Campinas, 25 de agosto – Em meio a uma agenda de indicadores macroeconômicos vazia, os investidores estarão com suas atenções voltadas ao Simpósio Anual de Política Monetária de Jackson Hole.
O evento conta com o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, às 11h., e pode movimentar os mercados globais. Os investidores esperam que Powell traga mais sinais sobre a próxima atuação na taxa de juros dos EUA, principalmente após os dados do Índice de Gerentes de Compras (PMI, sigla em inglês) mostrarem um possível enfraquecimento da economia estadunidense.
Vale destacar que, no último ano, o Federal Reserve mostrou-se comprometido com o combate à inflação no país através do aperto monetário. No entanto, a primeira leitura do PMI realizada pela S&P Global indicou um desempenho pior do que o esperado para os setores da indústria e de serviços norte-americanos, acrescentando incerteza sobre como o Fed lidará com o problema inflacionário sem provocar uma futura recessão na atividade econômica dos EUA.
Desse modo, caso o discurso de Powell seja interpretado pelos agentes como uma fala de tom mais rígido sobre a próxima decisão do Federal Reserve, é possível que a busca por ativos considerados seguros aumente, cenário que contribuiria para o enfraquecimento das commodities.
A soja continua em alta nessa sexta-feira (dia 25), caminhando para encerrar a segunda semana consecutiva com ganhos.
O clima mais seco e quente nos EUA tem preocupado, com as previsões de que esse padrão deve se manter nos próximos dias, num momento crucial para a safra de soja do país, que é a fase de enchimento de grão.
Como o balanço de oferta e demanda do país está mais apertado, há preocupações com os possíveis impactos de uma produção menor, que tende a resultar em racionamento pelo lado da demanda.
Nesta semana, foi realizado o tour da Pro Farmer, que avaliou as lavouras dos principais estados produtores e trouxe resultados muito variados, mas que, em geral, indicariam uma produtividade acima do ano passado. O balanço final do crop tour ainda vai ser divulgado.
As preocupações com o resultado da safra norte-americana também deram suporte aos preços do milho na última sessão da semana.
Apesar de a safra do país já não estar passando pelas fases mais importantes de desenvolvimento, o clima recente, seco e com temperaturas elevadas, pode trazer alguns prejuízos. Além disso, o tour da Pro Farmer trouxe uma perspectiva menos positiva para o estado de Iowa, um dos principais produtores do país.
De qualquer maneira, como a soja e o trigo estão em alta, o milho também acabou sendo influenciado.
No caso do trigo, a alta desta sexta-feira (dia 25) também ocorre sob influência de questões climáticas.
Além do clima mais quente e seco em regiões dos EUA, há preocupações com a falta de umidade na região centro-norte da área agrícola da Argentina. Por outro lado, as áreas mais ao sul receberam boas chuvas, o que, inclusive, melhorou as condições das lavouras a nível nacional.
Há preocupações também com o calor excessivo afetando as lavouras ucranianas de trigo e a Comissão Europeia reduziu suas perspectivas para a produção de grãos nesta temporada.






