Nos Estados Unidos, as ações subiram apostando em uma desaceleração da inflação. E, efetivamente, na manhã desta terça-feira (dia 14), o relatório estadunidense de inflação de outubro indicou uma tendência moderada, o que sinaliza o desaquecimento gradual da economia. A subida nos preços ao consumidor de 3,2% no ano até outubro, valor abaixo do registrado no mês anterior (3,7%), poderá encorajar novamente os investidores que esperavam pelo resultado. Como indicado por agentes do mercado, a desaceleração da inflação era crucial para projetar a diminuição da taxa de juros no médio prazo.
Por sua vez, os mercados europeus apresentaram tendência mista diante das expectativas em relação ao PIB da Zona do Euro e dos dados da inflação dos EUA. Começa hoje uma conferência em Zurique que reunirá autoridades do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE) onde se esperam os comentários dos economistas-chefes que possam sinalizar as medidas a serem implementadas pelas respectivas instituições.
No que tange os mercados asiáticos, foram registradas altas durante a noite, alavancadas pelas expectativas dos investidores que aguardam as negociações entre os presidentes dos EUA e da China. Pela primeira vez em cerca de um ano, Joe Biden e Xi Jinping se encontrarão pessoalmente em São Francisco nesta semana. No Japão, se espera o impacto da atualização dos dados de inflação dos EUA no iene, onde a moeda poderia atingir sua mínima em 33 anos. Nesse sentido, tanto o Banco Central do Japão (BoJ) como o Ministério de Finanças japonês alertaram que poderão ser feitas intervenções.
Já no Brasil, o Ibovespa hesitava nos primeiros negócios desta terça-feira, o índice subiu sustentado pelos resultados esperados para a inflação nos EUA. Também se observou influência dos resultados das pesquisas relacionadas aos serviços, que apresentaram uma queda maior que a estimada, trazendo alívio para juros futuros e colaborando nos resultados da bolsa.
Após finalizar a primeira sessão da semana em alta, os futuros da soja encerraram o pregão noturno desta terça-feira (14 de novembro) no campo negativo.
Parte dessa queda pode ser atribuída ao bom progresso observado na colheita da safra norte-americana de soja. O USDA divulgou ontem seu Relatório Semanal de Acompanhamento de Safra dos EUA , confirmando a falta de relevantes empecilhos para os trabalhos de campo no país. Até o último domingo, cerca de 95% da safra havia sido colhida, ritmo 4 p.p. acima da média de 5 anos para o mesmo período. Com a safra da oleaginosa em sua reta final nos EUA, o mercado deverá se voltar cada vez mais para o ritmo dos embarques da soja norte-americana e para as condições da safra na América do Sul.
O USDA divulgou ontem também seu Relatório Semanal de Inspeção de Exportações, indicando uma queda no ritmo dos embarques norte-americanos de soja, fator que também contribui para o recuo na última sessão noturna. Na semana encerrada em 9 de novembro, 1,67 milhão de toneladas de soja foram embarcadas, volume abaixo das 2,2 milhões de toneladas exportadas uma semana antes e das 2 milhões embarcadas na mesma semana de 2022.
Ainda em relação aos embarques, ontem, o USDA divulgou através do seu sistema de vendas flash a comercialização de 143,6 mil toneladas para o México e de 204 mil para a China, com entrega durante a temporada 2023/24. Apesar do reporte fornecer, a princípio, suporte para as cotações, existe uma preocupação com um possível enfraquecimento das compras chinesas num futuro próximo após a recente onda de compras do gigante asiático.
Os futuros do milho seguiram o mesmo direcionamento da soja durante boa parte do pregão noturno de hoje, se posicionando no campo negativo na maior parte do período de negociações. Contudo, recuperaram as perdas na reta final e encerraram a sessão próximos da estabilidade.
Como no caso da soja, o avanço da colheita do cereal nos EUA exerceu pressão baixista sobre as cotações. Até o último domingo, cerca de 88% da safra havia sido colhida, ritmo 2 p.p. acima da média de 5 anos para o mesmo período.
Os dados de embarques do cereal norte-americano também não trouxeram muito otimismo para o mercado. Apesar de um avanço no comparativo semanal, passando de 574,6 mil toneladas na semana encerrada em 2 de novembro para 608,8 na semana encerrada no dia 9 de novembro – e cerca de 70 mil toneladas acima do registrado na semana equivalente de 2022 –, o ritmo de embarques ainda segue aquém do necessário para atingir a projeção do USDA.
Como comentado, será importante seguir acompanhando as condições da safra na América do Sul. O clima excessivamente úmido no Sul do Brasil e o padrão muito quente e seco presenciado em grande parte das demais áreas produtoras de soja e milho safrinha vêm gerando bastante preocupação sobre a oferta no país. A situação na Argentina também preocupa, visto que o país registrou chuvas abaixo do normal nas últimas semanas.
De qualquer modo, será importante seguir acompanhando o clima na região. Os modelos climáticos apontam para um baixo volume de chuvas nas regiões produtoras da Argentina e em grande parte do Centro-Oeste do Brasil nos próximos 7 dias, o que pode afetar negativamente o ritmo dos trabalhos de campo e as suas lavouras. Por outro lado, o modelo para o período entre 8 a 14 dias a partir de hoje aponta para um aumento da umidade, o que pode contribuir para a recuperação das condições.
Ao contrário dos demais grãos, o trigo finalizou o pregão noturno desta terça-feira em alta. Segundo o Relatório Semanal de Inspeção de Exportações, os EUA embarcaram 207,2 mil toneladas do cereal semana encerrada em 9 de novembro, volume acima das 114,3 mil toneladas exportadas uma semana antes e das 170,4 mil embarcadas na mesma semana de 2022.
O plantio do trigo de inverno segue em um bom ritmo, também caminhando para sua reta final. Até o último domingo, 93% das lavouras haviam sido semeadas, ritmo em linha com a média dos últimos 5 anos.






