Mercado externo: Estados Unidos e China: baixa.
Campinas, 10 de abril – O retorno do feriado é acompanhado por divulgações importantes para a economia dos Estados Unidos nesta semana, as quais devem repercutir nos demais mercados globais. Na quarta-feira (12) e quinta-feira (13), serão divulgados, respectivamente, o Índices de Preços ao Consumidor (CPI, sigla em inglês) e Índice de Preços ao Produtor (PPI, sigla em inglês), o que contribui para sinalizar o comportamento da inflação estadunidense.
Enquanto aguardam por tais dados, os agentes ponderam o relatório de payroll dos EUA, publicado pelo Departamento de Trabalho do país durante o feriado de sexta-feira. Ao indicar a criação de 236 mil empregos não-agrícolas em março, o reporte não fugiu da expectativa do mercado (239 mil), representando uma desaceleração ante o mês de fevereiro – quando foram criados 326 mil empregos. A taxa de desemprego recuou ligeiramente, de 3,6% indicado em fevereiro, para 3,5% em março, reforçando a interpretação do mercado de que o resultado ainda exibe um baixo nível, o qual pode influenciar a decisão do Federal Reserve para um aumento dos juros – ainda assim, será necessário acompanhar os próximos dados da inflação do país.
A China permaneceu com seu movimento de expansão de cooperações entre países, estabelecendo novos acordos com a França durante a viagem de Emmanuel Macron à China na semana passada. Com acordos em diversas frentes, a aproximação dois países permite entender que, apesar das incertezas geopolíticas envolvendo a China e os Estados Unidos, as relações comerciais francesas são prioridades na agenda de Macron.
O mercado de grãos acompanha a conclusão da temporada da América do Sul, entre dois resultados distintos: a oferta recorde do Brasil e a quebra da safra da Argentina, que iniciou outra rodada de dólar soja, com prazo até o fim de maio.
Além disso, o foco está no clima, previsto como atipicamente quente nos próximos dias em grande parte do Heartland dos Estados Unidos, o que pode melhorar a velocidade de plantio nas Planícies e no Cinturão Oriental do Milho.
No Brasil, de acordo com os dados da Secex, o aumento da demanda externa pelo grão brasileiro é cada vez mais evidente. Para o mês de março, foi registrado mais que o dobro do volume em fevereiro e cerca de 9% a mais que março do ano passado. Foram reportadas 13,27 milhões de toneladas de soja, maior volume já exportado desde maio de 2021.
Milho em baixa
O mercado futuro do milho buscou equilíbrio no pregão noturno deste início da semana. As condições atuais de ofertada apertada e o otimismo em relação ao plantio esperado nos Estados Unidos são uma estrutura de contrapeso entre os fundamentos neste momento.
Esta semana o mercado terá a publicação mensal das estimativas para a oferta e demanda globais do USDA e novas informações podem trazer maiores movimentos para a bolsa de Chicago.
As condições da safra de trigo dos Estados Unidos voltam a ser o foco do mercado. As preocupações com as classificações para as lavouras nas planícies elevaram os futuros de Kansas City. Não é diferente na Bolsa de Minneapolis, dado que a camada de neve e as condições de plantio também trazem reocupações.
No Mar Negro, Rússia volta a aumentar a tensão no comércio internacional para grãos com futuro incerto para o acordo firmado no mês passado. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou em entrevista na sexta-feira (7), que a Rússia poderia trabalhar fora do acordo de grãos do Mar Negro se os países ocidentais mantiverem as sanções ao seu país, que afeta as exportações de grãos e fertilizantes russos.