No cenário internacional, as vendas do varejo americano crescem em linha com as expectativas. As vendas do varejo americano cresceram 0,5% em julho, levemente abaixo do aumento de junho (0,9%) e em linha com a mediana das expectativas de analistas (0,5%). As vendas do chamado grupo de controle, que exclui as vendas de alimentos fora do domicílio, automóveis, combustíveis e materiais de construção para tentar refletir de modo mais fiel a demanda dos consumidores, cresceram 0,5% em julho, um pouco acima do aumento do mês de junho (0,2%) e da mediana das estimativas dos analistas (0,3%). Desde o “choque tarifário” promovido pela Casa Branca em abril, investidores permanecem preocupados com a possibilidade de uma desaceleração da economia americana simultaneamente a uma aceleração da inflação do país. Ao vir em linha com as estimativas, as vendas do varejo sugerem que a demanda dos consumidores permanece resiliente e cresce a um ritmo moderado, sem sugerir um enfraquecimento mais significativo da economia.
Além disso, investidores também monitoram nesta sexta-feira notícias a respeito do encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, no Alasca para discutir a guerra na Ucrânia. Este é o primeiro encontro entre presidentes dos dois países desde junho de 2021. O encontro entre os dois líderes possui potencial de afetar a percepção de riscos geopolíticos de investidores e influenciar o mercado financeiro global. Caso o encontro não consiga avançar na possibilidade de um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia, ou caso resulte em uma proposta que seja considerada mais favorável à Rússia que à Ucrânia, ele pode piorar a percepção de riscos de agentes e resultar em maior aversão ao risco, o que tende a prejudicar o real. Por outro lado, caso o encontro resulte em uma proposta de cessar-fogo vista como equilibrada ou favorável à Ucrânia, o efeito deve ser o oposto. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados internacionais nesta sexta-feira (15), acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em alta
No mercado da soja, os preços futuros encerraram o pregão noturno desta sexta-feira (15) no campo positivo, na Bolsa de Valores de Chicago (CBOT). Os preços da oleaginosa ainda operam sob influência das colocações feitas no relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O WASDE, como é denominado este relatório, apontou um rebaixamento da perspectiva de produção do grão nos Estados Unidos para esta safra, justificado por uma substituição da área plantada de soja por milho.
Por outro lado, o relatório de vendas semanais do USDA, publicado na manhã de ontem (14) apontou um volume de vendas acima do que era esperado por analistas, na semana encerrada em 7 de agosto. No entanto, a ausência da China entre os compradores levantou preocupações entre os investidores desse mercado.
Milho em alta
O mercado do milho também opera com ganhos na manhã desta sexta-feira (15), revertendo parte das perdas acumuladas ao longo da semana. No entanto, a recuperação momentânea não deve ser suficiente para restaurar a desvalorização semanal, causada pelo reforço às expectativas de uma safra recorde de milho nos Estados Unidos, na presente temporada, de acordo com o relatório de oferta e demanda do USDA, divulgado na terça-feira (12).
No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) informou na manhã de ontem (14) que a estimativa brasileira de trigo para a safra 2024/25 deve ficar na casa das 137 milhões de toneladas, um aumento de 5 milhões de toneladas em relação à estimativa do mês anterior.
As perspectivas de excesso de oferta global de milho deve ser importante fator de pressão sobre as cotações do milho nas próximas semanas, o que pode ter efeito positivo sobre vendas líquidas de exportação, conforme verificado no relatório semanal de vendas de exportação do USDA, indicando que as vendas na semana encerrada até o dia 7 de agosto ficaram próximas do limite de superior da faixa de estimativas comerciais.
Trigo em alta
No mercado do trigo, os preços também registram ganhos no pregão noturno desta sexta-feira (15), apesar dos fundamentos do mercado apontarem para uma conjuntura baixista para o mercado, devido à oferta global abundante para o segmento. Os ganhos nesta manhã podem estar relacionados a uma tentativa de ajuste do mercado, que opera próximo das suas mínimas de cinco anos.
Por outro lado, os preços baixos podem estimular as vendas semanais, mesmo em momento de aparente ausência de demanda.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.