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Comentário de mercado | Açúcar

By: Marcelo Bonifacio, Market Intelligence Analyst

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Governo da Índia autoriza importações de açúcar

Visão do analista | Por Marcelo Di Bonifacio Filho

Após os rumores do início da semana, o governo da Índia autorizou oficialmente uma cota de importação de açúcar de 1,0 milhão de toneladas, a serem entregues até o dia 31 de outubro de 2026, isenta de tarifas. A decisão se apoia principalmente no aumento acelerado dos preços domésticos, que desde o início das monções saíram de 4.100 rúpias/quintal para 6.400 rúpias/quintal em Kolhapur (Maharashtra), valorização de 56%, renovando recordes dia após dia.

Os estoques de passagem em 31 de setembro de 2025 já se posicionavam em patamares historicamente baixos, em apenas 4,9 milhões de toneladas, o equivale a 2 meses de consumo. A temporada 25/26 viu aumento da oferta açucareira, mas aquém do esperado pelo mercado. Esperava-se que (sem importações) a Índia poderia chegar ao final de setembro de 2026 com estoques próximos a 4,0 MMt, e os meses de outubro e novembro (ainda em início de colheita) caminhariam para disponibilidade mínima de açúcar - em um momento de importantes festivais e feriados no país, que elevam sazonalmente o consumo interno da commodity.

Há dois meses, os clientes StoneX já liam em nossos relatórios sobre a possibilidade de a Índia importar açúcar no curto/médio prazo (leia o Semanal de 26/06), diante da situação das monções e da tendência dos estoques na virada da safra. Agora, o cenário se materializa e levou os preços temporariamente para patamares acima de US¢ 18/lb, o maior desde abril de 2025; o contrato de março/27 já busca os "19 cents".

A liberação das importações acontece em um momento de mercado bastante tensionado pelo lado das chuvas no Hemisfério Norte. Não somente a Índia vive monções mais de 10% abaixo da média, mas também a Tailândia deve observar quebra de safra em 2026/27. Mais crítico ainda, a União Europeia enfrenta uma das piores estiagens de sua história, em paralelo a temperaturas elevadas, o que elevará a necessidade de importação pelo bloco, especialmente nos três primeiros trimestres do ano que vem, o que é significativamente altista para os preços do açúcar refinado - e, logo, para o Diferencial LDN-NY, que costuma antecipar maior demanda no físico de açúcar bruto.

Apesar do curto prazo não contar com pressão alguma no trade flow (afinal, os preços atuais do #11 mais do que justificam um aumento de mix açucareiro no Centro-Sul pelo menos entre agosto e outubro, e a demanda por importações de um modo geral segue enfraquecida), as expectativas têm guiado o mercado. Os fundos aumentaram em mais de 115 mil lotes o posicionamento liquidamente comprado na bolsa de NY (dados até 11/08), e calculamos a posição até 18/08 entre 75-85 net long. A adição de uma demanda volumosa, de 1,0 MMt, com prazo curto (pouco mais de dois meses) pressiona de forma relevante e "assusta" o mercado, mas entendemos que há oferta disponível, especialmente do Brasil.

Contudo, esse produto demoraria justamente ao redor de dois meses até chegar nos portos do Oeste da Índia (com origem do Brasil), e de fato isso tensiona ainda mais os preços - principalmente porque não haverá intenção por parte do governo indiano de postergar as compras dado que o contrato do #11 após setembro, com a rolagem para o SBH7, ficará ainda mais caro. Pelos nossos cálculos, atualmente o açúcar indiano ronda os US$ 615/t (líquido de GST, imposto de bens e serviços), e o VHP CIF (com origem em Santos) chegaria entre US$ 430-450/t, líquido de GST.

Na minha visão, o mercado tem pressão de venda pelas usinas do Centro-Sul no curtíssimo prazo, algo já evidente no comportamento das cotações de hoje (20), que tocaram os US¢ 18/lb logo no momento de anúncio da cota indiana, e rapidamente recuaram para a região de US¢ 17,60-17,70/lb. Os contratos mais longos, de maio/27 em diante, operam praticamente estáveis ou em queda, indicando que as altas recentes tem sido momentos das usinas garantirem margens mais atrativas na safra atual e nas próximas.

Por outro lado, em períodos de alta presença especulativa no mercado, os fundamentos ficam nebulosos. Os fundos costumam contar com amplos volumes financeiros e participação ativa em movimentos de volatilidade, podendo sim gerar novas altas nos próximos dias. O rally do #11 ainda conta com questões em aberto, como por exemplo, a definição dos tamanhos das safras na Tailândia e na União Europeia e a própria safra no Centro-Sul. Caso as chuvas na região voltem a níveis acima da média de setembro a novembro (cauda final da colheita 26/27), as usinas não conseguirão colher toda a cana disponível e terão dificuldades no processo de cristalização do caldo.

Por fim, uma importante reflexão paira no que tange as perspectivas para os contratos de outubro/26 e março/27. Os dados do CFTC mostram que até dia 11/08, houve um avanço robusto da posição vendedora dos agentes comercias, que foi certamente ampliada na semana seguinte. Portanto, se houver pressão compradora dos fundos ainda mais firme nos próximos dias e  meses, quem vai ser a contrapartida vendedora nessas primeiras duas telas?

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19 de agosto – Os futuros das bolsas ficaram de forma tranquila mistos durante grande parte da noite. Duas guerras continuam a pesar sobre o sentimento dos investidores, mas a economia continua a avançar. Os rendimentos dos Treasuries recuaram um pouco durante a noite, mas a tendência permanece de alta. Ainda assim, o VIX continua a ser negociado perto de 15 nesta manhã, o que é um nível relativamente baixo que reflete uma sensação de complacência. O dollar index está sendo negociado em uma mínima de 11 semanas, perto de 99, à medida que recua nos últimos dias, ajudando a compensar uma lenta alta nos preços das commodities. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,64%, após atingirem novas máximas de 19 meses ontem, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,17%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 85, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 91 por barril nesta manhã.

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18 de agosto – Os futuros das bolsas continuaram a recuar lentamente durante a noite em meio às tensões crescentes em duas frentes de guerra, e à medida que os rendimentos dos Treasuries sobem. O VIX subiu ligeiramente para ser negociado perto de 16 também, embora isso ainda seja relativamente baixo. Mesmo assim, está se firmando. O dollar index está sendo negociado perto de 99,6, à medida que os investidores avaliam a estabilidade financeira do Japão. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,74% neste momento, após registrarem uma nova máxima de 19 meses nesta manhã, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,20%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 85, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 91 por barril. Os mercados de grãos e oleaginosas estão mais firmes nesta manhã, obtendo suporte de uma demanda sólida, de mais relatos ainda não confirmados de ataques a navios graneleiros no Mar Negro, e em meio aos resultados do tour de safra que lançaram algumas dúvidas sobre o tamanho das safras deste ano.

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