantes de aço, antes que comece a valer as tarifas de 25% sobre o comércio de aço e alumínio da região. Na Europa, os mercados também seguem a tendência internacional de baixa, em meio a preocupações sobre o desenrolar da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV), inicia a segunda-feira, 10 de março, no campo negativo. No mercado de ativos, o JPMorgan recomendou aos investidores que retirassem seus investimentos do México e transferissem para empresas brasileiras, por acreditar que o Brasil pode estar próximo do fim do ciclo de alta, podendo ser um gatilho importante para o preço das ações.
As cotações da soja em Chicago começaram a semana em queda, em meio às tensões comerciais entre EUA e China, mas voltaram a subir ao longo da manhã. Com a retaliação chinesa sobre as tarifas de Trump, as expectativas são de que o país asiático concentre ainda mais suas compras na soja brasileira, situação que já pode estar acontecendo, uma vez que os prêmios nos portos do Brasil se fortaleceram na semana anterior.
Por mais que não se esperem mudanças no nível da demanda mundial por soja, essa “guerra” tarifária levaria a uma reorganização dos fluxos mundiais do grão, prejudicando os EUA em detrimento do Brasil, pelo menos num primeiro momento.
Destaca-se que, a exemplo do ocorrido no primeiro mandato Trump, um acordo entre EUA e China pode demorar para ser alcançado, ainda mais nesse contexto de que não há restrições pelo lado da oferta mundial de soja.
Já no caso do milho, as cotações registram alta, com o adiamento das tarifas dos EUA sobre o México, lembrando que alguma retaliação poderia envolver o cereal e o México é o principal destino das exportações norte-americanas de milho. Destaca-se, também, que o contexto de queda do dólar contribuiu para essa alta do milho, pois favorece a competitividade dos EUA, num momento em que as exportações do cereal já estão aquecidas.
A safrinha brasileira também está no radar, com o mercado acompanhando o clima por aqui. As estimativas continuam indicando uma produção favorável de milho na segunda safra, com os atrasos iniciais do plantio tendo se recuperado, mas o clima será central nas próximas semanas e especialmente em abril, com o cereal entrando nas fases reprodutivas.
O trigo também registrou ganhos, favorecido pelo contexto de queda do dólar no mercado internacional, além de preocupações com o clima em regiões produtoras.
A falta de umidade para o trigo em partes do EUA e no sul da Rússia traz um alerta, lembrando que a maior parte do cereal é produzida no ciclo de inverno e a umidade é fundamental após o período de dormência. De qualquer forma, por enquanto, as condições da safra russa estão favoráveis.





