Campinas, 26 de setembro – Os principais indicadores dos mercados mundiais operam novamente em queda, com maior aversão ao risco, ao observar os problemas imobiliários na China e possibilidade de paralisação do governo dos EUA, que poderá ocorrer já em 1 de outubro, caso o Congresso não encontre um acordo sobre uma proposta de lei de gastos.
Na China, a Evergrande Group anunciou que irá rever seu plano de reestruturação, gerando especulação sobre seu estado financeiro que acabou impactando na queda de 22% no valor de suas ações.
Nos EUA, o prazo para resolver uma disputa sobre o orçamento federal começa a se estreitar. O mercado especula a possível interrupção de uma série de serviços governamentais e o Congresso tenta aprovar um projeto de lei de curto prazo para manter o governo funcionando após o início do novo ano fiscal em 1º de outubro. Se houver uma paralisação, a classificação de crédito dos EUA poderá ser afetada negativamente.
A Europa também opera essa manhã em baixa, com investidores enfrentando a perspectiva de um período prolongado de taxas de juro e inflação elevadas, bem como incerteza econômica.
Os preços da soja encerraram o pregão noturno em alta, devido a algumas compras técnicas registradas ontem. Além disso, a oleaginosa encontrou impulso no ritmo de colheita mais lento e na queda inesperada das classificações, que reforça dúvidas sobre o tamanho da safra de soja de 2023 nos EUA.
O progresso da colheita foi limitado na semana passada, à medida que os agricultores evitavam pancadas de chuva na região do Heartland. Na semana encerrada em 24 de setembro, 12% das safras de soja do país foram colhidas, um aumento de 7 pontos percentuais em relação à semana anterior. A maior parte do progresso da se concentra no Sul.
O USDA reduziu a classificação das condições da soja em 2 pontos percentuais na semana, caindo para 52% das lavouras em condições boas/excelentes.
As inspeções de exportação de soja dos Estados Unidos melhoraram ligeiramente em relação aos totais da semana anterior, após atingirem 480 mil toneladas. No entanto, isso foi próximo ao limite inferior das estimativas comerciais. A China foi a origem da maior parte dessa demanda, com 300 mil toneladas. Os totais acumulados para o ano comercial de 2023/24 são modestamente superiores ao ritmo do ano passado, com 1,28 milhões de toneladas.
Os preços do milho foram na contramão do movimento visto para a soja, apesar de algumas compras técnicas no final da sessão de segunda-feira, com os traders avaliando a pressão da colheita contra uma das maiores vendas relâmpago já registradas. Os preços mais baixos da energia e o avanço da pressão da colheita fizeram com que os preços caíssem, com alguma realização de lucros provavelmente em jogo.
O USDA divulgou ontem dados atualizados do progresso da safra, indicando que 15% das lavouras de milho previstas foram colhidas, um aumento de 6 pontos percentuais em relação à semana anterior. Tais chuvas ajudaram a elevar a classificação das condições do milho em 2 pontos percentuais, atingindo 53% em condições boas/excelentes.
Pancadas de chuva durante o fim de semana diminuíram as esperanças de muitos agricultores de uma colheita antecipada. Apesar disso, o ritmo deste ano ainda está próximo da média de cinco anos para o mesmo período.
Além disso, ainda é cedo para preocupações maiores, dado que 30% da safra de milho ainda não atingiu a maturidade. Embora o clima tenha sido seco durante o verão, preocupações sobre a velocidade da colheita antecipada ainda não são um ponto de atenção de fato.
As inspeções de exportação de milho atingiram 660,8 mil toneladas na semana passada. O México foi de longe o destino principal, com 390 mil toneladas. Os totais acumulados para o ano comercial de 2023/24 estão agora ligeiramente à frente do ritmo do ano passado, com 2,10 milhões de toneladas desde o início de setembro.
Os preços do trigo permaneceram mistos, se dividindo entre um desempenho fraco das exportações dos EUA e novo leilão lançado pela Tunísia, importante player nas importações globais, que não obteve lances até o momento de empresas comerciais russas. Isto pode ser um sinal importante, dado que o trigo russo dominou o mercado de exportação global nos últimos dois meses e manteve os preços do trigo limitados em todo o mundo.
Pelo lado do cenário geopolítico, os preços podem estar suscetíveis a nova onda de ataques aéreos aos terminais de cereais ucranianos. Durante a noite, uma série de mísseis russos atingiram instalações de grãos ucranianas.
Nos EUA, a semeadura de trigo de inverno se beneficiou das chuvas da semana passada. O USDA reportou que 26% das lavouras de trigo de inverno haviam sido plantadas.
As inspeções de exportação de trigo dos EUA melhoraram ligeiramente em relação à contagem da semana anterior, atingindo 450 mil toneladas. A China foi o principal destino, com 130 mil toneladas. Os totais acumulados para o ano comercial de 2023/24 permanecem abaixo do ritmo do ano passado, com 5,63 milhões de toneladas.






