No cenário internacional, mercados devolvem parte dos movimentos de sexta-feira. Em um dia de poucos indicadores, os mercados financeiros globais realizam lucros após o forte rali de ativos arriscados na sexta-feira passada (22). Essa movimento, por sua vez, foi resultado discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, que indicou a possibilidade de cortes de juros pelo Fed em setembro. O movimento de correção recupera parcialmente o valor global do dólar e diminui levemente o apetite de investidores por riscos, o que tende a prejudicar o desempenho do real. Em fala no importante Simpósio Anual de Política Monetária de Jackson Hole, Powell sugeriu que uma redução do nível de juros pode ser apropriada a partir de agora por conta “[d]o cenário-base para as perspectivas econômicas e [d]a mudança no balanço de riscos” para o duplo mandato do Fed, de estabilidade de preços e máximo emprego. Isso solidificou as apostas de investidores por cortes de juros pelo Fed em sua decisão de 17 de setembro, reduzindo a perspectiva de rendimentos de títulos americanos, enfraquecendo o dólar globalmente e impulsionando o desempenho de ativos arriscados, como ações, commodities e moedas de economias emergentes, como o real. Hoje, investidores de mercados financeiros globais corrigem alguns excessos e realizam lucros, resultando em uma valorização discreta do dólar, uma queda de bolsas europeias, um aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano (“Treasuries”) e uma leve pressão de alta sobre a taxa de câmbio real. Para acompanhar com mais detalhes os temas que movimentam os mercados nos próximos dias, acesse a Abertura de Câmbio.
Soja em alta
A soja em Chicago iniciou a segunda-feira próxima da estabilidade, com o contrato de novembro/25 avaliado em US$ 10,60/bushel, após atingir máximas de dois meses na sexta-feira (22).
O mercado reage às isenções concedidas pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) às pequenas refinarias dos Estados Unidos, o que pode reduzir a demanda por biodiesel à base de soja. Segundo analistas do mercado, a medida foi mais ampla que o esperado, mas ainda há incerteza sobre seus efeitos práticos, o que dificulta a precificação do mercado atualmente. Além disso, não há sinais concretos de compras chinesas, apesar dos rumores recentes, o que mantém o mercado operando em compasso de espera.
Milho em alta
O milho em Chicago abriu o dia em alta de, com o contrato de dezembro/25 cotado a US$ 4,14/bushel. O movimento de valorização foi sustentado pelos resultados do Pro Farmer Crop Tour, que indicaram uma colheita nos Estados Unidos abaixo das estimativas do USDA. Esse dado trouxe suporte imediato aos preços, já que sugere oferta menos abundante do que estava sendo inicialmente esperado pelas fontes oficiais do mercado.
No entanto, apesar dos corte na revisão, a consultoria ainda projeta uma safra recorde de milho nos EUA, o que tende a manter a oferta elevada e limitar ganhos mais expressivos nas cotações. Desse modo, o mercado deve seguir avaliando até que ponto essa diferença entre as projeções pode influenciar o balanço global de oferta e demanda do milho.
Trigo em alta
O trigo em Chicago também começou o dia em alta, sendo negociado a US$ 5,30/bushel para seu vencimento de dezembro/25. O movimento reflete expectativas de maior demanda de exportação para o trigo americano, especialmente em um cenário em que os preços no Mar Negro permanecem relativamente firmes, mesmo com a entrada da nova safra da região.
Essa firmeza nos preços do Mar Negro melhora a competitividade do trigo dos EUA em alguns mercados, reforçando o sentimento positivo. Ainda assim, analistas destacam que as vendas externas americanas para destinos não tradicionais ainda não apresentaram grandes avanços, o que adiciona volatilidade ao mercado e limita avanços mais consistentes nas cotações.
TABELAS E INDICADORES
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro.
Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.