A terça-feira (dia 03) foi de aversão ao risco nos mercados acionários ao redor do mundo, com os Títulos do Tesouro americano de 10 anos e de 2 anos alcançando, mais uma vez, as máximas desde 2007.
O dado de vagas de emprego nos EUA (relatórios Jolts) trouxe um resultado bem acima do esperado, com 9,6 milhões de vagas em setembro, o que é um indício de manutenção do ímpeto do mercado de trabalho norte-americano. Outros dados de emprego serão divulgados nessa semana, mas o considera-se que resultados favoráveis abrem espaço para o Fed manter a taxa de juros em patamares mais elevados por mais tempo, em seu esforço para combater a inflação no país.
Além disso, o cenário político dos EUA também contribuiu para o tom pessimista, com a Câmara tendo destituído seu presidente pela primeira vez na história, após o acordo alcançado no último sábado para evitar o shutdown do governo. Como esse foi um acordo provisório, que adiou uma possível paralisação por 45 dias, a votação de uma solução mais permanente pode ser afetada por essas disputas internas no legislativo do país.
Contudo, os rendimentos dos títulos americanos passaram a cair nesta manhã e os índices futuros de Nova York sinalizam abertura em alta nesta quarta-feira (dia 04).
Na Europa, as principais bolsas também começaram o dia em leve baixa. Além do sentimento global mais negativo, são acompanhadas as divulgações de indicadores da região, como os PMIs de Serviços de Alemanha, França, Reino Unido e Zona do Euro como um todo, além dos índices de preços ao produtor.
Os índices acionários da Ásia encerraram esta quarta-feira (dia 04) em queda, com a liquidez ainda baixa pelo feriado na China. A bolsa da Coreia do Sul voltou a operar, registrando perdas, assim como os índices do Japão, em meio à alta do rendimento dos Títulos do Tesouro norte-americano.
As cotações da soja em Chicago fecharam o pregão noturno desta quarta-feira (dia 04) em leve alta, com o dólar se afastando as máximas em 11 meses no mercado internacional e com os agentes aproveitando os preços mais baixos para ir às compras.
A divisa norte-americana foi impulsionada pelo clima de aversão ao risco global, que levas os investidores a buscar ativos mais seguros.
Mesmo assim, pelo lado dos fundamentos da oleaginosa, a colheita norte-americana continua sendo um fator de pressão, enquanto o ritmo das exportações é acompanhado.
O andamento do plantio no Brasil e as condições climáticas estão ganhando mais relevância, com perspectivas iniciais de renovação do recorde de produção.
O milho registrou leve baixa na sessão noturna desta quarta-feira (dia 04) em Chicago, com a colheita norte-americana pesando sobre os preços. O mercado aguarda novidades pelo lado dos fundamentos.
No Brasil, as perspectivas apontam para uma área plantada de milho primeira safra menor que no ano passado, em meio ao cenário de preços mais pressionados e preocupações com possíveis impactos do El Niño em regiões produtoras do MATOPIBA. O fenômeno pode resultar em um clima mais seco em algumas áreas do Norte/Nordeste.
Além disso, a movimentação de cargas marítimas da Ucrânia é acompanhada, uma vez que o país consome uma parte relativamente pequena de sua produção, contando com excedente exportável, mesmo após os impactos negativos da guerra.
O trigo voltou a cair na sessão noturna, após as altas recentes, com o mercado acompanhando a disponibilidade do cereal e sua competitividade.
O trigo norte-americano continua com dificuldades em competir com a oferta russa, mesmo com a queda de preços importante nas últimas semanas.
Os embarques ucranianos pelo corredor humanitário no Mar Negro, perto da costa de Romênia e Bulgária, continuam ocorrendo, com mais 12 navios de grãos prontos para partir.






