Nos Estados Unidos, os mercados operam com forças baixistas na manhã desta quinta-feira, 27 de março, à medida que o cenário externo vai se tornando novamente cauteloso e com certa aversão ao risco por conta das incertezas em relação às políticas tarifárias dos Estados Unidos e receios de que elas prejudiquem o dinamismo do país. O presidente americano, Donald Trump, anunciou inesperadamente ontem tarifas de importação de 25% sobre todos os veículos importados pelos EUA a partir de 03 de abril, bem como peças e componentes de automóveis a partir de 03 de maio. Investidores temem que essas tarifas, assim como as “tarifas de reciprocidade” prometidas para o dia 02 de abril, possam prejudicar o crescimento econômico americano e levar a retaliações de seus parceiros comerciais, uma espécie de “guerra tarifária” global. Durante o anúncio, Trump prometeu que essas tarifas serão permanentes, e que essas tarifas serão somadas a quaisquer outras tarifas que estejam em vigor. Nesse sentido, investidores também observam a terceira e última leitura do PIB americano para o quarto trimestre de 2024, que subiu discretamente sua taxa de expansão para 2,4% ante 2,3% na segunda estimativa, mas que perde importância ao refletir um cenário econômico que já se modificou substancialmente nos três primeiros meses de 2025. Esse ambiente de incertezas estimula uma postura de cautela por investidores, o que tende a prejudicar o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Na região da Ásia e Pacífico, as bolsas encerraram sua sessão sem direção única, enquanto, na Europa, a tendência é inteiramente negativa.
No Brasil, o índice futuro Ibovespa (IBOV) inicia o dia com ganhos, indo contrariamente à tendência nos mercados mundiais. No mercado doméstico, o foco deve recair sobre a inflação, com destaque para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – 15 (IPCA-15) de março, que apresentou aceleração de 0,64% no índice cheio, pouco abaixo da projeção mediana de 0,70%. Em fevereiro, vale lembrar, o IPCA-15 havia registrado alta de 1,23%, seu maior valor desde abril de 2022. Já o núcleo do indicador, que exclui componentes voláteis de alimentação e energia, mostrou aceleração de 0,40%, frente à alta de 0,65% em fevereiro. Embora o IPCA-15 tenha ficado abaixo da mediana das estimativas e abaixo do índice de fevereiro, o acumulado em 12 meses permanece acima de 5% (5,26% em março) e, portanto, distante do teto da meta de inflação de 4,5% do Banco Central (BC). Nesse contexto, ganha relevância também o Relatório de Política Monetária (RPM) do BC, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) e fornece a análise mais abrangente sobre o cenário de política monetária observado pelo órgão. No documento, chamou a atenção dos investidores que a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2025 passou para 70%, avanço em relação aos 50% estabelecido na estimativa de dezembro. Para 2026, essa probabilidade passou de 26% para 28%. Outro dado importante, que reforça o quadro desafiador para o Banco Central, é a revisão para baixo na projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 1,9%, refletindo “sinais incipientes” de desaceleração econômica. Em conjunto, essas informações sinalizam um cenário de pressões significativas para o BC ao longo do ano, particularmente quanto ao seu objetivo de estabilização de preços. Dessa forma, eleva-se a probabilidade de elevações adicionais na taxa básica de juros (Selic), o que tende a favorecer a atratividade dos títulos brasileiros, estimulando a entrada de capitais estrangeiros e fortalecendo o real.
Os preços da soja em Chicago se valorizam por mais uma sessão consecutiva, em meio a um sentimento de tensão entre os integrantes do mercado, devido às incertezas sobre quando passarão a valer as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos a alguns de seus principais parceiros comerciais, como os vizinhos México e Canadá. Na quarta-feira, 26 de março, foram divulgadas estimativas do Relatório de Perspectivas de Plantio e Posição Trimestral de Estoques que deve ser divulgado na próxima segunda-feira, 31 de março, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os dados apontaram para uma redução da área plantada de soja para o ciclo produtivo 2025/26, que podem ser confirmados ou não pelos dados oficiais na segunda-feira.
Os preços futuros do milho parecem ter se estabilizado na última seção e nesta, em Chicago, após uma baixa de três semanas nos preços. As estimativas para o relatório de área de plantio e estoques, referentes ao milho, apontam para um aumento da área plantada de milho para a safra 2025/26 no país, em relação a 2024/25, ao contrário do que se verificou para a soja.
Na quarta-feira, 26 de março, o Milho B3 fechou em baixa, ampliando uma sequência de quedas nas últimas sessões, com os preços no mercado físico perdendo força, atingindo quase R$85 para o contrato de maio/2025. O que se tem verificado são vendedores mais propenso a negociar o grão, enquanto o mercado, que se encontra abastecido, opta por não ir às compras, evitando elevar o patamar dos preços.
Os futuros do trigo também se recuperam, após acumularem algumas perdas nas últimas sessões. Mas seguem sem direção única, observando suas cotações nas principais praças em que o cereal é negociado. A flexibilização do dólar contribuiu para que os preços adquirissem caráter mais estável nas últimas sessões.





