Mercado externo misto
Nesta quinta-feira (28), os índices futuros mostram que Wall Street abrirá em alta. Do outro lado do Atlântico, a sessão está sendo de preocupações para os investidores europeus, com perdas acontecendo na Alemanha e no Reino Unido.
Nos EUA, os ganhos seguem sendo impulsionados pelos resultados positivos das empresas listadas em bolsa. Hoje pela manhã, o grande destaque é a Ford, que tem ganhos próximos dos 8% no pré-mercado após ter relatado lucros acima do esperado na noite de quarta-feira. Após o fechamento do pregão, as gigantes Apple e Amazon divulgarão seus números.
Entretanto, uma reversão das expectativas pode acontecer na sessão de hoje devido a divulgação da primeira estimativa para o PIB dos EUA no terceiro trimestre. Com os gargalos econômicos, pressões inflacionárias e um novo surto de Covid-19, já era esperado um crescimento menor que o dos últimos trimestres. Ainda assim, o avanço de 2,0% na comparação trimestral ficou bastante abaixo da expectativa de 2,7%. Para efeitos de comparação, no segundo trimestre o aumento foi de 6,7%, no anterior 6,4% e antes disso 4,3%. Essa estimativa para o terceiro trimestre será revisada, com uma nova divulgação sendo feita em novembro e o dado definitivo saindo apenas em dezembro. Mesmo assim, fica claro a desaceleração da recuperação da maior economia do globo.
Na Europa, as sessões são de cautela, pois os investidores digerem a divulgação da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) para os próximos dois meses. Como era esperado, a autarquia manteve a taxa de juros inalterada, no momento fixada em 0,0%. Por um lado, essa decisão do BCE é boa para os agentes que apostam na alta do mercado, pois mantém os fortes estímulos para a economia. Pelo outro lado, entretanto, ela traz preocupações de descuido com a inflação, que se encontra nos maiores níveis desde o pós-crise de 2008, o que seria positivo para os agentes que apostam na baixa. Com isso, os índices não apresentam uma direção definida.
Além da questão monetária, pesam sobre os mercados resultados negativos divulgados por grandes corporações, como Volkswagen e Royal Dutch Shell.
Por fim, na Ásia, o dia foi de importantes perdas em todos os principais mercados (Shanghai Composto: -1,23%, Nikkei 225: -0,96%, Kospi: -0,53%, Hang Seng: -0,28%). Destaque mais uma vez para o Evergrande Group. A incorporadora imobiliária conseguiu evitar na semana passada que ela fosse oficialmente declarada inadimplente. Entretanto, com o tamanho da dívida da corporação, toda semana ela terá que operar um milagre igual ao da última sexta para manter seu currículo imaculado. Amanhã, a empresa enfrenta mais um prazo final.
Soja em queda
Nesta quinta-feira (28), os mercados futuros de soja operam em queda, pressionados pelo avanço da colheita da safra estadunidense. Contudo, as perdas são limitadas pelo anúncio de novas grandes vendas à China e ao México – de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), a China comprou 199 mil toneladas da oleaginosa, enquanto o México comprou 125,73 mil toneladas. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), os contratos de novembro/21 são negociados a 1.235,25 USD cents/bushel.
Milho em queda
Os futuros do milho operam em queda, nesta quinta-feira (28). Na CBOT, os contratos futuros para dezembro/21 são negociados a US¢ 555,50/bu. O movimento de queda ganhou força com a rodada de realização de lucros por parte de investidores e queda dos preços no setor energético. Ainda ontem (27), a maior alta em dois meses foi sustentada pelo novo aumento semanal da produção nacional de etanol nos EUA e atrasos na colheita da safra. De acordo com a Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês), na semana encerrada no dia 22 de outubro, a média diária de barris produzidos chegou a 1,106 milhão.
Trigo misto
Os futuros do trigo operam em campo misto, nesta quinta-feira (28). Na CBOT, os contratos para dezembro/21 são negociados a US¢ 758,25/bu. Em Minneapolis, os ganhos são sustentados pelo sinal de demanda internacional, após a Arábia Saudita divulgar um leilão para a compra de 656 mil toneladas de trigo, especificamente, de valor proteico 12,5%. Por outro lado, Chicago e Kansas City são pressionados pela valorização do dólar estadunidense e falta de sinais de uma demanda internacional mais aquecida. Destaca-se que nessas bolsas, as perdas foram limitadas pela perspectiva de queda da produção na região do Mar Negro.