Mercados Externos – Estados Unidos e Europa: baixa. China: alta.
Campinas, 01 de março – O primeiro dia de março deve trazer a repercussão de dados macro, visto que a China divulgou ontem (28) os valores para o seu Índice de Gerente de Compras (PMI, sigla em inglês), além do PMI dos Estados Unidos a ser divulgado hoje, às 11h45min.
O mês de fevereiro se encerrou com o sentimento de cautela ganhando força. À medida que os dados da economia dos EUA mostraram uma atividade ainda aquecida, os agentes passaram a ponderar sobre um endurecimento do Fed na sua próxima decisão para a política monetária. Hoje, a divulgação do PMI estadunidense deve contribuir na movimentação do mercado.
Foi divulgado ontem (28), às 23h, o Índice de Gerente de Compras (PMI, sigla em inglês) da China, possibilitando entender a situação atual sobre a saúde da economia chinesa. De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas da China (NBS), o PMI da indústria foi de 52,6 pontos em fevereiro, valor acima dos 50,5 projetados pelo mercado, como também um avanço em relação aos 50,1 pontos divulgados em janeiro. Outra fonte alternativa privada, a S&P Global/Caixin, também publicou o seu valor para o mesmo índice, o qual veio em linha com os dados oficiais. De acordo com a S&P Global/Caixin, o PMI da indústria subiu de 49,2 em janeiro, para 51,6 em fevereiro – com isso, o indicador privado ficou no território da expansão pela primeira vez nos últimos sete meses. Assim, tais informações permitem entender que o setor manufatureiro chinês exibe uma recuperação, o que é altista para o mercado, dadas as suas expectativas de que a atividade econômica da China se recupere ainda esse ano. Adicionalmente, o PMI de serviços chinês medido pela NBS exibiu um avanço de 54 pontos em janeiro, para 55,6 pontos em fevereiro. O índice CSI 300 encerrou em alta de 1,41%.
A Europa também repercute os dados divulgados para a região. De acordo com a S&P Global/Caixin, o PMI industrial da zona do euro sofreu uma contração de 48,8 em janeiro, para 48,5 em fevereiro. Contudo, o economista-chefe da S&P Global, Chris Williamson, ressaltou que o índice responsável por medir apenas a produção subiu de 48,9 em janeiro, para 50,1 em fevereiro, sendo uma notícia positiva pois, mesmo sendo uma expansão marginal, o dado para a produção sinalizou o primeiro avanço desde maio de 2022. Adicionalmente, o índice de preços dos insumos ficou no menor patamar desde setembro de 2020, com fevereiro apresentando 50,9 pontos, contra os 56,3 relatados no mês passado.
O complexo de soja foi guiado pelos preços dos óleos vegetais, que ganharam espaço para ganhos influenciados por preocupações com a produção de óleo de palma na Malásia. Apesar disso, o movimento positivo foi limitado pela grande safra brasileira que está sendo colhida.
A StoneX divulgou hoje sua nova estimativa para grãos, em que em seu relatório indica para a soja um aumento de 0,3% para a produção 2022/23, esperada em 154,7 milhões de toneladas.
O ajuste positivo ocorre mesmo considerando as perdas esperadas para o Rio Grande do Sul, cuja a safra de soja está em 16 milhões de toneladas. Em outros estados, como os do Centro-Oeste e do MATOPIBA, as expectativas se sobressaem com produtividades excelentes. Para mais detalhes, confira o relatório.
Milho em baixa
Com preocupações contidas em relação aos corredores marítimos do Mar Negro, o mercado de milho e trigo encontra estabilidade momentânea. Os futuros de diesel, gasolina e gás natural negociaram em alta esta manhã, dando algum suporte para o milho.
O mercado de etanol aguarda aprovação que será divulgada hoje pelo governo do presidente Biden e indique a expansão das vendas de misturas com alto teor de etanol na gasolina. Caso se concretize o anúncio, a mudança deve entrar em vigor até o próximo verão, trazendo um bom sinal para produtores de milho e etanol.
Os preços do trigo caíram durante a noite, acompanhando o avanço dos suprimentos exportáveis da Rússia e a continuidade dos embarques no Mar Negro. Por outro lado, preocupações com a produção indiana limitaram o movimento dos preços.
A Índia poderá enfrentar elevadas temperaturas nas próximas duas semanas, além de baixa probabilidade para chuvas, o que pode resultar em perigo para as lavouras de trigo. Vale lembrar que a safra do ano passado enfrentou condições quentes e secas, refletindo em um período de medida governamental de proibição às exportações de trigo indiano.