No cenário internacional, EUA e China fecham “acordo preliminar” para remover controles de exportação. Autoridades americanas e chinesas concordaram com uma estrutura básica para implantar o “Consenso de Genebra” e remover os controles de exportações entre os países. O acordo sinaliza um progresso contínuo, embora lento, para a suavização das tensões comerciais entre as duas maiores economias globais, o que pode reduzir receios de uma desaceleração mais intensa do crescimento de ambas. Embora mais detalhes sejam necessários, o aparente progresso nas discussões entre Estados Unidos e China tende a diminuir receios de uma desaceleração econômica em ambos e ampliar o apetite por riscos de investidores, o que contribui para uma queda da taxa de câmbio do real.
Ainda, a inflação nos EUA vem abaixo do esperado em maio. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos de maio mostrou desaceleração da inflação no país, com alta abaixo do esperado tanto para o índice cheio quanto para seu núcleo. O resultado contraria as expectativas de que as tarifas de importação implementadas pelo governo americano desde abril fossem impulsionar os níveis de preços no mês. Ao mostrar um ritmo abaixo do esperado para a inflação em maio, o indicador contribui para as apostas de possíveis cortes de juros mais cedo pelo Federal Reserve, ao mesmo tempo em que diminui a perspectiva de que o "choque tarifário" implementado por Trump fosse impulsionar a inflação do país no curto prazo. Isso, por sua vez, contribui para a diminuição do rendimento dos títulos do Tesouro americano e tende a prejudicar o valor do dólar globalmente. A leitura mais moderada para a inflação nos EUA deve reforçar apostas de investidores de que o Federal Reserve pode realizar novos cortes de juros mais cedo do que o esperado, o que pode prejudicar a atração de recursos estrangeiros para os Estados Unidos e contribuir para o enfraquecimento global do dólar, o que tende, por sua vez, a favorecer o desempenho do real. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados nesta quarta-feira (11), acesse a Abertura de Câmbio.
O mercado de grãos opera, mais uma vez, pressionado pelas perspectivas favoráveis para as safras nas principais regiões produtoras ao redor do mundo. No caso da soja, o avanço das negociações entre os Estados Unidos e China deu suporte aos futuros da oleaginosa, com ambos os países concordando com a estrutura proposta para recolocar a trégua comercial, que impacta as transações em praticamente todo o globo. Com isso, os preços futuros da soja iniciam a quarta-feira (11) com ganhos.
Além disso, o mercado também volta sua atenção à divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que deve ser divulgado amanhã.
Os preços futuros do milho também iniciaram o dia operando no campo positivo, apesar das perspectivas de uma ampliação da oferta, com indicativos favoráveis em meio ao plantio nos Estados Unidos e a colheita robusta do milho safrinha no Brasil. O momento de baixa que o cereal vinha enfrentando, perto das mínimas dos últimos seis meses, incentivou novas compras técnicas dos investidores, o que tem servido como estímulo momentâneo aos preços.
No mercado físico brasileiro, os preços vêm sendo pressionados nos últimos dias, com queda média de 1,54% nas cotações, de acordo com o CEPEA. Apesar da demanda crescente, tanto interna como externamente, o mercado ainda segue incerto de onde virão esses volumes que serão comercializados.
O movimento observado para o mercado do trigo se assemelha um pouco ao que ocorre com o milho. Os preços futuros do trigo vinham acumulando perdas desde o início da semana, até que o patamar mais baixo das cotações estimulou novas compras técnicas entre os investidores. Apesar dos ganhos momentâneos, as perspectivas favoráveis para a produção mundial continuam limitando os ganhos para este mercado.
Alguns traders afirmam com que, de fato, não há muito que faça os preços do trigo se recuperarem no momento, considerando os fundamentos do mercado neste momento, que indicam para uma safra satisfatória para o cereal, até o momento.






