Na terça-feira (08), os mercados mundiais mantêm o foco nos desdobramentos da guerra comercial instaurada em escala global, desde que o governo dos Estados Unidos decidiu impor tarifas rigorosas sobre as importações provenientes de dezenas de seus parceiros comerciais. O anúncio, feito na quarta-feira anterior (02), provocou reações imediatas por parte dos países afetados, que passaram a buscar negociações com o objetivo de reverter os impactos negativos sobre suas economias ou, alternativamente, a adotar medidas retaliatórias. As bolsas nos Estados Unidos, União Europeia e Ásia operam com ganhos nesta terça-feira (08), em um dia de recuperação dos mercados financeiros globais após três sessões de forte aversão ao risco e intensa volatilidade. Não há um motivo claro para essa recuperação. É possível que investidores acreditem que as tensões comerciais não continuarão escalando e a expressiva desvalorização de ativos arriscados nestes dias apresenta uma oportunidade para compra a um preço favorável. Adicionalmente, é possível que algumas notícias sobre o começo de conversas de negociações entre os EUA e alguns parceiros comerciais, como Japão, Vietnã e União Europeia, estejam gerando um otimismo de que uma “guerra tarifária” global possa ser evitada e que as tarifas americanas possam ser reduzidas, pausadas ou canceladas. De toda forma, ainda que as bases para essa recuperação do apetite por riscos pareçam frágeis, no momento, ela impulsiona o desempenho de ativos arriscados, como ações, comodities e moedas de economias emergentes, como o real. Para acompanhar com mais detalhes a atualização do cenário internacional de operações, acesse a Abertura de Câmbio.
À medida que o tempo passa, observa-se que os ânimos em torno das tarifas estadunidenses têm se acalmado em relação ao momento imediatamente posterior ao anúncio, permitindo uma leve recuperação dos futuros dos grãos em Chicago, como ocorre para a soja após uma sequência de sessões acumulando perdas. O Resumo Semanal de Soja traz mais detalhes sobre como o contexto atual tem influenciado a oleaginosa.
Ainda nesse contexto, em retaliação às políticas comerciais dos Estados Unidos, o governo chinês havia anunciado a aplicação de uma tarifa adicional de 34% sobre produtos importados do país norte-americano, com vigência a partir desta quinta-feira (10). Em resposta, o presidente dos Estados Unidos ameaçou impor novas tarifas de até 50% sobre as importações chinesas, caso as medidas retaliatórias não sejam revertidas. Paralelamente, a China poderá enfrentar maior concorrência por parte de outros grandes compradores, como a União Europeia e o México, interessados na soja sul-americana. Caso esses mercados também adotem sanções contra os Estados Unidos, é possível que redirecionem suas compras para fornecedores alternativos, como Brasil e Argentina. Tal movimento tende a aumentar a demanda por grãos na América do Sul, pressionando seus preços internos.
Os futuros do milho também demonstram sinais de recuperação na manhã desta terça-feira (08), acompanhando um movimento mais amplo de recuperação entre os mercados financeiros em geral, à medida que os investidores avaliam o cenário e as possibilidades de negociação para as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos seus parceiros comerciais. A cotação mais fraca do dólar torna as exportações estadunidenses um pouco mais competitivas no mercado internacional, aliviando um pouco da pressão imposta pelas tarifas.
O Resumo Semanal de Milho traz mais detalhes sobre como o contexto atual tem influenciado os futuros do grão.
No mercado do trigo, um pouco menos impactado pela guerra comercial do que os demais grãos, os preços futuros se valorizam, recebendo suporte do enfraquecimento do dólar e de riscos climáticos às regiões produtoras da sua safra de inverno nos Estados Unidos. De acordo com o boletim do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 48% do trigo de inverno era classificado como bom ou excelente, pouco acima das expectativas dos analistas.
O Resumo Semanal de Trigo traz mais detalhes sobre como o contexto atual tem influenciado o mercado do cereal.




