Mercado externo em alta
Nesta quinta-feira (23), os mercados financeiros globais apresentam pelo terceiro dia seguido tendência de valorizações, se recuperando após as fortes queda do início da semana induzidas pelo risco de inadimplência da incorporadora chinesa Evergrande Group. Ontem, os ganhos nos EUA e na Europa ficaram próximos de 1% (EUA: S&P 500, +0,95%; Dow Jones, +1,00%; Nasdaq, +1,02% e Europa: Stoxx Europe 600, +0,99%; DAX 30, +1,03%; CAC 40, +1,29%; FTSE 100, +1,47%).
O principal fator responsável pela reversão das expectativas dos agentes a partir de terça-feira foram maiores garantias de que o setor imobiliário chinês não iria quebrar e lançar uma crise sobre o sistema financeiro repentinamente. A principal garantia foram notícias de que o governo da China está ajudando o Evergrande Group a sair do buraco, embora a estratégia oficial ainda não esteja clara. Após cair mais de 80% no ano, as ações da incorporadora subiram 17,62% no último pregão.
Além da questão chinesa, desde ontem que os mercados também são fortemente impulsionados pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Em anúncio feito na quarta às 15h (horário de Brasília), a instituição afirmou que caso o crescimento econômico siga no ritmo esperado, a diminuição do massivo programa de estímulos econômicos começará em breve. Na declaração posterior do presidente do Fed, Jerome Powell, ele anunciou que é possível que já em novembro as compras mensais de US$ 120 bilhões em títulos comecem a ser reduzidas. Em relação à taxa de juros, foi mantido o patamar entre 0% e 0,25%. A decisão foi bem encarada pelo mercado, pois ela mostra dedicação no combate à inflação, com a diminuição da política expansionista já no curto prazo, ao mesmo tempo em que mantém por ainda uns meses a ajuda para a recuperação econômica.
Além das decisões de política monetária, os membros do Fed apresentaram suas previsões para diversos importantes indicadores econômicos dos EUA. O crescimento do PIB em 2021 foi estimado em 5,9%, bem abaixo da previsão de 7,0% feita na reunião de junho. Em relação ao desemprego, o banco central projetou que apenas 4,8% da população estará nessa condição no final do ano. As despesas básicas com consumo pessoal, um índice que mede a inflação média de produtos essenciais para os cidadãos, foi estimado em 4,2%, frente a 3,4% na reunião anterior. Com esses números em mãos, o comitê se mostrou dividido em relação ao momento em que o Fed deve começar a elevar as taxas de juros. Se antes a maioria dos membros só esperava aumentos em 2023, agora metade dos 18 integrantes já acreditam ser necessárias elevações já em 2022.
Além dos EUA, os bancos centrais do Reino Unido e do Japão também anunciaram suas decisões de política monetária nesta semana. Em relação ao primeiro, as escolhas do Bank of England foram bastante parecidas com as do Fed: frente a uma aceleração inflacionária e recuperação econômica ainda patinando, o banco central britânico optou por manter a taxa de juros no patamar atual (-0,1%) e manter os estímulos econômicos, apesar de indicar uma diminuição desses incentivos monetários num futuro próximo. Já no Japão, a falta de pressões inflacionárias permitiu ao Bank of Japan não só manter os juros baixíssimos, mas também não colocar uma previsão para a diminuição dos estímulos.
Por fim, importante anunciar que o índice do gerente de compras (PMI em inglês) feito pela empresa IHS Markit para o mês de setembro na Europa marcou apenas 56,1 pontos, menor patamar dos últimos cinco meses. Assim, após a recuperação econômica da China e dos EUA começar a derrapar, agora pode ter chegado a vez da Europa.