Nos Estados Unidos, os principais índices com operações em Nova York iniciam a quarta-feira, 19 de março, com ganhos, em dia de agenda cheia. Há praticamente consenso que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter sua taxa básica de juros inalterada no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. O Comitê deve ressaltar uma postura cautelosa e paciente em seu comunicado, em linha com comentários recentes do presidente do Fed, Jerome Powell, defendendo que a instituição não deve ter pressa para cortar juros enquanto permanecer um cenário de incerteza e volatilidade sobre as condições econômicas. De toda forma, o balanço de riscos enfrentado pelo Federal Reserve parece mais adverso do que o observado em janeiro, ou seja, tanto os riscos de uma inflação mais persistente como os riscos de uma desaceleração do mercado de trabalho parecem ter se elevado. Isto, por sua vez, aumenta a importância das Projeções Econômicas Sumarizadas, que acompanharão a decisão do FOMC desta semana e informa as estimativas do Comitê para crescimento, desemprego, inflação e juros entre 2025 e 2027, em particular do gráfico de dispersão de pontos (“dot plot”) para a taxa de juros, que mostra como os integrantes do FOMC antecipam a evolução dessa taxa. Embora a maior parte das apostas no mercado futuro antecipe três cortes de juros em 2025, é provável que o dot plot reduza sua mediana de dois cortes para apenas um este ano. Dessa forma, a decisão do FOMC pode diminuir as apostas de investidores para a queda dos juros americanos, o que tende a valorizar o dólar globalmente.
Na região da Ásia e Pacífico, as bolsas encerraram o dia sem direção única, com os investidores atentos aos sinais dos mercados japoneses. Na Europa, os mercados encerraram o dia em sua maioria com perdas, de olho da decisão do Fed sobre a taxa de juros dos EUA.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia operando no campo positivo. No país, há também elevado consenso de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve elevar a taxa básica de juros (Selic) pela quinta vez consecutiva, de 13,25% a.a. para 14,25%, porém há dúvidas se o Comitê incluirá sinalização futura (“foward guidance”) em seu comunicado. Embora indicadores recentes tenham apresentado uma piora do quadro inflacionário brasileiro, o que mantém um pessimismo sobre as expectativas de inflação e tende a pressionar o Copom a adotar um ciclo mais rígido de altas da Selic, eles também apontaram para uma desaceleração da atividade econômica, o que pode estimular o Copom a ser mais cauteloso na condução da política monetária. A projeção mediana do Boletim Focus antecipa mais duas altas após a decisão desta semana, de 0,50 p.p. em maio e de 0,25 p.p. em junho. A possibilidade de desaceleração do ritmo de altas da Selic nos próximos meses, por sua vez, pode prejudicar a perspectiva de rentabilidade dos títulos denominados em reais e dificultar a atração de capitais estrangeiros, enfraquecendo o real. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados internacionais nesta manhã, acesse a Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os preços futuros permaneceram próximos da estabilidade nesta manhã. As estimativas de algumas empresas dos Estados Unidos não se alteraram em relação aos números divulgados anteriormente, em janeiro. No entanto, o número é menor em 1,5 milhões de hectares. O que pode estar ajudando a sustentar os preços da soja, mesmo em meio ao avanço da colheita de uma safra recorde no Brasil.
Os futuros do milho não apresentaram grandes alterações no pregão noturno, na Bolsa de Valores de Chicago. O mercado recebeu com animação a notícia de que a Turquia anunciara uma cota de importação de 1 milhão de toneladas de milho, que deve ser destinado para a produção de ração animal, conforme publicado no diário oficial turco na quarta-feira.
No entanto, as expectativas de maior plantio de milho nos Estados Unidos neste ano acabaram por limitar os ganhos do cereal.
Preços futuros do trigo subiam por mais uma sessão em Chicago, recuperando-se de perdas recentes e atingindo seus níveis mais altos em algumas semanas. Mas tiveram algumas perdas na abertura do pregão. Ainda assim, as cotações são impulsionadas pelas exportações em ritmo mais lento da Rússia, assim como o risco de possíveis danos às safras de inverno no Meio-Oeste dos Estados Unidos, devido ao clima quente que atinge a região.
O último relatório de condições de safra divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou um recuo das lavouras classificadas como boas ou excelentes desde a última semana.





