Comentários de Abertura
Os futuros de ações se recuperaram durante a noite, revertendo parte das perdas da semana passada, enquanto as commodities enfrentaram nova pressão de venda. Vale ressaltar que o rali noturno em Wall Street é modesto em comparação com a forte liquidação do final da semana passada, mas os traders encontraram algum alívio na estabilização do mercado. No entanto, o VIX subiu moderadamente, sendo negociado próximo de 18 durante a noite. O dollar index caiu para uma nova mínima de 11 semanas antes de se recuperar para operar novamente perto de 106,7. Os títulos de 10 anos do Tesouro estão sendo negociados em torno de 4,44%, mantendo-se, por enquanto, acima do suporte de 4,4%, enquanto os títulos de 2 anos estão próximos de 4,22%. Os preços do petróleo bruto estão moderadamente mais altos nesta manhã, após um fechamento mais firme, enquanto os mercados de grãos e oleaginosas operaram em queda.
O índice nacional de atividade do Fed de Chicago caiu para -0,03 em janeiro, abaixo da revisão para cima de +0,18 em dezembro. Isso indica que a economia desacelerou um pouco em janeiro, mas continuou crescendo em um ritmo ligeiramente abaixo da tendência. Ainda esta semana, teremos a atualização dos dados do PIB, além de números de pedidos de bens duráveis e inflação na sexta-feira. No entanto, o maior foco de Wall Street pode ser o impacto dos cortes de funcionários federais, após cartas terem sido enviadas no fim de semana solicitando que os servidores justificassem seus cargos. Washington se prepara para possíveis cortes adicionais significativos, e Wall Street especula sobre os impactos que isso poderá ter na taxa de desemprego e na economia em geral.
Os preços do trigo registraram as maiores quedas durante a noite, mas as perdas no milho foram o principal fator de pressão no mercado. O contrato futuro do milho não conseguiu manter seu avanço acima de US$ 196 por tonelada na semana passada, gerando nervosismo no mercado após a forte alta dos preços observada neste inverno. O relatório Commitment of Traders da CFTC, divulgado na sexta-feira, mostrou um aumento nas posições compradas de fundos especulativos no mercado de milho na semana encerrada em 18 de fevereiro, elevando ainda mais a apreensão, pois os investidores especulativos detêm uma posição quase recorde para esta época do ano. Além disso, algumas estimativas privadas sugerem um aumento na área plantada com milho nos EUA nesta primavera, variando entre 1,21 e 2,02 milhões de hectares a mais, com algumas projeções indicando até 2,43 ou 2,83 milhões de hectares adicionais. Por fim, o progresso do plantio da safra de milho safrinha no Brasil acelerou nas últimas semanas, aproximando-se da normalidade para a região e criando condições para uma grande safra, caso a estação chuvosa se prolongue o suficiente. Esse ainda é um grande "SE" para a região, pois alguns modelos meteorológicos indicam um clima mais seco para a fase de polinização e enchimento de grãos em abril/maio. No entanto, por enquanto, os investidores altistas no milho carecem de fundamentos para sustentar uma alta contínua. A soja e o trigo também enfrentam dificuldades para manter o impulso de alta na ausência de força nos preços do milho. A posição líquida comprada em milho e vendida em trigo ainda permite algum espaço para correções, mas isso pode ocorrer gradualmente.
O Fórum de Perspectivas Agrícolas anual do USDA ocorrerá na quinta e sexta-feira desta semana. Raramente esse evento traz novidades inesperadas para o setor, mas a mídia dará grande destaque às projeções de longo prazo do USDA, incluindo estimativas de área plantada e produtividade para a próxima safra. As estimativas de produtividade serão significativas, pois geralmente são usadas no relatório WASDE de maio para o novo ano comercial. No entanto, as projeções de área não se baseiam em pesquisas com produtores ou no setor, mas sim em modelagens feitas pelos economistas do USDA. O dado mais relevante será a pesquisa de intenção de plantio, que será divulgada em 31 de março. Estimativas privadas começarão a ser divulgadas nas próximas semanas, preparando o mercado para esse relatório. Ainda assim, espera-se que os algoritmos de negociação reajam imediatamente aos números divulgados no evento desta semana.
A próxima questão será: que tipo de safra podemos esperar? O fenômeno La Niña parece estar se dissipando e provavelmente desaparecerá nos próximos meses. Existe um leve viés para condições quentes e secas no Meio-Oeste dos EUA após invernos influenciados por La Niña fraca a moderada, mas, estatisticamente, a influência desse fenômeno no clima de cultivo da região tende a ser superestimada. O meteorologista Eric Snodgrass realizou uma análise estatística aprofundada sobre os principais fatores que impactam as condições climáticas de verão no Meio-Oeste. O fator com maior correlação foi a temperatura das águas no Golfo do Alasca em relação à média histórica. Águas frias no início do verão tendem a estar associadas a padrões de vento atmosférico que resultam em condições quentes e secas no Meio-Oeste. Por outro lado, águas mais quentes no Golfo do Alasca nesse período tendem a indicar ventos atmosféricos favoráveis ao desenvolvimento das lavouras. Atualmente, as temperaturas das águas na região estão entre neutras e quentes, mas isso pode mudar rapidamente. Além disso, os modelos meteorológicos nesta época do ano costumam ter baixa precisão na projeção das temperaturas oceânicas para maio e junho. Snodgrass também descobriu que apenas 30% das perdas de produtividade do milho no Meio-Oeste estão associadas à seca, enquanto 70% estão relacionadas ao calor excessivo – um resultado contrário ao pensamento convencional. Em outras palavras, anos secos, mas com temperaturas amenas, ainda podem resultar em boas colheitas. O ponto essencial é: fiquem de olho no Golfo do Alasca.



