Grãos | Chamada de Abertura
Soja e Óleo: alta. Farelo, Milho e Trigo: queda.
Mercado externo em alta
Nesta terça-feira (5), os índices futuros de Wall Street e os mercados em funcionamento da Europa mostram ganhos para os investidores. Isso acontece após importantes quedas no dia de ontem, quando muitos capitais abandonaram as ações de tecnologia e migraram para títulos de renda fixa, que passam por um momento de valorização nos EUA (EUA: Nasdaq, -2,14%; S&P 500, -1,30%; Dow Jones, -0,94%/ Europa: DAX 30, -0,79%; CAC 40, -0,61%; Stoxx Europe 600, -0,47%; FTSE 100, -0,23%).
No dia de hoje, a recuperação é em grande parte resultado apenas de um ajuste dos mercados, não existindo grandes novidades nas principais economias do globo. Talvez a notícia de maior impacto seja a alta do petróleo, com o barril negociado em Londres alcançando valores acima dos US$ 82,50, maior patamar em sete anos. Isso acontece, pois o mundo enfrenta uma crise energética, existindo escassez de gás natural e carvão mineral no mercado, o que aumenta a demanda pelo petróleo. Nesse contexto, o estopim para as fortes altas de ontem e hoje foi a reunião da OPEP+, onde o cartel decidiu manter a decisão de aumentar em apenas 400 mil barris por dia sua produção, insuficiente para atender à crescente demanda mundial no contexto de recuperação econômica.
Nas agendas locais, o foco nos EUA está novamente no Congresso. Isso porque a Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, anunciou que os deputados e senadores têm até o dia 18 de outubro para elevar o teto da dívida pública do país, caso contrário os EUA seriam incapazes de pagar os juros da sua dívida, caindo em um inédito default. Os democratas são favoráveis à resolução, mas enfrentam resistência republicana. Ademais, as ações do Facebook podem passar por novo turbilhão, após caírem 4,9% ontem devido aos apagões das redes sociais de sua propriedade. Isso porque uma ex-funcionária vai prestar depoimento ao subcomitê de proteção ao consumidor do Senado, em que se espera que ela denuncie que o Facebook vende dados dos seus usuários de maneira ilegal ou incorreta.
Na Europa, o grande destaque foi a divulgação do Índice do Gerente de Compras (PMI, na siga em inglês) feita pela empresa privada IHS Markit. Ela confirmou a projeção feita no dia 23 de setembro, em que se mostrou que a economia da zona do euro ainda cresce em um ritmo bastante acelerado, mas não tão intenso como foi em junho, julho e agosto: se nesses três meses o PMI ficou próximo dos 60 pontos, em setembro ele indicou 56,2. Lembrando que valores acima de 50 indicam expansão e valores abaixo desse limiar significam recessão.
Por fim, os pregões asiáticos ocorridos na madrugada de hoje no Brasil fecharam com fortes quedas, ainda influenciadas pelas perdas das empresas de tecnologia norte-americanas (Nikkei 225: -2,19%, Kospi: -1,89%). A exceção foi o índice de Hong Kong, com o Hang Seng conseguindo ter ganhos de 0,28% graças a valorização de suas petrolíferas. Um novo motivo de preocupação, entretanto, surgiu no mercado imobiliário da China. Uma segunda incorporadora, a Fantasia, também falhou na hora de pagar suas dívidas, se juntando ao Evergrande Group no conjunto de empresas hiper endividadas do setor imobiliário. A Fantasia é bem menor que a Evergrande e sua dívida não paga de US$ 206 milhões é com apenas um credor. Mesmo assim, ela mostra que os problemas de superendividamento no setor de construção da China vão além do Evergrande.
Soja em alta
Nesta terça-feira (5), os mercados futuros de soja operam em alta. Na Bolsa de Chicago (CBOT, da sigla em inglês), os contratos de novembro/21 são negociados a 1.252,50 USD cents/bushel. Apesar do movimento de alta ao final do pregão noturno, os agentes acompanham o rápido avanço dos trabalhos de colheita da safra estadunidense. O relatório de acompanhamento de safra do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) trouxe uma taxa de colheita de 34%, ou um avanço semanal de 18 pontos percentuais.
Ainda ontem (4), os dados de inspeção das exportações dos EUA, publicados pelo USDA, apontaram aumento significativo do volume exportado frente a semana anterior, totalizando 844,49 mil toneladas de soja. Contudo, ainda bastante abaixo do volume registrado no mesmo período do ano passado, de mais de 2,08 milhões de toneladas. O acumulado do ano corrente está em 1.831.037 toneladas – uma diferença negativa de 5,26 milhões no comparativo anual.
Milho em queda
Os futuros do milho operam em queda, nesta terça-feira (5). Na CBOT, os contratos futuros para dezembro/21 são negociados a US¢ 538,00/bu. O movimento de queda é sustentado pelo avanço da colheita da safra de milho nos EUA e previsão de condições climáticas benéficas para os trabalhos no campo ao longo da próxima semana. De acordo com o relatório de acompanhamento de safra, 88% da safra atingiu a etapa de maturação, enquanto a taxa de colheita chega a 29%, na semana encerrada no dia 03 de outubro. Em relação à produtividade, algumas regiões reportam rendimento acima do esperado, o que pode resultar em uma maior produção.
Em seu relatório de inspeção das exportações, assim como a soja, apesar de o USDA indicar crescimento semanal do volume exportado de milho, totalizando 808,8 mil toneladas, o volume ainda se encontra abaixo do mesmo período do ano passado, quando foram registradas 911 mil toneladas. O acumulado do ano corrente também está abaixo daquele registrado no ciclo anterior, chegando a 2.066.892 toneladas contra 3.729.562 toneladas de milho.
Trigo em queda
Os futuros do trigo operam em queda, nesta terça-feira (5), pressionados pela valorização do dólar estadunidense. Na CBOT, os contratos para dezembro/21 são negociados a US¢ 737,00/bu. Por outro lado, vale destacar que o aumento dos custos de exportação do trigo russo contribuiu com a limitação das perdas. Nos EUA, o plantio da safra de inverno chegou a 47%, em linha com a média dos últimos cinco anos.
Em relação aos dados de inspeção das exportações do USDA, referentes a semana encerrada no dia 30 de setembro, foi registrado um aumento considerável no comparativo semanal, totalizando 611,6 mil toneladas de trigo. Pouco abaixo das 679,8 mil toneladas registradas no mesmo período do ano passado. O acumulado do ano corrente está em 8.710.303 toneladas, uma diferença anual de -1,22 milhão de toneladas.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. *em relação ao fechamento do dia anterior
evolução dos contratos futuros na cbot