Os mercados internacionais operam com elevada apreensão na manhã desta quinta-feira (22), muito em decorrência da aprovação do projeto de Orçamento de Trump na Câmara dos Deputados dos EUA, o que mantém investidores em alerta com riscos fiscais no país. O projeto aprovado pela Câmara tende a adicionar trilhões de dólares à dívida pública norte-americana na próxima década, alimentando a apreensão dos investidores em relação à sustentabilidade das contas nacionais. O aumento da percepção de risco em relação à economia norte-americana tende a intensificar o movimento de aversão ao risco entre os investidores, favorecendo o fortalecimento de moedas tradicionalmente consideradas "portos seguros", como o iene japonês, o euro e o franco suíço, ao passo que pressiona negativamente as moedas de economias emergentes, como o real brasileiro.
No Brasil, investidores acompanham divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, seguida de falas de autoridades econômicas. A divulgação do Relatório Bimestral de Receitas e Despesas do segundo bimestre de 2025 pode sinalizar bloqueios no Orçamento como forma de assegurar o cumprimento da meta fiscal estabelecida para 2025, conforme as diretrizes do novo arcabouço fiscal. O documento, que orienta a execução orçamentária federal, será publicado às 14h30, seguido de entrevista coletiva dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento). A presença dos dois ministros na divulgação do relatório, inédita até então, é interpretada pelo mercado como um indicativo de possível adoção de medidas para contenção de gastos. Em entrevista, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que as ações têm caráter recorrente e se assemelham às adotadas em julho de 2023, visando atacar gargalos tanto na arrecadação quanto nos gastos. Caso haja a adoção de congelamentos significativos no Orçamento, o anúncio deve elevar a percepção de compromisso do governo com a disciplina fiscal, o que tende a reduzir a percepção de risco e favorecer o desempenho do real. Por outro lado, a sinalização de medidas mais brandas ou insuficientes pode acentuar a cautela dos investidores no âmbito fiscal, impactando negativamente o mercado cambial e os ativos domésticos. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja recuam na manhã desta quinta-feira (22), após acumularem ganhos pelos últimos três dias consecutivos. Em geral, o dólar mais fraco, os preços do petróleo bruto em queda, e as condições de safra, em geral, mais favoráveis, contribuíram para a limitação dos ganhos do setor.
O cenário observado nesta manhã é um tanto quanto apreensivo. Na noite de ontem, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou um amplo projeto de lei, que abrange medidas fiscais e de gastos públicos que implementam grande parte da agenda política de Trump. O recuo nos preços do óleo de soja, observados nesta manhã, se relacionam ao temor de que a possível redução no financiamento público para iniciativas de energia limpa pode afetar o desenvolvimento do programa de biocombustíveis, embora o projeto não tenha sido citado diretamente no texto aprovado.
No mercado do milho o movimento dos preços é semelhante ao observado para a soja. Os preços futuros recuam nesta manhã, após três dias de ganhos.
No Brasil, as estimativas indicam um recorde produtivo para a safrinha de milho. A produção é estimada em 112,9 milhões de toneladas, um crescimento de 10,5% em relação à colheita do último ciclo.
Os preços futuros do trigo enfrentam maior oscilação na manhã desta quinta-feira (22), após rali de posições vendidas nas últimas sessões. Os operadores passam a ver ameaças limitadas às safras de trigo de inverno que se desenvolvem no Hemisfério Norte, apesar de observarem algumas condições climáticas adversas pontualmente.
Por outro lado, a seca que atinge algumas províncias produtoras de trigo na China pode ajudar a dar suporte aos preços por mais algum tempo.



