Mercado externo misto
Nesta quarta-feira (3), os principais mercados de ações dos EUA e da Europa não apresentam direção definida. Isso acontece principalmente porque os investidores estão aguardando a decisão de política monetária do Federal Reserve, o que mantém as bolsas em suspense. A divulgação está agendada para às 15h (horário de Brasília).
Destrinchando as expectativas relacionadas ao anúncio do Fed, o que mais tem sido comentado no dia de hoje é a possibilidade do início da redução do programa de estímulos econômicos, que no momento ronda os US$ 120 bilhões mensais. O consenso entre os analistas é que o banco central americano reduzirá suas compras em US$ 15 bilhões por mês, o que eliminaria todos os incentivos em junho de 2022.
As atenções do mercado também estão voltadas para o modo com que Jerome Powell, presidente da instituição, está encarando a inflação. Até recentemente ele afirmava que o aumento de preços era temporário e que, portanto, medidas radicais por parte do Fed não eram necessárias. Qualquer mudança nesse tom será escrutinada pelos investidores, já que pode significar um aumento dos juros antes do previsto. Dada algumas declarações recentes de Powell, realmente é possível que o Fed torne oficial um novo discurso em relação à aceleração inflacionária.
Nos mercados europeus, o foco também está no Federal Reserve. No momento em que esse texto é escrito (10h), a bolsa da Alemanha e do Reino Unido estão atuando com perdas, enquanto a da França tem ganhos. Entre os poucos setores que apresentam significativa valorização, destaque para o setor de mineração. Entre os que têm perdas, o petrolífero chama atenção, com as empresas se desvalorizando na esteira do petróleo, que está perdendo valor após a divulgação dos estoques dos EUA mostrar volumes mais altos do que o esperado.
Por fim, falando sobre a Ásia, os pregões ocorridos na madrugada brasileira foram de desvalorizações, com perdas especialmente fortes na Coréia do Sul. Seguem os índices: Kospi, -1,25%; Nikkei 225, -0,43%; Hang Seng, -0,30%; SHanghai Composto, -0,20%.
Soja em queda
Nesta quarta-feira (3), os mercados futuros de soja operam em queda. Apesar da tendência de alta observado nos futuros do óleo e farelo, sustentados pelos sinais de demanda frente a oferta limitada, os da soja são pressionados pelo movimento de liquidação dos contratos por parte de investidores. Na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), os contratos de novembro/21 são negociados a 1.242,25 USD cents/bushel.
Ainda na segunda-feira (1), as inspeções de exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) indicaram queda (-11,5%) no comparativo semanal dos embarques físicos, totalizando 2,272 milhões de toneladas de soja, na semana encerrada no dia 28 de outubro. O acumulado do ano comercial corrente é de 10.863.867 toneladas, cerca de 6,3 milhões abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.
Milho em queda
Os futuros do milho operam em queda, nesta quarta-feira (3), pressionados pela rodada de realização de lucros por parte de investidores. Sem grandes notícias durante o pregão noturno, os agentes aguardam pela divulgação dos dados de produção de etanol nos EUA, que deve ser feita pela Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês) ainda hoje. Vale lembrar que a produção estadunidense do biocombustível vem aumentando ao longo do último mês, ultrapassando o patamar de 1,1 milhão de barris diários na semana encerrada no dia 22 de outubro. Na CBOT, os contratos futuros para dezembro/21 são negociados a US¢ 570,50/bu.
De acordo com o USDA, na semana encerrada no dia 28 de outubro, as inspeções de exportação indicaram queda (-2,4%) no comparativo semanal, totalizando 619,3 mil toneladas de milho. O acumulado do ano comercial corrente é de 5.422.076 toneladas.
Trigo em queda
Os futuros do trigo operam em queda, nesta quarta-feira (3). Na CBOT, os contratos para dezembro/21 são negociados a US¢ 787,50/bu. Assim como em outros mercados, o movimento de queda é sustentado, sobretudo, pela realização de lucros por parte de investidores. Contudo, pressão adicional advém da perspectiva de alívio da relação entre oferta e demanda globais, caso a produção australiana cumpra com as expectativas. Segundo o Escritório Australiano de Economia e Ciências Agrárias e de Recursos (ABARES, na sigla em inglês), em 2021/22, a produção de trigo deve chegar a 32,6 milhões de toneladas – se concretizada, essa será a segunda maior safra da Austrália, atrás apenas de 2020/21.
Em relação aos embarques físicos dos EUA, na semana encerrada no dia 28 de outubro, o USDA reportou queda (-41,6%) no comparativo semanal, totalizando 115,3 mil toneladas de trigo. O acumulado do ano comercial corrente é de 9.651.110 toneladas.