Comentários de Abertura
Esta semana começa de maneira positiva, com a divulgação de dados de inflação prevista para o final da semana, os quais são esperados para continuar a tendência de se aproximar da meta de 2% do Federal Reserve. Enquanto isso, a deflação permanece um problema na China, o que limita a demanda por commodities e o crescimento econômico global. Espera-se que o Comitê Federal de Mercado Aberto corte as taxas de juros na próxima semana, mas Wall Street ainda debate a magnitude desses cortes após uma série de dados de empregos divulgados na semana passada, que apresentaram uma mensagem mista sobre a economia. O índice de volatilidade VIX está sendo negociado próximo de 21 pontos esta manhã, enquanto o dollar index viu uma continuidade das compras durante a noite, após uma reversão para cima das recentes mínimas de um ano na sexta-feira, com o dólar sendo negociado próximo a 101,6 neste momento. Os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA estão em torno de 3,73%, enquanto os títulos de 2 anos estão próximos de 3,68%. Os preços do petróleo bruto estão subindo após as mínimas de 14 meses registrados na sexta-feira, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas estão mistos a firmes, sem uma direção clara nesta manhã.
O índice de preços ao consumidor da China permaneceu próximo a zero nos últimos 16 meses, com a leitura de agosto subindo 0,6% em relação ao ano anterior, em comparação com 0,5% em julho. O núcleo do índice de preços ao consumidor da China, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,3% em relação ao ano anterior, abaixo dos 0,4% de julho. Os preços de moradia, transporte, serviços e saúde continuam sob pressão devido à baixa confiança do consumidor. O índice de preços ao produtor foi de -1,8%, permanecendo negativo nos últimos 23 meses. As pressões deflacionárias continuam muito reais na China, refletindo a fraqueza de sua economia.
Os produtores brasileiros plantaram cerca de 4% da safra de milho de verão deste ano, principalmente nas áreas mais ao sul do país, onde algumas chuvas caíram nos últimos dias. O progresso do plantio está limitado principalmente ao Rio Grande do Sul neste momento, onde 20% da safra foi plantada, abaixo dos 50% registrados no mesmo período do ano passado. Enquanto isso, os plantadores de soja permanecem parados, aguardando o retorno das chuvas de monção na região Centro-Oeste, onde o solo ainda está extremamente seco. Os modelos de previsão têm indicado consistentemente que setembro permanecerá seco no Centro-Oeste do Brasil, mas também têm apontado consistentemente que essas chuvas devem retornar na primeira semana de outubro. Isso seria mais tarde do que o desejado, mas ainda a tempo de evitar problemas significativos, se isso se confirmar. De fato, os modelos estão prevendo um padrão climático típico de La Niña para a temporada de cultivo, que oferece condições quase ideais para uma grande safra no Centro-Oeste do Brasil. Pode ser um pouco seco no sul do Brasil, mas ainda não está claro se será seco o suficiente para reduzir a produção geral.
O USDA vai se pronunciar sobre a produção de milho e soja dos EUA na quinta-feira. Nos últimos 10 dias, o órgão tem amostrado campos no Meio-Oeste, incluindo a pesagem de amostras para avaliar o tamanho dos grãos. As estimativas de produção de quinta-feira serão as primeiras do ano para milho e soja que incluirão dados de amostragem de campo real, além de dados de satélite e pesquisas com produtores. Pesquisas privadas até agora têm, em grande parte, confirmado os números de agosto, mas sempre há o risco de que a amostragem de campo revele algo que as pesquisas privadas, que em grande parte não consideram o tamanho das sementes, não mostraram. O agosto muito frio — em sua maioria — indicaria tamanhos maiores de sementes, o que sustentaria rendimentos mais altos, enquanto o final seco do mês indicaria tamanhos menores de sementes. Na realidade, provavelmente veremos alguns estados surpreenderem positivamente, enquanto o oposto será verdadeiro para outros, dependendo dos solos e da disponibilidade de umidade. De qualquer forma, as safras de milho e soja deste ano devem ser recordes. O principal debate ainda gira em torno da dimensão desses recordes. Os produtores tenderão a deixar o milho no campo para secar, evitando os custos de secagem com os baixos preços das safras deste ano, mas a previsão do tempo sugere que teremos um outono quente com ar seco, facilitando uma rápida secagem e, portanto, uma colheita rápida assim que começar, pressionando o sistema de armazenamento do país, o que colocará mais bushels no mercado.
É difícil me empolgar muito com o mercado de soja nos próximos meses. Uma grande safra nos EUA parece garantida. A demanda chinesa está fraca, e as compras de soja da China estão cada vez mais favorecendo fontes brasileiras. Temos que assumir que o Brasil terá outra grande safra este ano, se os meteorologistas estiverem corretos. A Argentina ainda é uma incógnita, com uma temporada de cultivo seca esperada, mas com uma área significativamente maior devido à mudança do milho para a soja. A Califórnia está trabalhando para limitar o uso de óleo de soja na produção de diesel verde, com outros estados esperando seguir o mesmo caminho, e o governo federal está fazendo pouco para tranquilizar o mercado com fortes mandatos de produção. Não estou tão pessimista em relação ao milho, embora seus fundamentos sejam fracos no curto prazo, já que estamos entrando em uma safra recorde. O armazenamento será um problema, o que deve colocar mais grãos no mercado neste outono. Mas, depois, o foco se voltará para a demanda. Os preços baixos devem apoiar o aumento do uso para ração, etanol e exportações. Uma safra menor no Mar Negro este ano, combinada com uma redução de cerca de 20% ou mais na área plantada na Argentina para a próxima temporada, juntamente com um clima mais seco, deve melhorar as exportações dos EUA na última metade do ano de comercialização. Isso oferece a oportunidade de, pelo menos, estabilizar os mercados no futuro.



