No cenário internacional, recuo do dólar reflete aumento das incertezas institucionais nos EUA. De maneira geral, o movimento de aversão à moeda americana reflete o aumento das incertezas institucionais após o início do mandato de Donald Trump, em meio à falta de clareza em sua política comercial e aos temores quanto à condução fiscal e monetária. Nesta manhã, o Senado americano seguia empenhado na votação da nova proposta orçamentária apresentada por Donald Trump, em uma sessão que se estendeu da segunda-feira pela madrugada até esta terça. Segundo estimativas do Congressional Budget Office (CBO), a proposta elevaria o endividamento público em US$ 3,3 trilhões no próximo ano. Mesmo que seja aprovada no Senado, a medida ainda enfrentará votação na Câmara dos Representantes, onde as revisões precisam ser ratificadas.
Ainda, investidores permanecem atentos à divulgação de novos dados econômicos dos EUA. Em meio ao aumento das incertezas sobre a resiliência da economia americana, investidores reavaliam as expectativas quanto à condução da política monetária pelo Federal Reserve, aumentando as apostas de que o órgão pode adotar mais cortes de juros do que o previsto inicialmente. Nesta terça-feira, os mercados acompanham com atenção a divulgação da Pesquisa de Abertura de Vagas (JOLTS) referente a abril e o Índice de Gerente de Compras (PMI) industrial de junho, divulgado pelo ISM. Além das incertezas institucionais, a crescente preocupação com a robustez da atividade econômica nos Estados Unidos tem prejudicado o dólar e contribuído para o fortalecimento de moedas emergentes, como o real.
No Brasil, governo deve questionar derrubada do IOF no STF. Nesta manhã, segundo notícias, o governo decidiu entrar com a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a derrubada do decreto que aumentou as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A anulação do aumento do IOF aumenta as incertezas quanto ao atingimento das metas fiscais ao impossibilitar um aumento de receitas para o governo. Adicionalmente, o embate entre Executivo e Legislativo revela que a capacidade de articulação política do governo está prejudicada, o que pode dificultar o avanço de outras pautas prioritárias do Palácio do Planalto. Para acompanhar os assuntos que movimentam os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Os preços futuros da soja encerraram o pregão noturno desta terça-feira (01) com algumas quedas, depois que o relatório de condições de safra divulgado na tarde de ontem (30) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou uma estabilidade para as condições de safra da soja em desenvolvimento no país.
Além disso, as estimativas trimestrais dos estoques estadunidenses também reforçaram a pressão sobre o mercado, ao serem informadas acima das expectativas dos analistas.
Preços futuros do milho operam no campo negativo na manhã desta terça-feira (01), enquanto agentes repercutem as excelentes condições das lavouras nos Estados Unidos. O relatório de condições de safra do USDA informou que as condições do milho nos EUA são as melhores desde 2018, um indicativo de bons rendimentos para a safra no país, caso o cenário se mantenha positivo pelos próximos meses. A notícia, no entanto, reforça as expectativas de ampla oferta para o cereal, o que acaba pressionando os futuros do milho em grande medida.
No Brasil, os principais contratos continuaram recuando, em decorrência do avanço da colheita do milho safrinha no país e da intensa desvalorização do dólar.
Os preços do trigo, por sua vez, iniciaram o dia recuperando parte das suas perdas nos dias anteriores, mas ainda sem muita força. A fraqueza do dólar no mercado internacional ajudou a sustentar as negociações, ao mesmo tempo que o avanço da colheita nos países produtores no Hemisfério Norte atua no sentido contrário, buscando limitar os ganhos.






