Novamente, o cenário é de completa incerteza sobre a economia global, em meio às reações sobre as tarifas recíprocas impostas pelos Estados Unidos a uma série de países que possuem relações comerciais. Nos Estados Unidos, Europa, Ásia e para o Brasil, todas as bolsas apresentam quedas expressivas, estendendo as perdas acumuladas ao longo dos últimos dias. Na manhã de hoje, os temores de uma escalada do conflito comercial se intensificaram após o anúncio, por parte da China, da imposição de tarifas retaliatórias de 34% sobre todos os produtos originários dos Estados Unidos, com vigência a partir de 10 de abril. A medida foi uma resposta direta à decisão do governo norte-americano de adotar tarifas de “reciprocidade”, no dia 2 de abril, impondo uma sobretaxa de 34% a todas as importações provenientes da China, que se somam às tarifas previamente instituídas de 20% sobre produtos chineses. O Ministério das Finanças da China divulgou nota oficial afirmando que “a ação dos Estados Unidos não está em conformidade com as regras do comércio internacional, compromete gravemente os direitos e interesses legítimos e legais da China e constitui um exemplo típico de intimidação unilateral”. A intensificação das barreiras comerciais entre as duas maiores economias do mundo amplia os receios de desaceleração da atividade econômica global. Esse cenário, por sua vez, favorece ativos tradicionalmente considerados “portos seguros” em momentos de estresse e incerteza, como o euro, o iene japonês e o franco suíço. Tipicamente, a elevação da aversão ao risco afeta negativamente os ativos mais sensíveis, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, caso do real brasileiro.
Adicionalmente, os investidores acompanham com atenção a divulgação do Relatório de Emprego (“payroll”) nos Estados Unidos, que indicou a criação líquida de 228 mil novas vagas de trabalho em março, superando a mediana das estimativas de 137 mil vagas. Em contrapartida, a taxa de desemprego subiu de 4,1% em fevereiro para 4,2% em março, em linha com as projeções medianas. O resultado atenua os temores de que os dados pudessem reforçar a percepção de uma desaceleração mais acentuada do que o esperado no mercado de trabalho norte-americano, o que alimentaria as preocupações quanto à possibilidade de recessão no país ao longo do ano. Nesse contexto, o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, hoje, deve ser monitorado atentamente pelos agentes financeiros. A expectativa é de que sua fala traga pistas sobre a forma como a autoridade monetária interpreta a evolução dos principais indicadores econômicos, oferecendo indícios sobre os próximos passos da política monetária e como pode se posicionar diante da imposição de tarifas comerciais pelo governo Trump. Caso o pronunciamento de Powell e os dados futuros reforcem a hipótese de arrefecimento da economia norte-americana, devem crescer as apostas para novos cortes nos juros americanos, o que tende a exercer pressão de desvalorização sobre o dólar em âmbito global.
Os preços futuros da soja acumulam novas perdas na manhã desta sexta-feira (4), à medida que se observam as reações dos países atingidos pelas tarifas recíprocas impostas pelos Estados Unidos na quarta-feira (2).
A China anunciou tarifas adicionais de 34% aos produtos dos Estados Unidos exportados para o país asiático, como forma de retaliação aos impostos sobre as importações de origem chinesa. Uma resposta como esta por parte da China era exatamente o que o mercado temia, podendo trazer graves prejuízos às exportações dos grãos estadunidenses, incluindo a soja. Nesse contexto, o Brasil pode observar um aumento na demanda por seus produtos agrícolas.
Assim como se observa para a soja, no mercado do milho os temores dos agentes têm causado perdas extensas às cotações do cereal em Chicago. De acordo com o Ministério das Finanças da China, as tarifas adicionais sobre todos os produtos dos EUA passariam a valer a partir de 10 de abril.
Alguns traders ficaram aliviados devido ao fato de que o México não fora mencionado como alvo das tarifas adicionais, sendo este o principal destino das exportações de milho estadunidense, reduzindo os potenciais impactos negativos das medidas ao mercado. Ainda assim, as circunstâncias estão longe de um cenário de calmaria e otimismo.
O mercado do trigo não sofre os impactos da guerra comercial na mesma dimensão que os demais grãos, pois os Estados Unidos não é um importador de trigo. O risco de apresenta caso os maiores exportadores de trigo dos Estados Unidos optem por lançar medidas retaliatórias às suas importações de origem estadunidense, o que pode, então, trazer prejuízos ao comércio internacional de trigo dos Estados Unidos.
Apesar da China ter anunciado contratarifas de 34% às exportações dos EUA, já era esperado que o fluxo de exportações de trigo se reduzisse para este ano comercial, então os impactos da nova medida anunciada não devem ser tão graves para o trigo. Apesar da posição um pouco menos arriscada, o trigo também sofre com o cenário de incerteza global.




