No cenário internacional, Trump anuncia tarifas de 50% sobre o Brasil. Tarifas dessa magnitude podem prejudicar severamente as exportações brasileiras, visto que os EUA são, atualmente, o segundo maior destinos das exportações nacionais. Isto representaria uma redução na entrada de moeda estrangeira, o que tende a desvalorizar o real. Adicionalmente, a decisão eleva a imprevisibilidade e a percepção de riscos para investimentos em ativos brasileiros, o que afasta investimentos estrangeiros e, igualmente, tende a desvalorizar o real.
Ontem, após o horário de pregão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou inesperadamente tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Trump atribuiu sua decisão aos processos judiciais “injustos” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, às “ordens [judiciais] de censura secretas e ilegais às plataformas de mídia social dos EUA” e por “ataques contínuos aos negócios digitais de empresas americanas”. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, disse que o Brasil vai equiparar qualquer aumento unilateral de tarifas com base na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada há três meses.
No Brasil, IPCA desacelera pelo quarto mês consecutivo em junho, mas estoura teto da meta de inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,24% em junho, consolidando a quarta desaceleração mensal consecutiva de seu índice cheio. Apesar do recuo, o acumulado em 12 meses continua acima do teto da meta de inflação estipulada pelo Banco Central (BC), de 4,5%, ao atingir 5,35%. Com isso, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, deverá encaminhar uma carta explicando os motivos do descumprimento da meta, conforme nova metodologia adotada este ano, que exige tal justificativa sempre que o índice ultrapassar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. A desaceleração do IPCA ajuda a reduzir as preocupações dos investidores quanto à trajetória da inflação no Brasil, o que pode aliviar a expectativa de manutenção prolongada da taxa Selic em patamares elevados. Por outro lado, os riscos inflacionários seguem relevantes, o que limita as perspectivas para um ciclo mais de flexibilização monetária no curto prazo. Para acompanhar de forma mais completa os temas que movimentam os mercados, acesse a Abertura de Câmbio.
No mercado da soja, os preços futuros recuam nesta manhã, devido à pressão causada pela oferta elevada, em decorrência da grande safra colhida no Brasil e das perspectivas de colheita ampla para a safra que se desenvolve nos Estados Unidos também.
Além disso, as incertezas relacionadas à política tarifária de Donald Trump também se refletem em um cenário instável no mercado de grãos. A tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre as exportações brasileiras, por exemplo, não tem efeitos direitos sobre o comércio de soja, mas pode ter respingar na dinâmica comercial por meio de oscilações cambiais.
No mercado do milho, observa-se um movimento semelhante ao que se verifica para a soja nesta manhã, com os mercados operando em queda, aproximando-se das mínimas de alguns meses. As expectativas dos analistas se voltam agora para a divulgação do Relatório Mensal de Estimativas de Oferta e Demanda (WASDE) do USDA, prevista para a sexta-feira (11).
No Brasil, os preços do milho receberam alguma sustentação devido ao atraso na colheira do milho safrinha no país.
Os preços futuros do trigo sobem na manhã desta quinta-feira (10), em meio às perspectivas de uma oferta mais apertada na Rússia. O progresso da colheita da safra de inverno ainda é um pouco lento no país, que é o maior exportador mundial do cereal, o que tem contribuído para limitar a disponibilidade do trigo no mercado internacional.
Além disso, os agricultores russos ainda se encontram relutantes em suas vendas, o que força os exportadores a adotarem preços mais elevados, em uma tentativas de garantir o fornecimento aos navios.






