Comentários de Abertura
Os futuros das ações subiram durante a noite, antes dos dados de inflação altamente aguardados desta manhã, ampliando os ganhos após a divulgação dos números. O índice de volatilidade (VIX) está próximo de 17, enquanto o dollar index opera em torno de 108,7. Os títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA estão em 4,66%, e os de 2 anos, em 4,26%. O preço do petróleo bruto aumentou 1% hoje, após recuar ontem, enquanto o setor de grãos e oleaginosas apresentou resultados mistos.
O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,4% em dezembro na comparação mensal, acima do aumento de 0,3% esperado pelos analistas e registrado no mês anterior. Na comparação anual, o CPI avançou 2,9%, frente aos 2,7% de novembro, mas em linha com as projeções do mercado. O núcleo do CPI, que exclui os setores mais voláteis, como alimentos e energia, cresceu 0,2% no mês, abaixo das expectativas de 0,3%, e desacelerou na base anual para 3,2%, contra os 3,3% registrados anteriormente.
A reação de Wall Street foi positiva, ecoando a tendência observada nos dados de preços ao produtor divulgados ontem. O aumento nos preços de energia foi o principal fator de alta na inflação geral, enquanto a desaceleração em outros setores resultou na melhora do núcleo do CPI. Isso foi interpretado como um ponto favorável para o Federal Reserve, apesar do impacto contínuo da alta dos preços de energia. O custo da energia subiu 2,6% em dezembro, ante 0,2% no mês anterior. Os preços da gasolina aumentaram 4,4% no mês, acompanhados por altas semelhantes no óleo combustível, enquanto os preços do gás natural subiram 2,4%, frente a 1,0% em novembro. Serviços de transporte avançaram 0,5% no mês, com o setor de moradia e alimentos crescendo 0,3%. Mesmo assim, os futuros dos fundos federais apontaram 97% de probabilidade de o Fed manter as taxas de juros inalteradas na reunião do final de janeiro, com poucas chances de cortes ao longo do ano.
Na China, as empresas adicionaram 40 bilhões de yuans (US$ 5,48 bilhões) em empréstimos de médio e longo prazo em dezembro, o menor volume em nove anos, representando uma queda de 81% em relação a novembro e menos de 5% do total obtido no mesmo mês do ano passado. A baixa demanda por crédito reflete a incerteza persistente no setor empresarial, apesar dos esforços governamentais para estimular a economia. O crédito empresarial total caiu quase 26% em relação a 2023. Já os empréstimos bancários totais somaram 99 bilhões de yuans (US$ 13,56 bilhões), superando as expectativas de 85 bilhões de yuans, mas ainda 15% abaixo do registrado no mesmo período de 2023. Para o ano de 2024, os empréstimos bancários na China caíram mais de 20%, o menor crescimento desde 2002. Os empréstimos para famílias, majoritariamente hipotecários, cresceram para 30 bilhões de yuans (US$ 4,11 bilhões) em dezembro, refletindo a maior taxa de crescimento desde agosto e um aumento anual de 105%, impulsionado por programas de estímulo.
Os títulos do governo aumentaram em 11,3 trilhões de yuans (US$ 1,55 trilhão) no final de 2024, uma alta de quase 18% em relação ao ano anterior. Isso seria esperado para aumentar a oferta de dinheiro circulando na economia chinesa. Uma análise da oferta monetária M1, que corresponde ao dinheiro mais disponível para o consumidor gastar, continuou a cair em dezembro, mas em um ritmo mais moderado (1,4%) em comparação com a queda de 3,7% em novembro. Já a oferta monetária M2 subiu 7,3% em dezembro, após uma expansão de 7,1% em novembro. A diferença no crescimento da oferta monetária entre M1 e M2 fornece uma medida do sentimento do mercado no curto prazo, que diminuiu o declínio pelo quarto mês consecutivo. A queda foi de 8,7% em dezembro, comparada a 10,8% em novembro. A redução da contração no M1 sugere que os pacotes de estímulo do governo estão direcionando a oferta monetária de forma positiva, embora ainda haja um longo caminho a percorrer até o fim do ciclo de contração, quando a diferença se tornar positiva com um crescimento mais forte do M1 em relação ao M2.
Nossa equipe da StoneX Brasil estima que as perdas na produção de soja devido ao estresse hídrico reduziram o tamanho da safra no Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, em 2,4 milhões de toneladas, embora se espere que uma parte significativa dessa perda seja compensada por rendimentos melhores do que o esperado no Centro-Oeste, onde condições quase ideais resultaram em um bom potencial de safra. A Argentina apresenta uma situação diferente. Atualmente, 65% da safra está sob diferentes níveis de estresse, número que deve cair para 40% com as chuvas esperadas no final de semana, antes de voltar a subir no horizonte de duas semanas. As previsões além desse período são mistas, mas geralmente com viés mais seco. Ainda é muito cedo na temporada de cultivo da Argentina. De qualquer forma, ainda esperamos que a safra brasileira cresça em algo próximo a 20 milhões de toneladas a mais do que a safra do ano anterior.



