Em sessão de agenda econômica esvaziada, investidores aguardam pela divulgação da prévia do índice de confiança do consumidor dos Estados Unidos de maio, após a sequência recente de sinais negativos para indicadores de consumo no país. A expectativa mediana projeta que o indicador deve permanecer ao redor de 53 pontos, um desempenho na linha do observado em abril, quando atingiu 52,2 pontos, seu menor valor desde meados de 2022. Ontem, cabe ressaltar, os receios de uma desaceleração mais rápida no mercado doméstico americano acentuaram-se após a divulgação de dados mais fracos para vendas no varejo do país. Dessa forma, a possível divulgação de números mais fracos para a confiança do consumidor, que foi um dos principais pilares do crescimento econômico no ano passado, pode elevar o receio entre investidores de uma recessão do país e resultar em maior aversão a riscos globalmente, o que tende a contribuir com o recuo no desempenho de ativos arriscados como ações, commodities e moedas de países emergentes, como o real.
Adicionalmente, investidores seguem monitorando novas preocupações de âmbito fiscal no Brasil, após reportagens de imprensa afirmarem, ontem, que o governo brasileiro prepara um conjunto de medidas para alavancar a sua popularidade. Entre as medidas estudadas, estariam um novo Vale Gás, linhas de crédito para entregadores de aplicativo e para reforma de moradias. Na sequência, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, procurou negar a existência dessas medidas, afirmando que qualquer iniciativa do Executivo estará dentro do Orçamento e que o governo estuda algumas medidas para 2025, porém que elas seriam “pontuais” e que buscariam tanto limitar o nível de despesas federais quanto ampliar a base de arrecadação. Caso novas notícias relacionadas ao tópico voltem a ser divulgadas, o pessimismo entre investidores pode se intensificar, prejudicando o desempenho da moeda brasileira. Para acompanhar os desdobramentos dos temas, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja encerraram o pregão noturno desta sexta-feira (16) com novas baixas, ainda pressionados pela fraqueza no mercado dos biocombustíveis. O óleo de soja de Chicago ampliou suas perdas, tendo atingido seu limite mínimo diário na sessão anterior.
Conforme melhor explorado no Boletim Diário de Óleos Vegetais, o cenário de grande volatilidade é causado pelas incertezas em torno da política de incentivos à produção de biocombustíveis nos Estados Unidos. A instabilidade é acentuada pela circulação de rumores, na ausência de informações oficiais por parte das agências responsáveis.
Os preços futuros do milho iniciaram a sexta-feira sem direção definida. Apesar de algumas quedas pontuais, o mercado parece receber incentivos de uma forte demanda emergente associada a perspectivas de fornecimento favoráveis.
Na B3, os contratos foram avaliados com desvalorização na quinta-feira (15), após elevação da estimativa de produção brasileira, divulgada pela Conab em seu relatório mensal publicado ontem.
Os preços do trigo também não apresentam direção única em suas operações na manhã desta sexta-feira (16), tendo caído em relação à máxima semanal atingida anteriormente. O trigo enfrentou baixas históricas recentemente, tendo atingido seus valores mínimos dos últimos cinco anos, mas parece ter apresentado alguma recuperação a partir de sinais de aumento na demanda de exportação. Preocupações relacionadas ao clima quente e seco que atinge algumas províncias produtoras de trigo na China também ajudaram a dar algum suporte.




