No cenário internacional, o PIB do segundo trimestre e novos dados de emprego nos EUA reforçam percepção de resiliência da economia americana. A primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao segundo trimestre apontou crescimento anualizado de 3,0%, após retração de 0,5% no trimestre anterior. Em paralelo, o relatório de emprego privado do mês de julho, divulgado pelo instituto ADP, indicou criação de 104 mil novas vagas, superando tanto a expectativa mediana de 77 mil quanto o resultado negativo de junho, quando houve fechamento de 33 mil postos. A divulgação de dados mais fortes para o mercado de trabalho e crescimento para o país reforça a percepção de resiliência da economia americana, o que tende a favorecer as apostas de que o Federal Reserve não deve ter pressa para realizar novos cortes de juros e a fortalecer o dólar.
Ainda, O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve (Fed) deve manter sua taxa de juros inalterada em sua decisão, no intervalo entre 4,25% e 4,50% a.a. Tanto o comunicado da decisão como a entrevista coletiva de Jerome Powell, presidente do Fed, devem sinalizar que o FOMC não tem pressa para cortar juros, diminuindo apostas por novos entre investidores e valorizando o dólar globalmente. Após reduzir os juros em 1,00 p.p. em 2024, o Federal Reserve tem adotado uma postura cautelosa e mantido os juros estáveis em 2025 por conta do ritmo intenso de mudanças do governo em áreas como comércio exterior, imigração, política fiscal, política energética, regulamentação dos negócios, estrutura da administração federal e diplomacia, com dúvidas importantes sobre os possíveis impactos dessas políticas.
No Brasil, há consenso entre investidores de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deverá manter a taxa básica de juros (Selic), permanecendo em 15,00% ao ano. A expectativa de que o comunicado oficial da decisão reforce a sinalização de manutenção da Selic em patamar elevado por período prolongado tende a elevar as projeções de retorno dos títulos públicos brasileiros. Esse movimento tende a favorecer a atratividade dos ativos brasileiros, contribuindo para a valorização do real. Para acompanhar os temas que movimentam os mercados internacionais, acesse a Abertura de Câmbio.
Preços futuros da soja iniciam a quarta-feira (30) registrando algumas perdas, pela quarta sessão consecutiva, enquanto a manutenção das condições climáticas favoráveis continua sendo fator de pressão sobre o mercado. Ao mesmo tempo, os fracos estímulos à demanda aprofundam o momento baixista para as cotações da oleaginosa em Chicago.
As previsões de temperaturas mais amenas e chuvas pontuais na região do Meio-Oeste reforçam as perspectivas de uma grande colheita de soja nos Estados Unidos para a nova safra.
No mercado do milho, os contratos futuros mais ativos na Bolsa de Chicago encerraram o pregão noturno desta quarta-feira (30) em direções mistas, possivelmente influenciado pelas incertezas em torno da política comercial estadunidense, agora que se aproxima o dia 1º de agosto, e devem passar a valer as tarifas de importação impostas pelo presidente Donald Trump a uma série de parceiros comerciais dos EUA.
Ainda nesse sentido, autoridades estadunidenses e chinesas firmaram um acordo em estender a trégua tarifária por mais 90 dias, após uma rodada de negociações em Estocolmo.
No mercado do trigo, os preços futuros apresentaram novas desvalorizações nesta manhã, enquanto a colheita da safra de inverno no Hemisfério Norte e a demanda global ainda enfraquecida continuam a pressionar o mercado.
O anúncio recente de uma compra de 220.000 toneladas de trigo pelo governo de Bangladesh contribuiu para trazer um pouco de ânimo ao mercado, em meio à baixa sazonal que tem sido observada.






