No cenário internacional, a sessão desta quarta-feira teve início com mais uma rodada de desvalorização do dólar em âmbito global, ampliando as perdas acumuladas desde o início do atual mandato do presidente Donald Trump. A recente fraqueza da moeda americana reflete o aumento das incertezas institucionais e econômicas que afetam os Estados Unidos, intensificadas nos últimos dias por novos sinais de desaceleração da atividade, pela expectativa de início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve e por declarações e ações controversas do presidente Trump em relação a instituições centrais do país. O aumento das incertezas em múltiplas esferas, política, econômica e institucional, combinado à perspectiva de redução da taxa de juros nos Estados Unidos, eleva o risco associado aos ativos americanos e reduz a atratividade dos títulos públicos do país. Esse cenário tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas, especialmente aquelas de países com juros mais elevados, como o Brasil, favorecendo o desempenho do real.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar, na manhã desta quarta-feira, o plano de contingência destinado a apoiar os setores econômicos mais afetados pelas novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Na véspera, o presidente antecipou que o pacote incluirá uma linha de crédito estimada em R$ 30 bilhões, contemplando medidas como compras governamentais de produtos não exportados e exigência de conteúdo nacional em mercadorias produzidas no país. A equipe econômica tem reiterado que as ações propostas não implicarão em gastos fora do marco fiscal vigente, com possibilidade de uso de crédito extraordinário, sem comprometer o resultado primário. Caso o plano seja bem recebido e de fato não implique em riscos adicionais ao cenário fiscal, o real pode se beneficiar de uma redução nas percepções de risco com relação a ativos domésticos. Por outro lado, se o plano reforçar preocupações sobre o equilíbrio fiscal, poderá intensificar o pessimismo entre investidores e pressionar negativamente a moeda brasileira. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados neste dia, acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em alta
Preços futuros da soja operam em alta na manhã desta quarta-feira (13), enquanto os investidores repercutem os dados divulgados no relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O contrato futuro de novembro/2025 – o mais ativo em Chicago no momento – avançou 11,25 pontos no pregão noturno, encerrando a sessão avaliado em 1044 cents/tonelada.
Em suas estimativas, o USDA informou a previsão de uma colheita reduzida para a soja nos EUA, o que contribuiu para que os preços da soja estendessem ganhos sólidos até a abertura de mercado nesta quarta-feira (13). A redução estimada para a produção é consequência de um redirecionamento de grande parte da área plantada para a cultura do milho. Ainda assim, a produtividade estimada continua em níveis recordes.
Milho em alta
No mercado do milho, as cotações parecem ter se estabilizado na manhã desta quarta-feira (13), após quedas de mais de 3% após a divulgação do relatório WASDE pelo USDA na tarde de ontem. O mercado foi pego de surpresa por projeções de uma safra recorde de milho para os EUA na temporada 2025/26, superando as expectativas já otimistas de analistas do mercado.
O relatório também trouxe um aumento na meta de exportação, mas que não foi suficiente para conter as quedas causadas pela produção estimada em mais de 420 milhões de toneladas.
No Brasil, os preços do milho também recuaram após a relatório WASDE, com o agravante de uma taxa de câmbio mais baixa - ou seja, uma valorização do real em relação ao dólar - de modo que o produto brasileiro se torna menos competitivo no mercado internacional. O cenário reforça a necessidade de incentivos à demanda interna, para dar algum suporte aos preços.
Trigo em alta
No caso do trigo, as estimativas do USDA confirmaram as expectativas que já pairavam sobre o mercado de uma safra abundante para o cereal. Com isso, os contratos futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) atingiram novas mínimas de cinco anos, com a forte pressão da oferta pairando sobre o mercado.
As perspectivas de safras recordes para outros grãos concorrentes reforçam ainda mais as tendências baixistas para o trigo.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.