Em uma semana que começou com o feriado de Martin Luther King nos EUA, os futuros das ações abriram em baixa nesta terça-feira (dia 16). Com os investidores menos confiantes em relação a um possível corte nas taxas de juros em um horizonte mais próximo, o dólar alcançou o maior patamar desde o mês passado. Para hoje, se esperam os resultados dos lucros bancários tanto do Morgan Stanley como do Goldman Sachs, e para amanhã está prevista a divulgação dos dados de vendas no varejo, estatísticas que fornecerão uma imagem mais clara da situação do consumo estadunidense.
Os mercados europeus também caíram após os últimos discursos das autoridades do Banco Central Europeu (BCE). Com a negativa da autoridade monetária em cortar taxas de juros no curto prazo, todas as bolsas europeias apresentaram resultados negativos, lideradas pelas perdas no setor bancário. Além disso, em Davos, na Suíça, teve início o encontro do Fórum Econômico Mundial, onde lideranças políticas e empresariais discutem questões econômicas e geopolíticas, passando por temas como inflação, cadeias de valor e abastecimento, guerras e desafios para a segurança.
Já nos mercados da região da Ásia-Pacífico, os resultados foram mistos. O único resultado positivo foi do índice CSI 300 da China continental, enquanto o índice Hang Seng de Hong Kong caiu, liderando as perdas. No Japão, o índice Nikkei 225 interrompeu os seus resultados positivos após seis dias de altas consecutivas. No resultado econômico japonês do dia, foi divulgado que o índice de preços de bens corporativos de dezembro passado permaneceram estáveis na comparação interanual, quando o mercado esperava uma redução.
Localmente, o índice futuro do Ibovespa também abriu em baixa. E caso siga o índice no exterior (EWZ, Ibovespa em dólar), também poderia fechar com queda. Já ontem (dia 15), o resultado foi positivo mesmo com Wall Street em pausa. Se bem a trajetória atual é indefinida, analistas do mercado acreditam que estão dadas as condições para que uma tendência de alta possa acontecer no curto e médio prazo. Na agenda política do dia, o ministro de Economia se reúne com o presidente do Senado, procurando alternativas para a desoneração da folha de pagamentos, mas o resultado efetivo só deve ser anunciado após o retorno do recesso parlamentar, em fevereiro.
O complexo da soja se recuperou fechando em alta.
Com resultados positivos após perdas na semana passada, existe ainda a preocupação com novas quedas, já que entre os fundamentos do mercado para a soja, além de uma ampla oferta esperada, se encontra a preocupação com um menor consumo global, que esteve pressionando os preços.
Já as cotações do milho se desvalorizaram no último pregão noturno (dia 16).
Os fundamentos para a queda nos preços do milho são similares aos da soja, com os estoques de biocombustíveis atingindo recordes nos EUA. Além disso, sem maiores preocupações em relação à produção do cereal, uma oferta estável junto a um avanço menos intenso da demanda global estão pesando sobre os preços.
Os preços do trigo igualmente fecharam em alta.
A abundância na oferta do cereal se materializa com a boa colheita da Rússia, que foi confirmada pelo último relatório WASDE do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), onde se fez um ajuste para cima na estimativa de produção, para 91 milhões de toneladas (variação mensal de 1,1%).
Além disso, a notícia de que a Índia deve ter uma colheita recorde, de 114 milhões de toneladas, indica que o país aumentaria seus estoques sem a necessidade de importar, o que, ao mesmo tempo, enfraquece as perspectivas para a demanda pelo produto nos principais exportadores.





