Em baixa nesta terça-feira (dia 20), os índices futuros das ações não voltaram com fôlego do feriado de ontem, que celebrou o dia do presidente nos EUA. Com agenda econômica esvaziada hoje, se espera amanhã a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed).
Com resultados mistos na Europa, os investimentos nas ações testam hoje os sentimentos em relação às notícias de ajustes salarias na região. Após ajustes para cima serem anunciados na Alemanha, nos Países Baixos, na Espanha e na França, o movimento aqueceria a demanda em um contexto de decrescimento e estagnação na Zona do Euro. Porém, existe o receio que a inflação responda em movimento inverso ao visto nos últimos meses, e volte a aumentar. Desta forma, as próximas semanas serão de monitoramento nas tendências dos preços.
Por sua vez, a região da Ásia-Pacífico apresentou igualmente resultados mistos. Na China, a notícia do dia foi a redução, por parte do Banco Central, da taxa de juros de referência (LPR de cinco anos), que indexa os financiamentos imobiliários e hipotecas, passando de 4,20% para 3,95%. Já a taxa de referência de curto prazo (LPR de um ano), mais utilizada para consumo das famílias e empresas, continua em 3,45%.
No Brasil, o índice futuro do Ibovespa (IBOV) abriu em baixa hoje, em sentido contrário ao resultado do Ibovespa em dólar (EWZ), que abre com ganhos no mercado estadunidense. Localmente, é aguardada a reunião entre a Presidência e o Ministério da Fazenda do Brasil, para tratar a reoneração da folha de pagamentos. Também deve ser tratada a greve dos funcionários do Banco Central do Brasil, que nas próximas 48 horas fará uma paralização dada a insatisfação relacionada aos pedidos de reformulação das carreiras na instituição.
Em recuperação, os preços do complexo da soja fecharam com ganhos no último pregão noturno (dia 20).
Com preços instáveis, o crescimento da posição líquida dos fundos especulativos em soja se mantém já por nove semanas consecutivas. As perspectivas continuam mistas devido a possíveis perdas de potencial produtivo, que se misturam com o anúncio nos estoques para a safra 2024/25 feito pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) na semana passada.
Perspectivas de que a safra 2023/24 não sofreria perdas significativas no Brasil, também pesam nos sentimentos oscilantes do mercado.
Os preços do milho fecharam em alta após a volta do feriado.
Mesmo após o USDA ter indicado uma maior produção esperada para 2024/25, anúncios de que os mercados de biocombustíveis também cresceriam influenciaram na recuperação do cereal.
Nas últimas estatísticas divulgadas em Chicago, houve um aumento na posição líquida vendida nos contratos futuros do milho. Na segunda metade de fevereiro, se registrou a segunda maior quantidade já registrada de títulos negociados, ficando atrás somente do recorde de abril de 2019.
Em alta, os preços do trigo nos EUA apresentaram resultados positivos depois de uma semana de fortes recuos.
Na contramão, ontem, os futuros do trigo europeu atingiram as mínimas dos últimos dois anos e meio. Com o fechamento dos mercados estadunidenses na segunda-feira pelo feriado, as atenções se voltaram a Europa, que vem sofrendo a pressão de grandes estoques a da competição vinda do Mar Negro.
Em relação à oferta mundial, atualizações desde a Rússia indicaram que esperam 93 milhões de toneladas (comparadas às 91 milhões de toneladas projetadas pelo USDA), e que pelo aumento nos estoques locais, o Ministério da Agricultura estaria considerando aumentar a cota de exportações. Assim, a pressão nos preços continuaria nos próximos meses.







